Plantio norte-americano concentra-se em maio
Deve iniciar-se na próxima semana o plantio da safra 00/01 de soja nos Estados Unidos, maior produtor mundial da oleaginosa. Com isso devem aumentar, consideravelmente, as expectativas dos agentes de mercado a partir de agora, com relação ao comportamento do clima naquele país, com consequente possibilidade de haver bruscas oscilações nos preços da soja no mercado internacional.
Nesse período os preços em Chicago normalmente passam a ficar extremamente sensíveis às previsões meteorológicas para a Região Meio-Oeste dos Estados Unidos, tendo em vista a época de concentração do plantio da soja e milho.
A tabela e o gráfico ao lado identificam o período de plantio da soja e milho nos Estados Unidos para os anos safra 99/00 e para a média das safras 94/95 a 98/99.
No caso do milho o plantio começa lentamente, na primeira quinzena de abril, até atingir aproximadamente 6% em torno do dia 20 e cerca de 15% até o final do mês. Na atual safra 00/01 o plantio havia atingido 9% até o dia 16, com ligeira antecipação em relação ao observado na mesma época de anos anteriores.
A partir de maio intensificam-se os trabalhos de plantio do milho, que normalmente atingem dois terços do total até o final da primeira quinzena e cerca de 90% até o final do mês de maio.
No caso da soja, o plantio começa mais tarde e se estende até o final de junho. Na média das safras 94/95 a 98/99, a área plantada atingiu 25% até o dia 18 de maio, 61% até 2/junho, 80% até 15 de junho e 100% até o final de junho.
Mercado interno
No mercado interno os preços da soja seguem estabilizados há várias semanas, fruto das vendas escalonadas que vêm sendo realizadas pelos produtores. No Paraná, com a colheita tendo atingido 85% do total até o último dia 17, apenas 30% da safra já haviam sido comercializados.
Os preços ao produtor têm se mantido na média de R$17,20/saca, com tendência atrelada principalmente ao comportamento do clima nos Estados Unidos. Por enquanto, na atual fase de pré-plantio há falta de chuvas em importantes regiões produtoras dos Estados Unidos. Se esse cenário de déficit hídrico (principalmente na porção oeste do cinturão de soja e milho) persistir por mais algumas semanas poderemos ter o primeiro rally climático de preços em alta do ano.
Neste sentido, para quem ainda possui estoque vale a pena aguardar mais um pouco, para efetuar a comercialização. De qualquer forma, fique de olho no clima norte-americano e não se assuste com bruscas oscilações nos preços em Chicago.
TABELA - IDENTIFICAÇÃO DO PERÍODO DE PLANTIO DA SOJA E MILHO NOS ESTADOS UNIDOS, SAFRA 99/00 E MÉDIA DAS SAFRAS 94/95 A 98/99.
em percentagem acumulada
MILHO - SOJA
DATA - SAFRA 99/00 - MÉDIA SAFRAS 94/95 A 98/99 - SAFRA 99/00 - MÉDIA SAFRAS 94/95 A 98/99
ABRIL/04 - 3 - 2 - - -
13 - 4 - 3 - - -
20 - 6 - 6 - - -
27 - 10 - 15 - - -
MAIO/04 - 21 - 34 - 3 - 4 -
11 - 55 - 52 - 12 - 11 -
18 - 77 - 68 - 28 - 25 -
25 - 87 - 82 - 44 - 46 -
JUNHO/02 - 96 - 90 - 71 - 61 -
08 - 100 - 100 - 84 - 71 -
15 - - - 91 - 80 -
22 - - - 94 - 88 -
29 - - - 100 - 100 -
Fonte: USDA
José Roberto Canziani- Prof. da UFPr
E-mail: [email protected]
A L G O D Ã O
PRODUTIVIDADE REDUZ 8% NO PARANÁ
Até final da semana passada, 63% dos 51,5 mil hectares plantados com algodão no Paraná estavam efetivamente colhidos. A produção está estimada, pelo Deral, em torno de 106,7 mil toneladas de algodão em caroço, equivalentes a cerca de 37,3 mil toneladas de pluma, considerando um rendimento médio estadual de 35%.
