Curitiba - Implantado no Brasil há 35 anos a partir da iniciativa de agricultores paranaenses, o sistema de plantio direto na palha (SPDP) vem se espalhando pelo País, atingindo regiões que, até pouco, tinham limitada capacidade de produção. Defendido por quem o adota como um método limpo e preocupado com os impactos causados no solo e no meio ambiente, o sistema chama atenção também pelos altos índices de produtividade que proporciona. Recentemente, as últimas tendências sobre o assunto, foram discutidas por produtores e pesquisadores, durante o simpósio ''Gestão sustentável do agronegócio'', realizado em Ponta Grossa.
O agrônomo Márcio João Scaléa, gerente de desenvolvimento de mercados da Monsanto do Brasil e autor do livro ''Plantio Direto'', lançado durante o simpósio, estima que o SPDP foi aplicado em 25,5 milhões de hectares em todo o País na safra 2005/2006. Número que representa mais da metade da área total cultivada no período, que foi de 47,3 milhões de hectares.
Alguns dos precursores do SPDP, no entanto, duvidam da estimativa. ''Não existe um número preciso sobre o plantio direto. Fala-se em 25 milhões de hectares, mas não acredito que chegue a tudo isso'', afirma Franke Dijkstra, presidente da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha (Febrapdp). ''Muitos dizem que fazem plantio direto, mas na verdade não fazem rotação de culturas'', justifica Dijkstra.
A rotação é justamente um dos pilares do SPDP, já que parte do manejo do solo é feito com o aproveitamento da palhada resultante de colheitas anteriores. Esses resíduos transformam-se em nutrientes naturais, enriquecendo o solo. ''O sistema serve para atender o que a biologia do solo precisa'', resume o pesquisador José Eloir Denardin, da Embrapa Trigo, de Passo Fundo (RS).
Além de suprir essas necessidades biológicas, a rotação também serve para melhorar os aspectos físicos do terreno, conforme explica o professor Cássio Tormena, do Departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Maringá (UEM). ''A produção agrícola aproveita a porosidade do solo. Sem essa porosidade a expansão das raízes fica prejudicada'', diz. ''O condicionamento físico do solo é feito principalmente com a rotação de culturas'', acrescenta.
Tormena aponta ainda outra técnica do SPDP como benéfica para a ''saúde'' do solo. Trata-se do plantio sem o uso de máquinas, evitando-se revolver a terra para aplicar as sementes. ''As máquinas fazem pressão vertical no solo, fechando a porosidade'', explica o profesor.
Outro benefício da rotação de culturas e da manutenção da palhada, segundo os especialistas, é o aumento do poder de absorção de água pelo solo. Denardim, porém, vê necessidade de melhorias no sistema, principalmente porque, apesar da alta absorção, ainda permite a formação de enxurradas.
Produtores e pesquisadores garantem que os resultados do SPDP são enormes. Além da redução de custos, já que se economiza com fertilizantes e combustível, a produtividade é maior do que na agricultura tradicional. Em algumas propriedades, a produção de soja, por exemplo, chega a superar quatro toneladas por hectare, quase o dobro da média nacional. A proliferação de pragas e plantas daninhas também é reduzida drasticamente.
Para Denardin, o sucesso na aplicação do sistema depende de planejamento e conhecimento técnico. ''O SPDP não pode ser feito com uma capacitação antiga, ela tem que ser renovada, já que a cada safra você tem novidades'', afirma o pesquisador.

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