Plantio da soja deve ser antecipado
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sexta-feira, 27 de setembro de 2002
Cláudia Barberato<br> Reportagem Local 
O sojicultor terá que conviver com a ferrugem, nesta safra. A doença apareceu em 2001/02 e provocou danos em 400 mil ha no Brasil. O pesquisador da Embrapa, José Tadashi Yorinori, sugere a antecipação do plantio, a partir de 15 de outubro, como medida preventiva.
Os plantios em outubro deverão sofrer menos os efeitos da ferrugem, ''porque haverá menor quantidade de esporos do fungo da ferrugem no ar.'' O pesquisador também orienta o uso de cultivares precoces.
Ao concentrar o plantio mais cedo, explica o pesquisador, o produtor também leva vantagem no uso de fungicidas. ''Testes sobre a eficiência de fungicidas indicaram que os produtos do grupo dos triasóis e strobirulinas, usados para o controle do oídio e de outras doenças que aparecem no final do ciclo da cultura, controlam também a ferrugem.''
A redução da área também chegou a ser indicada para reduzir a infestação. As opções seriam algodão e milho. No caso do milho, aliás, este é um bom momento para diversificar, já que o mercado deve sentir falta do produto.
É importante que agricultores e técnicos identifiquem a doença ainda no início. Também devem levar em conta o fator clima. Se a safra tender para um maior volume de chuvas e altas temperaturas - o que ocorre quando há a presença do El NiÀo, como agora. Umidade e calor facilitam o aparecimento da doença.
Segundo prognóstico do Instituto Nacional de Metereologia (Inmet), o fenômeno El NiÀo deverá ter início em outubro com prováveis alterações climáticas em todo o Brasil.
Além do calor, deverão ocorrer chuvas acima do normal na região sul e irregulares para as regiões sudeste e centro-oeste.
Quebras na safra - Na safra 2001/02, a doença causou perdas aproximadas de 10% no PR, RS, MT, MS, São Paulo e Goiás. Em Chapadão do Sul (MS) um dos municípios mais prejudicados, houve quebra de até 80%, com média de 16%.
A Embrapa já fez o levantamento da doença em todo o País, testando a tolerância de 452 cultivares. Desse total, mostraram-se resistentes a BRS 134 (PR), a BRSMS Bacuri (MS), a Campos Gerais (PR), CS 201 (MG), IAC PL-1 (SP), KI-S 601 (PR) e OCEPAR 7 (Brilhante) (PR), FT-2, FT-3, FT-17 e FT2001 (PR).
''Esses materiais são importantes porque ajudarão a pesquisa a introduzir genes de resistência às cultivares que estão disponíveis e também desenvolver novos materiais'', explica Tadashi.


