Jota Oliveira
De Londrina
O bom produtor faz análise de solo, seleciona as variedades conforme a aptidão de sua propriedade, aduba (depois de conhecer as necessidades de suas terras de cultivo – nem todo solo precisa de adubo, ou não precisa todo ano) e planta de modo a garantir um bom estande da lavoura. Mesmo depois de saber se ali não será melhor plantar milho agora, para obter bom resultado na safra seguinte; fica de olho nas pragas e doenças. Tudo isso para obter o retorno do investimento na lavoura.
Ainda não saíram as recomendações oficiais específicas para a safra de soja 1999/2000, mas alguns conselhos são provados por safras anteriores. Uma das preocupações do agricultor deve ser, diz o pesquisador Antônio Garcia, da Embrapa Soja, sediada em Londrina, a escolha e o uso dos insumos. É importante ter cuidado nisso, porque insumo é caro. Os insumos que pesam mais nos custos variáveis da soja são as sementes, os fertilizantes e os herbicidas.
SementesGarcia lembra que o agricultor está usando menos sementes do que há 10-15 anos, devido à melhoria da fertilidade do solo, que tem refletido na produtividade; melhoria das semeadeiras, que usam menos sementes por área – naquela época, ao fazer os cálculos da quantidade desse insumo para a lavoura que ia semear, o agricultor pensava em até 100-110 quilogramas por hectare. Atualmente ele calcula um gasto de 50-80 kg/ha.
Garcia aconselha ao agricultor, que optar por usar menos sementes, a empregar uma semeadeira que faça distribuição uniforme do insumo no solo. Se estiver em dúvida a respeito da quantidade de sementes a semear, use
mais sementes.
O espaçamento entre linhas varia de 40 a 50 centímetros, contra 60-70 cm antes. Nesse espaçamento, se emergirem de 12 a 16 plantas, a lavoura terá um bom estande. O produtor deve estar apto para regular corretamente a semeadeira, de modo a usar menos sementes por área.
NutrientesOutro pesquisador da Embrapa Soja, Áureo Lantmann, lembra a importância dos micronutrientes, como molibdênio e cobalto, que são aplicados na inoculação das sementes, ou via foliar (até 30 dias após a emergência).
Lantmann observa que, se for plantada boa semente, o custo desses microelementos sai relativamente barato. Em solos velhos, com menos matéria orgânica, a resposta da aplicação é maior. Ele acrescenta que em algumas regiões a soja tem respondido a zinco e boro, mas o uso desses elementos tem que ser precedido de análise do solo e recomendações de agrônomos. Será melhor se, na safra anterior, o produtor mandou fazer análise foliar das plantas. Além disso, lembram os pesquisadores da Embrapa Soja que, sem análise, ‘‘não tem sentido aplicar micronutrientes’’.
Na inoculação da semente para fixação de nitrogênio, quando se usam aqueles micros, a chance de resposta é maior. O produtor deve fazer a inoculação no mínimo a cada dois anos – recomendam.
InvasorasEm qualquer caso, seja para fazer o preparo do solo, semear, adubar, ou combater pragas e doenças, o agricultor deve saber gerenciar seu negócio. Este é o ponto destacado pelo engenheiro-agrônomo Lineu Domit, difusor de tecnologia da Embrapa Soja. ‘‘O gerenciamento da propriedade é indispensável’’, diz ele. A Embrapa tem difundido essa necessidade, pois o bom gerente, aquele que conhece seu ofício e a tecnologia apropriada, pode, por exemplo, até deixar de adubar a lavoura em um ponto ou outro, sem prejuízo da produtividade.
Controlar plantas daninhas é uma das principais preocupações do lavrador. Mas, depende da invasora que está na área. Um produtor pode resolver o problema com R$15,00/ha, enquanto outro vai gastar R$100,00. ‘‘Cada um resolve o problema conforme sabe. Por isso, é importante saber usar a tecnologia’’ (questão de gerenciamento), diz Lineu Domit.
Antônio Garcia lembra que em pequenas propriedades, logo no início da infestação, é possível até se evitar o uso de herbicida: ‘‘O produtor tem que se precaver, não deixando espécies que não eram comuns em sua área’’. Ele dá o exemplo do desmódio, ou beiço-de-boi, que infesta uma propriedade, enquanto uma propriedade vizinha está limpa, porque nesta o produtor arrancou a praga com as mãos assim que ela começou a aparecer.
