Com o início das chuvas, época ideal para plantios, a preocupação do produtor deve ser a de não errar no preparo do solo, no método de plantio, na escolha da espécie forrageira, controle de invasoras e pragas e no manejo de formação. Os alertas são do pesquisador da Embrapa Gado de Corte Armindo Kichel, de Campo Grande (MS).
O primeiro passo, segundo ele, é preparar bem o solo que vai receber a semente ou a muda. Os equipamentos a serem utilizados nesse serviço vão depender do estado da área e da forragem escolhida.
''A pastagem deve ser encarada como uma cultura que vai produzir por muitos anos, e por isso o preparo do solo deve ser igual ou melhor que o utilizado para o plantio de soja ou milho'', diz o pesquisador.
Ele explica que o terreno deve ter poucos torrões, solo nivelado, ser livre de invasoras e ter pouca palhada. Caso a área possua grande quantidade de palhada, ensina, o preparo deve ser feito no mínimo 120 dias antes do plantio para que ocorra a decomposição do material e evitar a germinação da pastagem.
Depois disso escolher a espécie e forma adequada de plantio é fundamental, alerta Kichel. ''A espécie forrageira deve ser adequada às condições de clima, solo, objetivo de uso e nível tecnológico da propriedade.''
O pecuarista, recomenda, deve comprar sementes apenas em empresas credenciadas, prestar atenção no valor cultural por quilo da semente, comprar as mais puras possíveis e fazer análise em laboratório credenciado.
Quanto às formas de plantio, aérea ou terrestre, a primeira é mais indicada para solos com alto declive, áreas amorradas e com impedimentos mecânicos. A forma terrestre pode ser manual a lanço e matraca ou mecânico a lanço, em linha, em solo preparado e plantio direto em solo não preparado.
No plantio manual a lanço, a semente deve ser incorporada com uma grade leve, parcial ou totalmente fechada, na profundidade de 5 a 6 centímetros, exceto para estilosantes ou andropógon. Em seguida passar o rolo compactador de ferro ou de pneu, com maior peso no solo arenoso; médio, no misto; e leve, no argiloso. ''Não passar o rolo em solos com excesso de umidade, pois a terra não pode grudar no rolo compactador'', ensina Armindo Kichel.
Para o plantio com semeadeira o pesquisador orienta usar espaçamento entrelinhas de 13 a 40 cm, dependendo do equipamento e espécie forrageira, com profundidade de 0,5 a 6 cm. Também pode ser realizada na mesma operação, a adubação da pastagem ou consórcio com outras espécies. Se a semeadeira não tem sistema de compactação pode-se usar o rolo compactador. A profundidade de plantio vai depender da espécie forrageira, umidade e textura do solo.
A época ideal de plantio é entre novembro e janeiro. Para o plantio direto as exigências são as mesmas observadas nos grãos: boa cobertura do solo, palhada uniforme, sem limitações químicas e físicas; sem erosão, compactação, trilheiros, cupins, tocos, invasoras não controladas por herbicidas e outros. Desseca-se a área e realiza-se o plantio direto com semeadeira apropriada. As linhas devem ser espaçadas de 13 a 40 centímetros, colocando-se 10% a 20% a mais de sementes do que o sistema tradicional.
Com o solo preparado as mudas são distribuídas e incorporadas com uma gradagem. No plantio a lanço são necessárias de 4 a 5 t de mudas por ha. Para o plantio em sulcos e covas, de 2 a 3 t/ha.
As mudas devem estar bem desenvolvidas, colhidas com cerca de 100 dias de crescimento e plantadas a seguir. Em um hectare podem ser colhidas mudas para o plantio de 10 a 40 ha. As espécies mais estabelecidas dessa forma são o capim-pangola, tanner-grass, capim-tangola, as forrageiras tifton, coast-cross e estrela e o capim-elefante.
No caso do capim-elefante devem ser usados colmos de plantas em estado vegetativo, colhidas pouco antes da floração. O espaçamento dos sulcos pode ser de 0,5 a 1,2 metro. Os plantios mais próximos tendem a produzir mais, mas espaçamentos de 0,8 a 1 metro facilitam os tratos culturais. Espaçamentos maiores facilitam o aparecimento de invasoras, pois as plantas demoram a cobrir o solo.

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