A escassez de chuva dos últimos meses terá reflexos na produção de trigo paranaense. Em plena época de plantio a seca impede a semeadura e os produtores do Norte do Estado já têm como certa a redução da área e os ganhos com a cultura. Neste mês, até a última quinta-feira de manhã foram registrados 33,4 milímetros de chuva, quando a média da época é de 115 milímetros.
Desde o início do plantio, em março, foram semeados na região norte 50 mil hectares, apenas 6% do total da área prevista para esta safra. Em todo o estado, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), já foram plantados 11,6% da área prevista. Para a continuidade do plantio é necessário a ocorrência de pelo menos mais 70 milímetros de chuva no norte do estado, que compreende a área situada entre os municípios de Londrina e Cambará. Segundo o Simepar estão previstas apenas pancadas de chuvas para este fim de semana.
Antes da chuva, o plantio não é recomendado. O alerta é do pesquisador Rogério Teixeira de Faria, da área de engenharia agrícola do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). ''Se o produtor insistir vai perder a semente e os demais insumos'', diz.
No norte do estado, o período do plantio vai até o dia 10 de maio. Em Campo Mourão e Toledo, até 31 de maio; em Cascavel e Foz do Iguaçu, o produtor tem até 30 de junho; e no Centro Sul, a semeadura deve se concentrar nos meses de junho e julho.
O Paraná tem registrado redução da área de trigo nos últimos anos. A cultura tem perdido espaço para o milho safrinha. Em 2006, por exemplo, de uma previsão de 1,3 milhão de hectares foram plantados 800 mil hectares e o milho safrinha ocupou 1,3 milhão de hectares. Neste ano, a área não deve alcançar os 930 mil hectares previstos pelo Deral.
A cultura do trigo requer cerca de 300 milímetros de chuva durante todo o seu ciclo que dura em média dias. As fases da semeadura e do espigamento são as que requerem maior volume de chuva. De acordo com Rogério Faria, mesmo se houver falta no período seguinte é possível completar o ciclo com as precipitações mínimas até o espigamento.
Para quem decide semear com pouca chuva, o risco é certo. ''A semente pode até germinar, mas não tem condições de emergência'', explica Faria. Nas condições atuais, o técnico afirma que se não houver volume de chuva próximo aos 70 milímetros, o ideal é aguardar a safra de verão.
O baixo PH - peso hectolítrico - é uma das consequências da escassez de chuva em algumas fases da cultura. O PH mede a densidade do grão, o que é determinante na qualidade da farinha de trigo.
O trigo é uma cultura de risco no norte do estado, atesta o pesquisador. A região está situada numa área de transição. ''Às vezes temos invernos secos como os do estado de São Paulo e em outras ocasiões, estações mais úmidas como do sul do Paraná'', descreve.

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