Comum em serras, campos, quintais e mesmo em terrenos baldios, a carqueja é uma das plantas mais utilizadas pelo brasileiro para combater problemas de fígado, rins e estômago. No Brasil, existem cerca de 120 espécies diferentes da planta - no mundo são 400. A variedade mais comum no país é a Baccharis trimera. Com ramos mais largos e baixos, as plantas dessa espécie não têm folhas e ficam semelhantes a uma moita.
Paulo Guilherme Ribeiro recomenda o cultivo em pequenas áreasUtilizada principalmente para fins terapêuticos, a carqueja pode ser cultivada comercialmente, como opção de diversificação em pequenas propriedades. Uma das vantagens é o baixo custo. O maior volume de gastos está concentrado na implantação da lavoura, quando é necessário produzir mudas. Em compensação, os custos de manutenção são mínimos. A carqueja adapta-se bem em qualquer tipo de solo, principalmente os ácidos e com baixa fertilidade. A cultura é perene e dispensa a adubação e a aplicação de herbicidas, fungicidas e inseticidas, bem como a irrigação.
PlantioO pesquisador da área de Fitotecnica do Iapar, Paulo Guilherme Ribeiro, recomenda o plantio em pequenas áreas. O ideal é uma lavoura com cerca de 1.000 metros quadrados. O espaçamento indicado está entre 40 e 50 centímetros entre plantas e um metro entre linhas. O plantio é feito por estaquia de ramos novos, que devem ter cerca de 20 cm. É recomendada a preparação de mudas em saquinhos ou copinhos plásticos, antes do plantio a campo, que deve ser feito entre setembro e janeiro.
A Baccharis trimera pode atingir até 1,5 metro de altura. A colheita inicia-se a partir do sexto mês após plantio no campo, com o corte dos ramos a 20 cm do solo. Os talos são normalmente comercializados após a secagem, que deve ser feita à sombra. ‘‘Pode ser em barracões ventilados, em secadores solares ou estufas’’, explica o pesquisador. A temperatura do ar não deve ultrapassar 45ºC. Segundo Paulo Guilherme, a secagem ao sol faz com que a planta perca a maior parte das suas propriedades terapêuticas.
A carqueja tem boa produtividade. No primeiro corte, colhem-se cerca de dois mil quilos de material seco por hectare. A partir do segundo corte a produtividade cai para 1000kg/ha. Os cortes devem ser feitos com intervalos de quatro meses, no verão, e de seis meses no inverno. Ou seja, anualmente, a carqueja produz entre 2000 e 3000 quilos/ha de material seco.
MercadoSegundo Paulo Guilherme, a carqueja está sendo comercializada para empresas de processamento da erva a R$2,00 o quilo. Apesar do bom preço e das vantagens de produção, é necessário ter cautela. Ele lembra que um dos maiores problemas enfrentados pelos produtores de carqueja e outras plantas medicinais é o mercado, basicamente formado por farmácias de manipulação e lojas de produtos naturais.
‘‘Existe mercado, mas a demanda ainda é pequena’’, explica. ‘‘Por isso, é preciso analisar se haverá mercado consumidor. Só depois deve-se calcular a área a ser destinada para a cultura’’.

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