O Brasil exporta apenas 15% do que produz, mas tem potencial para ampliar em muito mais este porcentual. A afirmação é do analista de mercado Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria. Prova disso, segundo Rosa, foram os números da exportação brasileira acumulados de janeiro a agosto deste ano, que já ultrapassaram o volume dos dois maiores exportadores do mundo: Estados Unidos e Austrália.
Nos últimos 12 meses (setembro de 2002 a agosto de 2003), de acordo com os dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), as exportações brasileiras de carne bovina, em volume, chegaram a aproximadamente 748 mil toneladas métricas.
No mesmo período, os embarques australianos, segundo os números do Departamento de Agricultura, Pesca e Floresta da Austrália (AFFA), foram de 877,64 mil toneladas, portanto, 17,3% maior.
Contudo, segundo Fabiano Rosa, quando é analisado o desempenho em tonelada equivalente carcaça, a vantagem é brasileira: 1,19 milhão de toneladas (Brasil), contra 1,14 milhão (Austrália).
''Isso porque a Austrália, ao contrário do Brasil, praticamente não exporta carne industrializada, que tem um peso maior na conversão para equivalente carcaça,'' explica o zootecnista.
No decorrer do período analisado, de acordo com dados da Scot, o Brasil exportou aproximadamente 178,5 mil toneladas métricas de carne bovina industrializada, ou 446,3 mil toneladas em equivalente carcaça, 38% do total de embarques.
''Uma estiagem severa e prolongada quebrou a produção agropecuária australiana, levando o Brasil ao topo do ranking dos países exportadores de carne bovina um pouco antes do previsto'', afirma Rosa.
Segundo estimativas de diversas fontes internacionais, a redução das exportações australianas de carne bovina deve ser da ordem de 8% a 20% este ano.
Em 2002 os embarques brasileiros totalizaram aproximadamente 966 mil de toneladas em equivalente carcaça, colocando o País em terceiro lugar do ranking, atrás da Austrália (primeiro) e Estados Unidos (segundo).
No acumulado deste ano (janeiro a agosto), os embarques brasileiros já totalizaram 800 mil toneladas, 39% a mais em relação a igual período do ano passado.
Na tabela é possível observar o desempenho dos três principais exportadores, Brasil, Austrália e Estados Unidos, do acumulado de janeiro a julho deste ano (ainda não foram divulgados os dados norte-americanos de agosto). Em tonelada equivalente carcaça, os Estados Unidos também superaram o desempenho australiano, alterando por completo o quadro desenhado em 2002.
Mantendo esse desempenho, o analista considera que os embarques brasileiros devem totalizar algo próximo a 1,2 milhão de toneladas em equivalente carcaça no ano civil (janeiro a dezembro), consolidando a nova posição do país.
O Brasil, na opinão de Fabiano Rosa, tem potencial para manter e até ampliar a oferta de carne. O potencial, de acordo com Rosa, se explica só com a capacidade de lotação animal nas pastagens. A média de ocupação do rebanho brasileiro por área é hoje de 0,5 a 0,6 Unidade Animal (UA) por hectare (ha), considerando um animal de 450 quilos. ''Ou seja, a cada hectare, se tem meia vaca no pasto brasileiro, uma ocupação muita baixa.''
Apenas com correções em índices zootécnicos dos animais e alteração no manejo de pastagens, sem altos investimentos, avalia o analista, o rebanho brasileiro poderia ser o dobro do que é hoje. Fabiano afirma que trabalhos em instituições de pesquisa e a prática em várias propriedades demonstram que se pode chegar a 6 UA/ha, ''com isso todo o rebanho bovino do mundo caberia no Brasil.''
O consultor lembra também que, além do potencial de produção a pasto, o que agrada aos clientes, o Brasil tem hoje um bom sistema de controle do rebanho, com o rastreamento, e ação competente no controle da febre aftosa, ''ajudando até os vizinhos a controlar a doença em seus países. Falta agora os engravatados mostrarem esses potencias.''
Segundo o analista, os mercados que foram conquistados a partir de 2001, ocupando espaços do Uruguai e da Argentina, por exemplo, devido a problemas sanitários, além de casos da vaca louca em países da Europa, já estão consolidados. ''Agora é preciso preservá-los.''

mockup