O Rio Grande do Sul é o estado que possui maior número de produtores adeptos do sistema de plantio direto no País. A adesão ao sistema foi a saída encontrada pelos produtores para reverter a situação de degradação dos solos no Estado. Os resultados deste trabalho foram apresentados no 28º Congresso Brasileiro de Ciência do Solo, realizado em Londrina por João Mielniczuk, professor de Manejo de Solos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pesquisador do CNPq. Mielniczuk foi um dos pioneiros na área de pesquisa e extensão do plantio direto em solo gaúcho.
Resgate De acordo com o pesquisador, na década de 70 o Rio Grande do Sul adotava totalmente a queimada e 100% do preparo de solo era feito de maneira convencional. O resultado foi um índice de degradação e erosão sem precedentes. ‘‘Em 79, o Estado iniciou um projeto para reverter esta situação, através da pesquisa aplicada. Os objetivos eram parar de queimar palha; reduzir o preparo de solo, com introdução do escarificador e eliminação do arado e das grades; e introduzir o plantio das culturas de cobertura’’, lembra Mielniczuk.
Segundo ele, o projeto teve ótima aceitação pelos agricultores, que sentiam-se impotentes diante dos graves problemas resultantes da degradação do solo. ‘‘Em três anos, as queimadas de palha praticamente foram eliminadas. Em 10 anos, o preparo conservacionista atingiu praticamente 70% da lavoura do Estado, a exemplo das culturas de cobertura.’’ A redução da erosão, de acordo com Mielniczuk, foi sentida de maneira drástica.
Quando em 1990 o governo criou mais um grande projeto de plantio direto no Rio Grande, encontrou um agricultor já conscientizado da importância de um modelo agrícola conservacionista, e o Estado conseguiu então um grande salto de produtividade. ‘‘Só na soja, que tem uma área plantada de cerca de 3 milhões de hectares (ha), os índices subiram de 1,5 mil kg/ha para cerca de 2,2 mil kg/ha, média conseguida nos anos bons de clima’’, informa o professor.
Mielniczuk define esta transformação da realidade local como ‘‘muito gratificante para um Estado onde se dizia, na década de 70, que a agricultura iria desaparecer por causa da erosão’’. Atualmente, o Rio Grande do Sul tem 3,2 milhões de ha de plantio direto, área próxima ao do Paraná, onde, porém, outros 3 milhões de hectares ficam descobertos durante os meses de inverno. Por outro lado, em termos de diversidade de plantas de cobertura, o Paraná está em vantagem.
Sistema dinâmico O caminho a ser seguido pelo Rio Grande do Sul, assim como no Paraná, é o plantio direto com rotação de culturas, hoje modelo apregoado pela pesquisa. Porém o caminho não é tão simples. ‘‘Muitos ainda pensam que plantio direto é só deixar de arar e de aplicar herbicida e pronto. Mas o sistema é muito mais dinâmico’’, ressalta o pesquisador Ademir Calegari, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
Calegari explica que há inúmeros componentes intrínsecos no plantio direto, que requerem mudanças e gerenciamento constante por parte do produtor. ‘‘É mais trabalhoso, mais complexo, mas por outro lado os resultados são melhores.’’ Esta necessidade de avaliação e intervenção constante por parte do produtor faz com que o sistema nem sempre dê certo. ‘‘Mesmo no Rio Grande do Sul, muitos agricultores ainda não adotam as coberturas corretas e há necessidade de melhorias no sistema de rotação’’, diz o pesquisador.
Ele informa que o sistema é adequado a diferentes espécies, mas é preciso saber quando plantar, o que plantar, como plantar, qual cultura deverá vir antes e na sequência e saber o que o sistema de produção exige. ‘‘É uma forma inteligente de fazer agricultura, mas há a necessidade de planejamento, do pensar constante, e os produtores não estão acostumados a um sistema tão dinâmico’’, observa Ademir Calegari.

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