Os pesquisadores ressalvam que o controle da erva daninha não é feito para aumentar a renda da propriedade, ‘‘mas para o lavrador não perder’’, porque a invasora concorre em tudo com a lavoura comercial. ‘‘O produtor deve conhecer sua flora daninha, para manter a lavoura mais limpa possível’’. Comparando com o custo que vinha tendo, o produtor pode economizar, ao diminuir os gastos por unidade, ou aumentando a produtividade de sua lavoura.
FertilizantesSão o insumo mais caro e indispensável, mas seus preços já aumentaram 26%, devido principalmente às mudanças no câmbio. Os fertilizantes devem ser usados racionalmente, começando pela análise de solo. O produtor que melhor sabe conduzir sua lavoura, usa cada vez menores quantidades de fertilizantes, embora as necessidades variem com o passar do tempo. Além disso, em uma mesma propriedade, as necessidades de adubos também variam – em algumas áreas nem é preciso adubar.
Áureo Lantmann observa que o agricultor que usa a mesma fórmula de adubação há cinco anos, por exemplo, ‘‘está errando, pois cada ano as necessidades mudam’’. Ele acrescenta que, como a qualidade do fertilizante tem a ver com o custo do produto, o lavrador precisa conhecer bem a qualidade do adubo que pretende aplicar. ‘‘Por isso é bom analisar, antes de usar o fertilizante’’. No Paraná tem produtor que não aduba bem a soja, e mesmo assim obtém produção de até 64 sacas/ha. Nesse caso, ele economiza 30% no custo de produção.
‘‘O bom gerente consegue fazer isso e às vezes, pela diferença do solo, pode até deixar de adubar em alguns hectares’’, comenta Lineu Domit.
Manejo do soloQuem faz semeadura direta tem boa cobertura vegetal, que impede ou dificulta o escorrimento da água. Já quem faz plantio convencional, deve usar implementos de haste, tipo escarificador, para não revolver a terra. Esse sistema intermediário entre o plantio convencional e o direto permite manter a palhada na superfície do solo e, assim, a microfauna e a fertilidade da terra.
Porém, os pesquisadores lembram que nada funcionará bem, se o lavrador não plantar na época certa. Se errar nisso, não tem como recuperar. Assim, o agricultor tem que estar com tudo pronto, para iniciar a semeadura, que deve começar logo após a primeira chuva de fim de outubro.
Para a soja, os melhores resultados são obtidos em lavouras semeadas em novembro, ‘‘quando a maioria das variedades vão bem’’. Semear em outubro é semear no cedo, porém novembro geralmente oferece duas ou três oportunidades de plantio. ‘‘O lavrador tem que aproveitar ao máximo o tempo, deixando as máquinas preparadas’’, enfatizam.
Neste ano o produtor paranaense pode contar com 12 variedades, sete delas desenvolvidas pela Embrapa. Elas são as variedades que têm dado melhores respostas, com produtividade média de 2.050 a 2.700 sacas/ha.
Na lida com o solo, o produtor deve estar atento às pragas, especialmente o nematóide-de-galhas (Meloidogyne javanica e M. incognita). É preciso dar preferência a variedades resistentes, mas o ideal é que não se plante soja, quando o solo está infestado dessas pragas, que são comuns em ervas daninhas mas podem ser disseminadas no adubo e até no milho. Há variedades de milho que não multiplicam o nematóide, que em ano seco prolifera-se mais.
Para saber qual espécie de nematóide está presente no seu terreno, o lavrador precisa mandar fazer análise. Fica mais fácil se plantar tomate no solo suspeito de infestação. Depois, o produtor arranca o tomateiro com as raízes e manda para um labotório analisar. Conforme a raça que for encontrada, pode ser preferível fazer uma rotação de cultura, para desinfetar o solo.
Doenças e pragasA rotação de culturas é uma opção também para controle de doenças, pois essa prática diminui o risco na área. O lavrador pode utilizar cultivares resistentes a doenças foliares, cancro-da-haste, oídio e doenças de final de ciclo. Em todo caso, ele deve obter mais informações e cultivares resistentes. Existe ainda a possibilidade de controle químico, mas precisa saber se deve aplicar e quando aplicar o produto, para evitar queda no rendimento da lavoura.
Quanto às pragas, o produtor pode fazer economia a curto prazo e a médio prazo, mas usando o Manejo Integrado de Pragas (MIP), que o orientará a aplicar produto químico apenas nos casos necessários.

mockup