Se a produção fechar no volume previsto no momento, irá representar uma redução de 2% na produção em relação à safra anterior, mesmo com aumento de 6,6% na área. A produtividade vai reduzir em quase 8,2%, em função da seca do segundo semestre de 1999. Na safra 98/99, pelos dados do Deral, a produtividade média paranaense foi de 364,1 arrobas por alqueire e agora deve cair para 334,3 arrobas/alqueire. Na safra passada a produtividade paranaense foi recorde estadual e a produtividade prevista para este ano se mantém acima da média. É um dos sinais palpáveis de que a cultura do algodão tem outro perfil no Paraná.
Qualidade
Segundo a Claspar, a produção paranaense de algodão em caroço na safra 98/99, foi de 100.475 toneladas colhidas em 48,351 mil hectares e produtividade média de 335,3 arrobas/alqueire. Os números da Claspar divergem dos números do Deral, que considera a produção da safra 98/99 de 109 mil toneladas de pluma e rendimento médio de 364,4 arrobas/alqueire.
Segundo relatório da Claspar a produção estadual em 98/99 apresentou tipo médio 6,39 um resultado que não está entre os melhores já alcançados pela produção paranaense. Na safra passada, o tipo médio foi 6,7 e o melhor ano foi 1984, quando o tipo médio estadual foi 5,88.
O rendimento médio da produção paranaense na safra 98/99 foi o melhor da década de 90, com 35,76% e o pior, deste período foi na safra de 1997 quando o rendimento em pluma não chegou a 32%.
Um terço da produção paranaense de algodão em pluma utilizável foi classificada como tipo 6, outros 32% se enquadraram no tipo 6/7 e no tipo 7 foram enquadrados 20,6%. Pouco menos de 10% da produção do Estado foram classificados nos melhores tipos (5 e 5/6).
Produção e beneficiamento
A produção paranaense de algodão entrou em queda livre desde a safra 90/91, quando o Estado produziu 1.024 mil toneladas do produto em caroço (segunda maior produção da história – a maior foi na safra 84/85, com 1.036 mil toneladas).
Em 1990 havia 96 usinas de beneficiamento de algodão operando no Paraná, com os dados técnicos apresentados na tabela. Na safra 98/99 restaram apenas 21 usinas, menos de um quarto das usinas existentes no início dos anos 90.
Note que o número de conjuntos em operação no Estado cresce de 1990 a 93, como possível resposta do setor à grande produção de 91 e mesmo de 92 (972,8 mil toneladas), que foi apenas 5% menor do que a de 91.
Em 1993 e 94 a produção paranaense caiu para menos de 500 mil toneladas, chegou a 529 em 95 e nos últimos 3 anos não ultrapassou 110 mil toneladas. Junto com a redução na produção, as usinas em operação foram reduzindo.
TABELA - - NÚMERO DE USINAS, CONJUNTOS, DESCAROÇADORES E SERRAS PARA BENEFICIAMENTO DE ALGODÃO EM OPERAÇÃO NO ESTADO DO PARANÁ, ÚLTIMAS 9 SAFRAS.
Safra - Nº de Usinas - Nº de Conjuntos - Nº de Descaroçadores - Nº de Serras -
89/90 - 96 - 158 - 771 - 67.074 -
90/91 - 92 - 161 - 791 - 68.724 -
91/92 - 93 - 166 - 805 - 70.254 -
92/93 - 90 - 139 - 680 59.764 -
93/94 - 74 - 99 - 532 - 46.616 -
94/95 - 95 - 111 - 545 - 47.742 -
95/96 - 77 - 89 - 435 - 38.288 -
96/97 - 39 - 47 - 228 - 20.300 -
97/98 - 35 - 58 - 283 - 25.332 -
98/99 - 21 - 35 - 168 - 14.992 -
Fonte: Claspar, Relatório Anual do Algodão, safra 98/99.
Hoje no Paraná as 21 usinas operando podem ser reduzidas a 18 empresas, das quais metade são cooperativas que, em conjunto, beneficiaram 82% dos fardos de algodão da safra 98/99.
De 1998 para 1999 o número de usinas em operação voltou a cair e é possível que este processo não tenha terminado. Que tipo de empresa vai se manter neste mercado é uma questão para observação.
Vânia Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
e-mail: [email protected]
F R A N G O
Setor almeja reduzir produção
Os frigoríficos e os criadores de aves estão querendo reduzir a oferta através da redução do crescimento da produção para este ano, a qual está estimada entre 6 a 10%. O objetivo desta redução é impedir uma maior queda nos preços recebidos pelos produtores, causada pelo excesso de oferta no mercado.
