A safra de verão deste ano representa as bodas de prata do plantio direto na palha na região dos Campos Gerais. Em 1976, desesperados com o avanço da erosão em suas terras, produtores de Ponta Grossa iniciaram a busca por uma solução e hoje, mais do que comemorar, eles colhem os bons resultados da técnica adotada.
Um dos pioneiros do plantio direto na região, o agricultor Manuel Henrique Pereira, mais conhecido como Nonô, conta que os problemas com a erosão na região aumentaram no início da década de 70, quando a soja passou a ser uma cultura viável economicamente. Porém, ela exigia a mecanização da atividade e o solo frágil, composto por grande quantidade de areia, não suportou o impacto de duas safras no ano, sofrendo ainda mais com a erosão.
Bons resultados Para Nonô a agricultura sem o uso do plantio direto é inviável hoje nos Campos Gerais. ''Com o plantio direto aumentamos nossa produtividade na soja de duas para três toneladas, no milho de quatro para oito toneladas e de trigo de 1,5 para 3 toneladas por hectare'', salienta.
Outros benefícios citados pelo produtor referem-se a vida útil das máquinas. ''No sistema convencional uma máquina dura dez anos. No plantio direto passa de 20 e o custo de manutenção é menor. São valores expressivos quando colocados na nossa planilha'', sustenta.
As eventuais críticas que a técnica recebe são ignoradas por seus pioneiros. ''O surgimento de pragas e de resistência de algumas ervas é natural em qualquer sistema. A natureza é um palco e todo ano ela nos reserva um espetáculo. O que assusta num ano é controlado no ano seguinte. Precisamos aprender a observar e respeitar o dinamismo da natureza'', sustenta.
Quanto ao futuro da técnica, Nonô diz que o limite do seu desenvolvimento é o limite da criatividade dos produtores. ''Na nossa região não temos mais no que avançar. Somos modelo mundial de eficiência'', diz o produtor.
Comemoração
No evento comemorativo aos 25 anos do plantio direto, realizado na última quinta-feira, no município de Palmeira (45 km ao norte de Ponta Grossa), foram homenageados 40 produtores, pesquisadores e técnicos que contribuíram para o desenvolvimento do plantio direto, entre eles o agricultor Herbert Bartz, com propriedade em Rolândia ( 25 km a oeste de Londrina) que foi pioneiro no Paraná e que iniciou suas experiências em 1972.
História
No passado, os prejuízos se acumulavam ano a ano, a ponto do Banco do Brasil exigir que fosse criada uma Associação Conservacionista, que atestasse que realmente estavam acontecendo perdas nas lavouras da região. ''A desconfiança do banco surgia porque os produtores iam pedir o seguro agrícola antes do período de colheita. Isto porque bastava uma chuva forte que a gente perdia tudo, não ficava uma semente na terra'', lembra o produtor.
Foi assim que Nonô Pereira e Franke Dijkstra, outro produtor da região, começaram a buscar alternativas. Franke conta que apesar de não acreditar num ganho já no primeiro ano do plantio direto, a nova técnica se mostrou eficiente e os resultados apareceram na produtividade, 12% maior. ''E o maior ganho foi mesmo no controle da erosão. Houve uma redução violenta'', diz Nonô.
O apoio das cooperativas que atuavam na região ofereceu aos produtores a assistência técnica e de pesquisa que eles necessitavam. Hoje a erosão na região está totalmente controlada e inclusive os pequenos produtores conseguem trabalhar nesse sistema, graças ao desenvolvimento de máquinas adaptadas à tração animal.

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