Todas as vantagens do bom manejo de solo, como aumento de produtividade e redução do desperdício na colheita, podem ser acentuadas com a adoção do plantio direto. A afirmação é do pesquisador da área de Manejo Cultural da Embrapa Soja, Eleno Torres. Para ele, a prática conservacionista traz muito mais vantagens e pode ser ‘‘meio caminho andado’’ para a redução de perdas de solo e de fertilidade. O plantio direto tem sido mais utilizado na região Sul do Paraná. ‘‘No Norte do Estado a expansão da prática foi prejudicada pela falta de informações sobre como contornar alguns problemas que surgem devido ao solo mais pesado, característico da região’’, explica o pesquisador. Segundo Torres são dois os problemas enfrentados pelos produtores nesta região: a facilidade de compactação do solo e o clima, que degrada mais rapidamente os resíduos culturais.
Entretanto, essas dificuldades não chegam a ser empecilhos para a adoção do plantio direto. ‘‘Esses problemas podem ser contornados com o uso adequado das tecnologias, como sistemas adequados de rotação de culturas e maquinaria própria para o plantio direto’’, diz. O pesquisador estimula a adoção do plantio direto, porque a prática evita uma série de problemas que reduzem a produtividade da lavoura e também provocam perdas na colheita. O sistema recupera solos degradados, evita a erosão, preserva a fertilidade e proporciona melhor equilíbrio ao solo, o que dá melhores condições de desenvolvimento da planta, e pode atenuar perdas com veranicos e outras adversidades climáticas. ‘‘São benefícios que o plantio convencional não proporciona, mesmo com utilização de rotação de culturas’’.
Para os produtores que pretendem iniciar o sistema de plantio direto em suas lavouras, Torres faz algumas recomendações: a correção do solo, baseada em análise, e a devida aplicação de calcário são práticas fundamentais. É necessário também fazer um programa de rotação de culturas. Outro cuidado a ser tomado no sistema de semeadura direta é com as plantas daninhas, que deve ter acompanhamento da assistência técnica. O pesquisador lembra que o estágio ideal de equilíbrio do solo e, consequentemente, todos os benefícios da prática, são alcançados aproximadamente cinco anos após a implantação do sistema.
‘‘Mas, com o passar do tempo, o plantio direto traz ainda mais vantagens’’, diz. Além da conservação física e química do solo, o sistema reduz o uso de combustível e proporciona maior preservação de máquinas e equipamentos. Com o sistema consolidado, as plantas crescem mais vigorosas, tornam-se mais altas, e com maior altura de inserção de vagens. A área fica sistematizada e melhor nivelada. ‘‘Tudo isso facilita a colheita, além de outras inúmeras vantagens’’, conclui Torres.(J.S.)

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