Tem cafeicultor que, mal sua lavoura é atingida por uma geada, passa a fazer poda radical, deixando apenas o tronco ou um pedaço dele. Vai esperar três anos, para voltar a colher. Ele deve aguardar de 60 a 120 dias, para saber a gravidade dos efeitos do frio no cafezal e só então decidir qual tipo de poda adotará: se uma recepa, ou um ‘‘decote’’, seguido de esqueletamento que poupará os galhos da ‘‘saia’’ da planta e assim possibilitará uma recuperação mais rápida.
O engenheiro-agrônomo Francisco Barbosa, do Departamento de Café do Ministério da Agricultura; Armando Androciolli, pesquisador da Área de Café do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar); o também agrônomo Silézio Abel Demoner, da Emater-Regional de Cornélio Procópio, e outros profissionais que trabalham com café, alertaram os produtores que a poda, dependendo de como é feita, possibilita uma recuperação mais rápida, ou mais lenta, da produtividade. Ao mesmo tempo eles recomendam que os produtoress esperem até quatro meses, antes de decidir como farão a poda. Neste ano a poda começou em setembro e ainda está sendo feito.
ExperiênciaBarbosa lembra que os técnicos fizeram o alerta, principalmente, devido a experiência que tiveram na geada de 1994, quando muitos agricultores fizeram poda (recepa) drástica nas suas lavouras, sem necessidade ou sem a preocupação de aproveitar os ramos-pulmões, os ramos ‘‘baixeiros’’, produtivos, da parte baixa das plantas. ‘‘Esses ramos são essenciais para a recuperação da lavoura’’, explica Barbosa.
Ele adverte que uma lavoura recepada, em que fica somente o tronco do pé de café, vai produzir somente no terceiro ano, com pequena produção no segundo ano. ‘‘Mas, se a poda for feita, preservando os ramos-pulmões, os ramos laterais, proporciona uma boa produção já no segundo ano. Isso faz a grande diferença para o produtor’’.
‘‘Se o produtor se apressar em cortar a lavoura, causa um prejuízo grande, não só para ele, mas para a produção do Paraná. Nós acreditamos hoje, observando os danos que as geadas fizeram na cafeicultura do Paraná, que se os produtores fizerem a poda conforme a orientação que estamos dando, o Estado deve voltar, com 60-70% de sua capacidade de produção, já em 2002’’, conclui o o agrônomo do Departamento do Café.
Como podarArmando Androciolli, do Iapar, acrescenta que ‘‘é muito importante avaliar a intensidade dos danos, para evitar cortar além do que a geada danificou’’. Ele explica que a brotação do tronco e ramos ‘‘é um bom indicador da parte sadia da árvore’’.
Os melhores resultados são obtidos quando a poda é feita 60 a 120 dias após as geadas. ‘‘Deve-se esperar as primeiras chuvas, que ocorrem de agosto a outubro no Norte do Paraná, quando as plantas iniciam a brotação e indicam com mais realidade o dano e onde a planta deve ser cortada’’.
Androciolli lembra que os danos podem ser ‘‘severíssimos’’, quando ocorre a morte dos ramos, das folhas e da maior parte do tronco do cafeeiro. Geadas que provocam danos desse nível ocorrem aproximadamente a cada 30 anos e nesse caso a recepa é o tipo de poda predominante.
Nos danos ‘‘severos’’ (seis em seis anos) os cafeeiros têm perdas parciais nas folhas e ramos, em diferentes intensidades. O pesquisador do Iapar lembra que pode ocorrer a morte de grande parte do tronco, nas lavouras localizadas nas baixadas ou lavouras desfolhadas devido a desnutrição. A produção do ano seguinte é afetada parcialmente ou totalmente; enquanto algumas lavouras podem nem precisar de poda, outras podem necessitar de poda drástica como a recepa.
Se os efeitos das geadas são ‘‘moderados’’, os cafeeiros sofrem danos superficiais na copa, com queima de folhas e de pontas de alguns ramos. Isso acontece nas lavouras situadas nas partes mais baixas da propriedade e causa pouco efeito sobre a produção. Nessas condições não se deve podar, mas apenas fazer a desbrota.

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