Nos últimos anos, a oferta excessiva do produto, juntamente com a instabilidade dos preços do milho, tem sido a maior responsável pelos baixos níveis de rentabilidade do setor avícola.
Os representantes do setor vêm mantendo reuniões periódicas com o intuito de haver um entendimento a ponto de fixar um volume de produção de 5,5 milhões de toneladas, dos quais 770 mil toneladas foram exportadas, mesmo volume do ano passado, mas que ficou 10,6% acima do produzido em 1998.
A tentativa de segurar a produção já ocorreu em 1997, mas sem sucesso. Isso porque os resultados dependem de uma complicada engenharia em que todos os envolvidos, produtores de matrizes, pintos de corte, granjas de terminação e, principalmente, as grandes indústrias, apoiem o plano.
Os pequenos e médios frigoríficos têm menor capacidade de suportar altos custos e baixos preços, enquanto as grandes indústrias menos disposição em desmontar ou amargar custos de grandes e complexas estruturas de produção e vendas.
Apesar dos problemas relacionados ao estabelecimento desta tentativa de controle da produção, já está havendo uma redução nos alojamentos de aves desde meados do segundo semestre do ano passado devido à pressão dos custos e pelos baixos preços recebidos.
Segundo dados da Associação dos Produtores de Pintos de Corte (Apinco), o alojamento de aves atingiu 3,1 bilhões de cabeças em 1999, o equivalente a uma média de 263 milhões ao mês. O consumo do País cresceu em média 8,3% ao ano nos últimos 9 anos, passando de 14,2 quilos por pessoa por ano, para os atuais 29 quilos.
Vamos aguardar o que acontece com a produção deste ano, para constatar se as iniciativas tomadas pelos representantes do setor proporcionaram, ou não, esta redução na oferta e a consequente recuperação dos preços.
Maurício Vaz Lobo Bittencourt - Prof. Dept. Economia da UFPR
E-mail: [email protected]
M I L H O
Vendedores retraídos
O mercado de milho vem registrando poucos negócios nos últimos dias. Há poucas ofertas vendedoras e, por outro lado, os compradores estão sendo cautelosos. O resultado é que o preço médio do milho ao produtor no Paraná subiu 10 centavos por saca esta semana, passando de R$10,55 para 10,65/sc, alta de 0,95% na semana.
A retração dos vendedores e o aumento dos preços do milho em plena safra não é fato comum de se observar. A última vez que isto aconteceu foi em 1996, quando o ritmo de venda estava ainda mais lento do que agora em 2000.
Até início desta semana, levantamento do Deral indica que 70% dos 1.543 mil hectares plantados com milho na safra de verão estavam efetivamente colhidos. Isto representa uma oferta potencial de 3.885 mil toneladas de milho, de um total de 5,55 milhões de toneladas previstas para a safra de verão no Estado.
Até agora apenas 35% da produção total esperada teriam sido comercializados pelos produtores, o que equivale, nas contas atuais, em 1.943 mil toneladas de milho. Este volume, por sua vez, corresponde à metade do que já foi colhido até agora.
Relativamente ao milho, a comercialização da soja está ainda mais lenta do que do trigo. Até início desta semana, 85% dos 2.832 mil hectares plantados com soja no Paraná estavam efetivamente colhidos, o que representa uma oferta potencial de soja no mercado de 5,95 milhões de toneladas, das quais estima-se que apenas 2,1 milhões de toneladas (ou 35%) já tenham sido comercializados pelos produtores paranaenses.
Este ano o volume de soja negociado de forma antecipada foi menor do que nos anos anteriores (o que ajuda a explicar a pequena parcela da produção negociada com a colheita chegando ao final). O outro fator é que os produtores estão esperando preços melhores daqui para frente e, a exemplo do que se observa em outros casos, parecem menos descapitalizados este ano.
As vendas de milho, apesar da retração desta semana, aceleraram em relação ao mês de março. Isto parece indicar que os produtores andaram vendendo parte do milho e segurando a soja. Mas para os dois produtos a expectativa dos produtores é de melhores preços daqui para frente e eles estão evitando vender.
Vencimento de empréstimos podem pressionar o produtor a vender uma parcela maior da produção e forçar uma queda temporária dos preços, enquanto a pressão vendedora permanecer.
Há diversos fatores que vão determinar os preços do milho e da soja daqui para frente, mas quem quer garantir boa rentabilidade com a produção faz melhor negócio vendendo escalonado.
Vânia Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
E-mail: [email protected]

mockup