Plantas que recuperam e preservam
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de fevereiro de 2001
Jota Oliveira De Londrina 
A erosão nas rodovias, assim como nas áreas rurais, é causada pelo impacto da chuva no solo descoberto. Como acontece nas lavouras onde o terreno, sem nenhuma cobertura, fica exposto às intempéries, nas estradas o fenômeno é agravado pelas enxurradas que carregam a terra impedindo o trânsito e destruindo a estrada.
Prejuízo no campo e nas faixas de reserva rodoviária, que exige o mesmo tipo de solução: plantio de espécies que possam segurar o solo, como as leguminosas que cobrem e restabelecem a fertilidade das terras desprotegidas. Segundo o engenheiro Dorival Pagani Júnior, gerente de obras e Conservação Rodoviária da Empresa Concessionária de Rodovias do Norte (Econorte), a empresa tem utilizado diversas plantas, algumas ainda experimentais, que já são usadas nas lavouras comerciais, onde formam uma camanda que servirá de base para o plantio direto.
ResultadosHoje, já se vê o resultado dessa técnica nos dois lados, por exemplo, da rodovia BR-369, entre Londrina e Cambará. A mesma situação está presente na área agrícola e canteiros ao longo das pistas por onde circulam os carros.
Para as regiões quentes e áreas com declividade muito altas (cortes e aterros, grandes taludes em rodovias) a empresa utiliza um mix de sementes contendo gramíneas e leguminosas. Esse mix é aplicado de um só vez e fará com que algumas espécies mais resistentes e secas em solos pobres nasçam primeiro, proporcionando uma rápida proteção do solo.
As espécies utilizadas são: Eragrostis curvula, Brachiaria decumbens, Brachiaria rozizienses, Melinis minutiflorum, Crotalaria juncea, Calapogonium mucunoides. Para áreas planas em loteamentos e canteiros centrais e laterais de rodovias é utilizado um mix de sementes de gramíneas que tenham aspecto paisagístico (gramados de campos de futebol). Para estes casos são utilizadas as espécies Cynodon dactylon, Paspalum notatum
Segundo Pagani a falta de revestimento vegetal é ecologicamente incorreta, e pode causar grandes erosões que acabam se transformando em vossorocas. Considerando a segurança dos usuários da rodovia e até a integridade da mesma, sem a preservação as chuvas carreiam o solo entupindo canaletas, bueiros, causando inúmeros problemas, diz Pagani.
HidrossemeaduraO sistema utilizado para a recuperação destas áreas é o de Hidrossemeadura com Acetamulch, método que consiste na aplicação hidromecânica de uma massa pastosa composta por fertilizantes, sementes Acetamulch, adesivos e matéria orgânica viva, explica o técnico. O traço característico desta composição é determinado pela necessidade de correção do solo e de nutrição da vegetação a ser introduzida, considerando-se sempre uma quantidade mínima de Acetamulch, que é a garantia da proteção imediata do terreno, informa. O Acetamulch é um material obtido da trituração de várias fibras vegetais e acetato de celulose, que após a trituração assume a forma assemelhada a do algodão, e tem por objetivo fixar a semente e demais materiais. Ele é aplicado com um jato de alta pressão e esta massa é aderente colando-se na superfície do terreno.
Nos últimos três anos a Conspizza (empresa parceira da Econorte neste tipo de serviço) recuperou aproximadamente 40.000.000 metros quadrados, o que equivale, numa largura de 10 metros, a uma extensão de 4.000 km de rodovias.


