Plástico para as uvas italianas
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de janeiro de 1997
Elvira Fantin Sucursal de Curitiba 
ProteçãoParreira protegida sob tela agrícola, na Itália: maior produtividade
A tela agrícola pode ser utilizada também em horticultura
Colheita em parreira sob estufa, numa propriedade italiana
Uma empresa do Paraná está exportando 200 toneladas de plástico por ano para um grupo de produtores de uvas do Sul da Itália. O plástico é usado na proteção do parreiral, permitindo uma produtividade muito superior em comparação aos plantios sem cobertura. O produto exportado foi batizado de tela agrícola e é fabricado pela Plásticos do Paraná Ltda, uma empresa sediada em Curitiba que atua há 30 anos no ramo, tendo como carro-chefe a produção de sacaria plástica para defensivos agrícolas e açúcar.
A tela agrícola é diferente do filme de polietileno, usado tradicionalmente pelos produtores brasileiros que empregam a plasticultura nos seus cultivos, explica Luiz Hernani Scharf Júnior, gerente comercial da empresa. Ele diz que a tela é trançada e, por isso, é muito mais resistente que o filme de polietileno.
ResistênciaDe acordo com Scharf Júnior, a tela resiste três vezes mais que o filme. Não rasga e aguenta ventos muito fortes. Na Espanha, onde os ventos chegam a 120 quilômetros por hora, este mesmo tipo de plástico é utilizado nas estufas para a produção de hortigranjeiros, conta o gerente comercial da empresa.
O metro quadrado da tela agrícola custa R$ 1,40, enquanto o filme de polietileno custa R$ 0,60. Apesar disso, a tela dura três anos, enquanto o filme tem que ser trocado a cada safra. Outra vantagem é que a tela agrícola sozinha protege o parreiral contra vento, geada e sol forte, ao passo que o filme de polietileno tem que ser complementado com o sombrite, que custa entre R$ 1,40 e R$ 1,60 o metro quadrado. Com isso, segundo Scharf Júnior, a tela agrícola acaba custando menos que o tradicional filme de polietileno.
O primeiro produtor italiano que adquiriu a tela agrícola foi Nicola Borracci, de Rutigliano, cidade que fica no Sul da Itália. Borracci já comprava sacarias plásticas da empresa paranaense e encomendou a tela para proteger o parreiral. Em seguida outros viticultores da região adquiriram o produto.
Depois de exportar a tela agrícola para a Itália, a Plásticos do Paraná quer conquistar o mercado brasileiro e já começa a investir na difusão da tecnologia. Em outubro último, a empresa levou o extensionista da Emater de Marialva, José Odair Mazia, para conhecer o trabalho desenvolvido pelos italianos.
Na região visitada, 4 mil produtores plantam 40 mil hectares de uva e colhem, em média, 60 toneladas por hectare. No Brasil, a produtividade não passa de 18 toneladas por hectare. A produtividade, quase quatro vezes superior, não se deve apenas à proteção da tela agrícola, mas também ao plantio adensado, onde um número maior de pés é plantado por área. Apesar disso, a proteção da tela é fundamental para garantir cachos de uvas graúdos e uniformes.
Cada cacho de uva colhido na região chega a pesar três quilos, conta José First, gerente da área de deenvolvimento de novos produtos da Plásticos do Paraná. De acordo com ele, o plástico protege contra o sol excessivo, o vento forte, a geada e contra ataque de pragas e insetos. Por isso, os cachos saem grandes e perfeitos.
No Brasil, a empresa estima que exista um mercado potencial, para a tela agrícola, de 6 mil toneladas por ano, apenas para o plantio de uva. Queremos 10% deste mercado, afirma José First. Segundo ele, além dos viticultores, os produtores de hortigranjeiros e flores são outros clientes potenciais. Em todo o Brasil existem apenas 3,5 mil hectares de estufas plásticas, que consomem 6,5 mil toneladas de plástico. Um único município da Espanha, Almeria, tem 25 mil hectares de estufas plásticas para a produção de hortigranjeiros.


