Pode faltar na virada do Século
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sexta-feira, 21 de março de 1997
Giovani Ferreira de Ponta Grossa 
FuturoApesar de ser cultivado em todo o mundo, o milho poderá ser mercadoria escassa por volta do ano 2000Levando em consideração os números registrados nos últimos anos, na virada do Século a produção de milho poderá ser insuficiente para atender o consumo mundial. Para o ano 2000 estima-se uma produção média de 568 milhões de toneladas, para o consumo previsto, no mundo, de 572 milhões de toneladas.
A projeção é do engenheiro agrônomo José Amauri Dimarzio, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Sementes (Abrasem) e diretor da Braskalb, uma das maiores empresas produtoras de híbridos de milho do Brasil. O aumento da produtividade, com o investimento em pesquisa e tecnologia, é a única saída para equilibar esses números, afirmou Dimarzio.
Produção e crescimento Atualmente a produção mundial é de aproximadamente 540 milhões de toneladas, para um consumo entre 525 e 530 milhões de toneladas. O Brasil, onde o milho é uma das culturas que mais crescem em produtividade, vem fazendo sua parte: nos últimos cinco anos a produtividade média da lavoura brasileira cresceu mais de 50%. Atualmente, na Região Centro-Sul do País, o rendimento do milho é de 3 mil kg/hectare.
Segundo Dimarzio o crescimento médio da produtividade nacional é de 0,4% ao ano. Porém, o ideal seria um crescimento de 1,1%, para que o Brasil pudesse ter condições de competir com a produtividade de países como os Estados Unidos e China, disse o engenheiro. Com a maior produtividade do mundo, os Estados Unidos conseguem colher uma média de 7,5 mil kg/ha. Em seguida vem a China, com 4,5 mil Kg/ha.
Para Dimarzio o milho precisa recuperar os índices registrados entre 1975 e 1985, quando a produtividade média no mundo cresceu 40%. Entre 1985 e 1995 a produtividade mundial cresceu somente 11%. Dimarzio explicou que essa situação já preocupa produtores e empresas de pesquisas, que estão investindo mais na cultura. Ao longo dos últimos anos parece que houve um despertar para a importância do uso da alta tecnologia, disse Dimarzio.
De acordo com o engenheiro agrônomo, a própria competitividade, gerada pela globalização da economia, está exigindo um maior desempenho do milho. O aumento da produtividade, assim como a sanidade e a qualidade do grão, são fatores fundamentais para o crescimento da cultura no Brasil e em todo o mundo. Essas três qualidades, lembra Dimarzio, são produtos originários da pesquisa.
BiotecnologiaO advento da biotecnologia, com a engenharia genética, também aparece como uma das principais opções para o crescimento da cultura do milho em todo o mundo. A biotecnologia tem como um de seus principais objetivos o aumento da produtividade e da qualidade do grão.
Conforme estimativa revelada por Dimarzio, no futuro o milho será a cultura que terá o maior uso de biotecnologia em todo o mundo. Disse, que no ano 2005, aproximadamente 30% da produção de milho serão geradas por plantas transgênicas. A soja aparecerá em segundo lugar, com 25% de plantas transgênicas.


