Jota Oliveira
De Londrina
A Organização Mundial do Comércio (OMC) vai reunir-se em novembro, em Seattle, Estados Unidos, naquela que está sendo chamada a ‘‘Rodada do Milênio’’, que tratará de questões relacionadas ao comércio internacional. O Brasil leva uma posição definida há tempos: se não houver negociações de produtos agrícolas, ‘‘não haverá Rodada do Milênio’’, conforme disse no mês passado o ministro da Agricultura e do Abastecimento, Marcus Vinícius Pratini de Moraes.
Em consequência dessa posição, tomada também por outros países do Terceiro Mundo, diferentes questões relacionadas ao comércio internacional ficam ameaçadas de nem serem discutidas, o que leva o Ministro a prever que as negociações serão difíceis e durarão três anos. Segundo Pratini, os países do Mercosul e ‘‘a maioria dos membros do Grupo de Cairns, têm posições firmes em defesa do fim dos subsídios agrícolas às exportações; da eliminação das barreiras tarifárias e não-tarifárias e sobre a necessidade de revisão dos programas internos de incentivo à agricultura’’. O Ministro tem se reunido com representantes das diversas cadeias produtivas, para elaborar a pauta que o Brasil levará a Seattle.
Açúcar, carnes, frutasPara levar a Seattle propostas de cada setor da economia rural brasileira, já tem havido reuniões de representantes das várias cadeias produtivas com o ministro da Agricultura. Estiveram reunidos com ele representantes das cadeias sucroalcooleira; de carnes bovina, suína, de frango, e da fruticultura. Recebendo as sugestões da área de cereais, o Ministério deve definir ainda este mês todas as reivindicações dos agropecuaristas à Rodada do Milênio.
Segundo Pratini, o Ministério quer transformar o açúcar em produto de exportação permanente, porque integra a cadeia produtiva que mais emprega mão-de-obra. Essa área sofre muitas oscilações. Além disso, os preços internacionais estão baixos e o açúcar brasileiro enfrenta barreiras no mercado internacional, especialmente impostas pela União Européia, que protege seus produtores de açúcar de beterraba, enquanto subsidia a exportação desse produto.
Rodada UruguaiO Artigo 20 do Acordo Agrícola definido na Rodada Uruguai – um dos passos no caminho que leva à Rodada do Milênio – determina a
continuidade do processo de liberalização do comércio agrícola. O Brasil é um dos 15 apaíses integrantes do Grupo de Cairns, criado em 1986 quando começou a Rodada Uruguai.
O Brasil quer a extinção das barreiras alfandegárias impostas pelas nações ricas e outras como a Argentina, mas na Rodada Uruguai decidiu exigir uma redução de 49% sobre as tarifas cobradas por todos os países.
Entre esses países estão os europeus, que recebem 28% das exportações brasileiras de produtos agrícolas, e os Estados Unidos, segundo mercado da produção brasileira, recebem 18%. Países europeus e Estados Unidos têm rigorosos sistemas de barreiras alfandegárias, mas subsidiam seus agricultores até o ponto de mudarem de sistema de produção. Por exemplo, deixar de produzir leite e passar a cultivar maçã.

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