Os problemas na produção de uvas em Marialva têm se acumulado desde a safra 2013, complicando a situação dos viticultores que pretendem continuar na atividade. É uma avalanche de situações ruins, que vão desde intempéries, como geadas e chuvas, até a dificuldade no controle de doenças e na comercialização.
A engenheira agrônoma do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) em Marialva, Silvia Capelari, relata que houve casos nesta safra de perda de 100% da área com a chuva infindável. "Os quatro últimos anos têm sido bastante desafiadores. E o detalhe é que com essa chuva intensa não houve muito o que fazer. Fica complicado pulverizar as áreas e a doença (Míldio) se torna muito agressiva, causando podridão no final da safra, com uma baga contaminando a outra", explica a agrônoma.
Já tradicional, a técnica de colocar o chapéu chinês em cima dos cachos para proteger da chuva foi utilizada pelos produtores da região, mas as precipitações constantes foram impossíveis de serem controladas. "Foi um momento tão desesperador que vimos de tudo por aqui. Gente colhendo antes da hora, outros perdendo tudo e até quem saiu da atividade."
Uma técnica que poderia ter auxiliado a situação de chuvas intensas é a plasticultura, na qual todo o parreiral é coberto, o que evita a formação de lâminas d'água na folha e, consequentemente, previne doenças. O projeto Nova Uva, uma parceria da Associação Norte Paranaense de Fruticultura (Anpef), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Emater, finalizou a coleta de dados no mês de dezembro e mostrou que áreas que abraçaram a técnica tiveram boa produção e qualidade.
"Tivemos áreas de teste com dois mil metros quadrados com boa produção e ótima qualidade final das uvas. Um dos problemas é o custo de implantação, de R$ 9 a R$ 10 o metro quadrado. Sem dúvida, é uma técnica viável."
O viticultor Odiney dos Santos, que trabalha há três décadas com o cultivo, fez um teste com plasticultura numa área de mil metros quadrados. Comparando com a área descoberta, a diferença foi significativa. "No espaço que estava sem o plástico, fiz 25 aplicações de fungicida em 20 dias, e ainda perdi 80%. Na área com o plástico, não perdi nada e fiz menos de dez aplicações."
Na área total, de 11 mil metros quadrados, o produtor colheu em dezembro 20 toneladas de uva, quando o esperado para a safra era de 30 toneladas. Houve quebra de 33%. "Para a safrinha, que vou começar a colher no início de maio, já estou prevendo quebra de 40% por causa da chuva", calcula.
Para o futuro, ele acredita que a plasticultura é a solução, mas ele ainda não vê boa vontade das empresas e dos governantes para que a técnica seja implantada na cidade. "Eu vejo que não há muito interesse das empresas porque isso pode significar uma venda menor de fungicidas. Mas vamos continuar trabalhando para implantá-la em pelo menos metade da minha área", finaliza.

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