CuidadosO morango é suscetível a doenças e exige atenção para os tratos culturaisDentro de duas ou três semanas começa o plantio da safra de morango, que deve ser feito até a primeira quinzena de abril. A esta altura, quem pretende produzir o fruto, já deve (ou pelo menos deveria) estar com o solo preparado e iniciando o levantamento dos canteiros. Deixar para tomar estas providências às vésperas do plantio é o primeiro passo para o fracasso na atividade.
O baixo rendimento ou mesmo prejuízos na produção do morango também podem ser causados pela falta de cuidado na hora de adquirir as mudas. Escolher material de viveiros não credenciados na Secretaria da Agricultura e Abastecimento - e portanto não sujeitos a fiscalização - e sem atestado de fitossanidade, é como dar um tiro no escuro. As mudas tanto podem resultar em uma ótima produção, com frutos totalmente sadios, como podem vir infectadas por doenças e resultar num verdadeiro desastre.
Foi o que aconteceu no ano passado, quando a doença conhecida como ‘‘flor preta’’ frustrou a expectativa de lucros de muitos produtores do Norte do Estado. Na época, a assistência técnica calculou uma quebra média da safra de 60%, mas em alguns casos, o prejuízo foi total. ‘‘A muda de boa qualidade representa 50% do sucesso de quem planta, tornando a atividade economicamente viável’’, lembra o agrônomo Ely Moritz, produtor de morango há dez anos e proprietário do Viveiro Vale Verde.
Perda de tempoEly resolveu produzir mudas para a próxima safra justamente pela dificuldade de encontrar, no Estado, material com garantia fitossanitária e pureza varietal. Hoje ele mantém um viveiro de 2,4 hectares no distrito de Lerrovile (a 75 km de Londrina), de onde pretende obter dois milhões de mudas. Destas, 30 mil devem ser plantadas pela família. O restante será comercializado.
Arquivo pessoalMudas de qualidade e manejo adequado podem praticamente dobrar a produtividade
Lembrando que o Paraná produz apenas 40% do morango que consome, o agrônomo acredita que o Estado está perdendo tempo, na medida em que produz pouco e mal. Segundo Ely, uma prova de que vale a pena investir em mudas de qualidade e em manejo adequado é a produtividade já alcançada por ele e pela família, de 800 gramas por planta por safra, quando a média paranaense fica em torno de 480 gramas.
Além dos viveiros não credenciados, Ely Moritz alerta para outro perigo: o de comprar ou fazer mudas a partir das plantas que estavam em canteiros, produzindo no ano anterior. ‘‘Nesse período estas plantas sofreram ataque de pragas (insetos e ácaros) e doenças que são causadas por fungos e bactérias’’, afirma, observando que estes fatores degeneram a planta, reduzindo a sua produtividade.
O agrônomo explica como a tentativa de economizar pode pesar no bolso de quem produz: ‘‘O agricultor não considera que, para se produzir um quilo de morango, que em média é vendido por R$ 2,00, gastaria apenas R$ 0,12 para comprar duas mudas com qualidade garantida.’’ Daí, segundo ele, não é difícil explicar por que a maioria só produz a metade do que deveria.
Opção de invernoQuando bem planejada e dentro das recomendações técnicas, a cultura do morango torna-se uma boa opção de inverno para o pequeno produtor, pois praticamente não sofre os efeitos do frio e pode produzir muito em espaço reduzido (em mil metros quadrados, plantam-se 6 mil mudas). Outras vantagens: a mão-de-obra pode ser familiar e, uma vez iniciada a safra, torna-se renda diária por 4 a 5 meses.
A primeira medida a ser tomada por quem pretende plantar morango é escolher com cuidado o terreno a ser utilizado. Se ele for declinado, o plantio deve começar de baixo para cima, ou seja, no primeiro ano de plantio o produtor utiliza a parte mais baixa. No ano seguinte planta no lote de cima e assim sucessivamente, pois desta forma evita a contaminação da plantação por doenças trazidas pela água da chuva. Por ser muito suscetível ao ataque de doenças e fungos, o morango nunca deve ser plantado duas vezes seguidas no mesmo local. É preciso que se dê um intervalo de pelo menos três anos entre um plantio e outro.
Marcos BorgesEly Moritz no seu viveiro de mudas: Paraná produz pouco e mal
O segundo passo é fazer - com seis meses de antecedência - a análise do solo para correção da acidez e busca do equilíbrio entre nutrientes (principalmente cálcio, fósforo, potássio e magnésio). Ely Moritz recomenda a incorporação de matéria orgânica, como esterco de galinha ou de curral bem curtido, farelo de mamona e farinha de ossos. A cama-de-frango, por ser muito rica em nitrogênio, deve ser usada com moderação, para não provocar desequilíbrio nutricional na planta.
Menos agrotóxicoEntre os principais tratos culturais necessários à boa produção, o agrônomo recomenda a retirada das folhas velhas e doentes que aparecerem por baixo da planta. Isto deve ser feito sempre depois que as folhas estiverem secas do orvalho, e o material retirado deve ser enterrado longe dos canteiros. ‘‘Esta medida, por si só, já reduz em praticamente 50% o risco de infestação’’, lembra Ely.
Ele também alerta para os riscos no uso de defensivos. Normalmente, o morango é uma das culturas que mais consomem produtos químicos e, em plena safra - quando a colheita é feita até duas vezes por dia - o cuidado por parte do agricultor tem que ser redobrado.
‘‘Se não for possível eliminar o uso dos defensivos, a aplicção deve ser feita de maneira racional. É preciso se programar e ler com atenção as bulas dos produtos, para poder respeitar os prazos de carência’’, aconselha o agrônomo, lembrando que alguns produtores chegam a usar agrotóxico sem necessidade, simplesmente porque estão acostumados àquela prática. Vale lembrar, porém, que isto só traz desvantagens para quem consome e para quem produz, na medida em que aumenta o custo de produção e compromete a qualidade do alimento.

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