Terras bem cuidadas, com práticas agrícolas viáveis são, consequentemente, terras valorizadas. Foi o que mostrou a tese de doutorado do pesquisador da Área de Socieconomia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Tiago Telles. Em sua pesquisa, ele buscou verificar qual seria o impacto da conservação do solo sobre o preço das áreas agrícolas. As práticas conservacionistas verificadas foram o plantio direto, terraços agrícolas, plantio em nível e rotação de culturas.
Telles iniciou o estudo fazendo uma análise nacional. Ele explica que ficou claro que boa parte dos estados que trabalham com o plantio direto possui terras mais valorizadas, dando destaque para a região Sul e o estado de São Paulo. "Baseado nos dados do Censo Agropecuário de 2006, ficou evidente que o plantio direto garante um preço de terras mais valorizado em comparativo a outras localidades, sobretudo onde a produção de grãos é predominante."
A explicação para essa relação está nos benefícios que o plantio direto traz ao solo, além de reduzir custos de produção e aumentar a rentabilidade dos produtores. "A técnica diminui o número de operações agrícolas e reduz o risco da atividade desenvolvida, por deixar o solo mais produtivo. Isso, obviamente, traz vantagens ao produtor, inclusive em relação ao preço das terras."
Já no Paraná, Telles aplicou um modelo econômico para verificar qual seria, de fato, o impacto do plantio direto sobre os preços de terras do Estado. Ele constatou, então, que são 10% mais valorizadas as áreas onde são adotadas práticas conservacionistas, em comparativo ao trabalho de manejo de solo tradicional. "Há áreas estaduais em que o plantio direto é mais forte, principalmente de uma faixa da região Norte até o Oeste do Paraná."
O pesquisador conclui que o plantio direto é bastante heterogêneo dentro das diferentes regiões do País. Isso acaba mostrando, segundo ele, que são necessárias políticas públicas para disseminar essa técnica. "No caso do Paraná, é um pouco diferente, já que em 2006 tínhamos quase 80% das áreas agrícolas ocupadas com lavouras temporárias utilizando o plantio direto. Aqui, temos que incentivar outras práticas conservacionistas complementares, como os terraços agrícolas, plantio em nível e rotação de culturas, que ainda podem evoluir significativamente."
Por fim, Telles diz que o produtor precisa ter claro em sua mente que se investir em práticas conservacionistas os ganhos não serão apenas na lavoura e na gestão dos custos, "mas também a certeza da valorização das terras".

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