''Plantio responsável'' não carteliza cadeia da mandioca
A campanha ''Plantio Responsável'' - ao contrário do que possa parecer -, não induz ao controle da produção para manter o mercado aquecido em função de uma oferta menor. O plantio responsável é muito mais que isto, explica o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Amido (Abam), Maurício Yamakawa, empresário do setor no Noroeste do Estado.
Segundo ele, a campanha inclui outras preocupações que vão além da questão comercial. Prevê assistência técnica ao produtor, preocupação ambiental, melhora nas relações do trabalho. São fatores importantes para a estabilidade do setor.
Comercialmente, o ''Plantio Responsável'' vai evitar as alternâncias entre anos de excesso de produção e escassez, motivada pelas oscilações de preços. O que se pretende é aproximar do equilíbrio entre oferta e procura para evitar sazonalidades - ou, então, os desestímulos decorrentes de excesso de produção após de um ano de preços remuneradores, como agora.
No momento, depois de dois anos amargando preços muito baixos, que não cobriam nem 70% dos custos de produção, os produtores de mandioca do Paraná estão recebendo os valores mais altos dos últimos anos, R$ 170,00/tonelada - em torno de US$ 42,00/t. Em dólar, porém, os melhores preços foram pagos em 1996/97 (veja gráfico).
Quando isso acontece, geralmente o ano seguinte inicia uma fase de muita expansão que acaba prejudicando o próprio agricultor, pelo excesso de oferta. A Abam quer evitar essas distorções. O aumento da oferta, estimulado pelos bons preços, se deve à entrada no setor de produtores não tradicionais.
O custo de produção, incluindo itens dos custos variáveis e fixos, fica em torno de R$ 80,00/tonelada.
As indústrias filiadas à associação acordaram em firmar contratos com os produtores pelo qual garantem um preço mínimo em torno de R$ 80,00/t para a raiz de renda 20 - que mede o teor de amido, através balança hidrostática. É um bom preço, segundo a Abam, se comparado com o preço mínimo garantido pelo governo (R$ 32,00/t) mas que cobre apenas o custo de produção.
Para Maurício Yamakawa, o preço ideal ficaria, este ano, entre R$ 100,00 e R$ 120,00/tonelada. Este valor remunera bem os produtores, sem tirar a competitividade dos derivados da mandioca em relação aos de milho - amido - e a farinha de trigo.





