Poderia ter abatido mais cabeças
"Um ano bom, mas com oferta restrita de animais." É dessa forma que o pecuarista André Carioba define o cenário de comercialização de carne bovina em 2014. Com larga experiência no setor, ele possui uma propriedade em São Sebastião da Amoreira que utiliza o sistema de criação de animais por confinamento, com capacidade estática de 2,2 mil cabeças e abate anual que pode chegar a até 11 mil animais. Além disso, toda a produção de ração e silagem é realizada dentro da propriedade.
O pecuarista explica que se por um lado as exportações estavam interessantes e principalmente o preço da arroba estava atrativo, por outro, ele teve imensa dificuldade em adquirir animais para a engorda. Em 2014, ele conseguiu abater em torno de sete mil animais, longe da capacidade máxima que buscava atingir, de 11 mil cabeças. "Com os preços interessantes, queria ter atingindo a minha capacidade limite de abate. Mas estamos num mercado complexo, com escassez de animais e poucas pessoas querendo vendê-los devido aos bons preços. O pessoal fica segurando o máximo que pode e só começa a comercializar quando os preços partem para uma queda."
No que diz respeito à comercialização com os frigoríficos, Carioba acredita que os bons preços pagos por eles estão mais ligados à falta de mercadoria do que ao aumento no volume de exportação. "O Paraná passa por uma redução de plantel há pelo menos cinco anos. Para mudar este cenário, o ideal seria que o governo eliminasse as alíquotas tributárias quando são importados animais de outros estados. Isso fortaleceria as transações e faria com o plantel aumentasse ao longo dos anos."
Para 2015, a expectativa do pecuarista é que os preços da arroba continuem em elevação, com patamar mínimo de R$ 135. "Se a escassez de animais continuar, acredito que podemos atingir inclusive a casa dos R$ 150 nos próximos meses", projeta ele. (V.L.)





