Plantio Direto. Porque o solo precisa continuar existindo
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sexta-feira, 07 de julho de 2006
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Tudo o que os agricultores querem é obter a máxima produtividade da terra, gastando o menos possível, certo? Para isso, não medem esforços. Investem em equipamentos de alta tecnologia, usam indiscriminadamente produtos químicos para controlar mato, pragas e doenças, escolhem espécies economicamente viáveis em detrimento de culturas melhoradoras do solo. Mal sabem eles que o sucesso da lavoura começa no solo.
Desenvolvida com o intuito de controlar a erosão e diminuir os custos de produção, garantindo sustentabilidade à atividade agrícola, a tecnologia do plantio direto, embora contabilize 32 anos de aplicação, ainda é o que há de mais moderno no campo. Engana-se também quem pensa estar diante de mais uma solução rápida para possíveis crises agrícolas. O sistema é complexo e apresenta resultados a longo prazo. ''Manter o equilíbrio do sistema produtivo é um exercício diário de paciência e perseverança, mas depois de experimentar o plantio direto em sua forma mais pura e completa o agricultor nunca mais deixará de praticá-lo porque é sucesso garantido'', diz o engenheiro agrônomo Paulo Galerani, pesquisador do setor de manejo do solo e cultura da Embrapa Soja.
Segundo ele, a base do plantio direto é o não revolvimento do solo e, para isso, requer o uso de uma plantadeira adaptada. A cobertura de palha para formação de carbono e a rotação de culturas completam a trinca de ouro do sistema. ''O plantio direto muda as características do solo. O acúmulo de matéria orgânica contribui para a diminuição da temperatura e aumento da umidade do solo, influências diretas na produtividade da lavoura'', completa Galerani.
Adotado na totalidade pelos produtores paranaenses e em grande proporção pelos gaúchos, o plantio direto enfrenta dificuldades de adaptação apenas no cerrado, região com poucas opções de culturas para a cobertura do solo no inverno. ''O milheto é o cultivo mais utilizado na região'', assinala o pesquisador da Embrapa Soja.
Para contornar esse problema, a pesquisa recomenda a integração entre a atividade agrícola e a pecuária, que prevê, como rotação de cultura, o plantio de pastagem no inverno, especialmente braquiárias.
''A integração lavoura e pecuária surge ainda como mais uma opção de diversificação para a propriedade. O agricultor que não quer ser pecuarista pode arrendar a terra no inverno. Já o pecuarista poderá dobrar sua capacidade de lotação de animais por hectare, alimentando o gado com um pasto de melhor qualidade, que resultará em mais carne ou mais leite, dependendo do tipo de pecuária praticado'', explica o agrônomo Julio Cesar Franchini, que também pesquisa manejo do solo e cultura na Embrapa Soja.


