Dorico da SilvaRefrescoO plantio direto reduz a emissão de gás carbônico e diminui o aquecimento da TerraNo primeiro Seminário Internacional do Sistema de Plantio Direto, realizado em Passo Fundo (RS), o cientista norte-americano Wayne Reeves, do Ministério de Agricultura (USDA) dos Estados Unidos, apresentou dados, mostrando que o plantio direto não tem somente vantagens para o agricultor ou para o País, mas tem efeitos ambientais positivos para todo o Planeta. Essa questão é lembrada pelo pesquisador alemão Rolf Derpsch, que no período 1977-84 trabalhou no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em Londrina.
Derpsch, um dos pioneiros na pesquisa em plantio direto no Paraná, agora trabalha no Paraguai mediante convênio de cooperação técnica entre a GTZ (órgão do governo alemão) e o Ministério da Agricultura e Pecuária paraguaio. Em artigo enviado a seu colega Ademir Calegari, pesquisador do Iapar, Derpsch lembra que, segundo Reeves, quando os agricultores praticam o plantio direto, estão contribuindo para evitar o aquecimento global. Quando, pelo contrário, o solo é preparado (arado, revolvido), o carbono se perde como CO2 na atmosfera, contribuindo para o ‘‘efeito estufa’’, ou seja, o aquecimento do Planeta.
Perda rápidaNos Estados Unidos foram feitas medições, para verificar quanto carbono se perde como CO2 na atmosfera, nos diferentes sistemas de preparação do solo. Essas medições, com sofisticados equipamentos, mostraram que o carbono do solo é perdido muito rapidamente em forma de CO2, minutos depois do solo ser preparado intensamente, e que a quantidade está diretamente relacionada à intensidade da preparação do solo.
Depois de 19 dias, as perdas totais de carbono em parcelas de trigo foram até cinco vezes maiores do que nas parcelas não preparadas. As perdas de carbono do solo foram iguais à quantidade que havia sido adicionada pelos resíduos de cultivo anterior deixados no campo.
‘‘Em outras palavras, a preparação intensiva do solo acelera a mineralização da matéria orgânica e converte resíduos de plantas em CO2 que é liberado para a atmosfera’’, diz Derpsch. Isto significa que a perda de carbono do solo (em forma de CO2) durante as operações de preparação, é o que diminui os níveis de matéria orgânica do solo.
As emissões de CO2 enriquecem a atmosfera com este elemento, contribuindo para o aquecimento do Planeta. Estima-se que a adoção generalizada do sistema conservacionista poderia compensar em até 16% as emissões mundiais provenientes de combustíveis fósseis. Estes são os maiores produtores de CO2.
ProjeçãoReeves (1995) considera três hipóteses sobre o destino do carbono do solo: adoção de prática conservacionista nos Estados Unidos até o ano 2020 - como prática conservacionista define-se todo sistema de preparação do solo que deixa mais de 30% de resíduos ou restos vegetais (restolhos) sobre a superfície depois da semeadura.
Nessa hipótese, em que os níveis de adoção da prática conservacionista no ano de 1993 (27%) são mantidos, e onde prevalece a preparação convencional, cerca de 200 milhões de toneladas de carbono se perdem na atmosfera.
Na segunda hipótese, na qual a adoção do sistema conservacionista aumentaria para 57%, pode-se observar um certo progresso em relação à primeira. Na terceira hipótese, em que a taxa de adoção do plantio direto alcançaria 76%, em preparação convencional perder-se-ia cerca da metade do carbono, comparado com a primeira hipótese.
O plantio direto contribuiria para incrementar os depósitos de carbono em cerca de 400 milhões de toneladas, o que aumentaria a fertilidade do solo (Kern y Johnson, 1993). A preparação mínima, aparentemente, não é capaz de
reter o carbono adicional no solo, mas evita uma perda líquida.
A conversão generalizada da produção agrícola de plantio convencional para conservacionista, mudaria todo o sistema de manipulação do solo, de uma fonte de carbono atmosférico a um depósito de carbono orgânico.
Quer dizer que, ao manter o carbono proveniente dos resíduos vegetais no solo, os agricultores que praticam o plantio direto contribuem para reduzir os efeitos negativos no meio ambiente, diminuindo efetivamente o efeito
estufa.
TemperaturasO efeito estufa, para o qual contribuem também outras substâncias, produzirá aumentos de temperatura de 5º no Alasca, Sibéria e Japão; de 2º a 4º C na Groenlândia e de 1º a 2º C na Europa Meridional. Por outro lado, haverá redução de temperaturas de 0 a 1º na África Ocidental, Madagáscar, Antártida e Austrália, segundo o Instituto de Meteorologia da Universidade de Frankfurt. Estas mudanças afetarão muito o clima sobre a Terra.
No caso de se duplicarem as emissões de gases que contribuem para o efeito estufa, até o ano 2030 ocorrerá um aumento médio da temperatura de 2,5ºC. Isto provocará um forte degelo do Polo Norte, que fará aumentar o nível do mar em aprximadamente 5 cm por decênio, até chegar ao ponto de inundar muitas áreas costeiras baixas, como Londres (Inglaterra). Igualmente, as mudanças de temperatura provocarão furacões e catástrofes climáticas, assim como seguidas inundações por excesso de chuva.
OzônioSegundo o professor Luiz Vicente Gentil, da Universidade de Brasília, o plantio direto ‘‘é uma necessidade imperativa dos agricultores brasileiros, pois permite aos produtores investirem em outras atividades agrícolas, aliviando financiamentos’’.
‘‘Manter o carbono acumulado na palha do solo, evita o aumento da temperatura do Planeta, impedindo que atinja a camada de ozônio’’, acrescenta o pesquisador americano Wayne Reeves. Ele observa que a palha deixada na superfície, pela rotação de culturas, reduz o escoamento das chuvas. No escoamento as chuvas levam o calcário, fertilizantes, inseticidas e outros produtos químicos aos córregos, poluindo as águas. A palha funciona como um filtro; diminui a temperatura da água, facilita a retenção dos líquidos pelo terreno e evita a evaporação.

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