Com a mecanização da agricultura paranaense, o plantio de duas culturas em um mesmo espaço, prática muito utilizada em pequenas áreas no século 20, tem ficado para trás. A falta de mão de obra e a exigência de um potencial produtivo cada vez maior tem eliminado esse tipo de consórcio. Contudo, na zona rural de Londrina ainda é possível encontrar esse tipo de consórcio.

Milho plantado em corredores de café é a união mais encontrada. Mas essa prática já não é mais recomendada, segundo avalia Ildefonso José Haas, engenheiro agrônomo do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). Ele explica que o milho abafa a planta do café que pode sofrer com perdas de produtividade. "Agora, se for pouco milho, ou seja, aquele que só será utilizado para a alimentação dos animais, até pode ser utilizado, mas ainda assim é uma prática não recomendada", frisa o especialista.

Haas observa que o uso de dois tipos de culturas em uma mesma área é eficaz na olericultura, prática estudada na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). O agrônomo observa que há muitos anos havia no Paraná muito consórcio de arroz com café, mas essa união tornou-se inviável depois que o plantio do arroz não estava mais compensando e o custo e a falta de mão de obra começaram a se elevar no Estado. "A tendência do consórcio também foi-se reduzindo também pelo aumento na mecanização das lavouras.

A união em uma mesma área de milho com pastagem é um dos únicos consorciamentos considerados realmente vantajosos, na opinião do agrônomo do Emater. Segundo Haas, esse tipo de cultivo ajuda a manter a qualidade do plantio direto e mantém o solo enriquecido com nutrientes fundamentais para o desenvolvimento das plantas. Outro benefício do método é o maior controle da buva, planta daninha que atrapalha o desenvolvimento de qualquer cultura.

INVIABILIDADE
Se no milho a inviabilidade é alta, consorciar qualquer tipo de cultura com soja é ainda mais restritivo, avalia Osmar Conte, pesquisador da Embrapa Soja. Ele observa que consorciar com soja só é viável quando a lavoura não for direcionada para fins comerciais. Conte destaca que a oleaginosa necessita de uma área só para ela. "A soja só é indicada como rotação de cultura", analisa o pesquisador.

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