Uma equipe de três professores do Departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) desenvolveu um projeto que utiliza plantas medicinais no controle alternativo de doenças e na conservação de frutas e verduras.
Além de reduzir os custos com agrotóxicos, os extratos naturais ativam os mecanismos de defesa das culturas, tornando-as mais resistentes à ação de fungos. Além disso, combatem podridões em mudas, no campo e também no fruto pós-colhido, sem alterar o sabor.
Segundo a professora Maria Eugênia da Silva Cruz, o uso destas plantas se dá pela extração de óleos que são produzidos a partir do capim limão, citronela, palma rosa, manjericão, alfavaca, babosa, gengibre e nim. ''Extratos cítricos, feitos a partir da casca e semente da laranja também são bastante eficazes em algumas culturas'', apontou.
Os óleos foram testados em frutas como morango, banana, laranja e maçã e também em lavouras de feijão, pimentão e alface. Ainda não é possível substituir totalmente o agrotóxico pelo extrato natural, mas, de acordo com a professora, o uso de plantas medicinais reduz em até 70% a utilização do produto químico em frutos pós-colhidos.
''Os extratos naturais são destinados a pequenas propriedades e requerem apenas uma aplicação'', afirmou Maria Eugênia. Ela explica que o extrato é obtido a partir do óleo essencial da planta diluído em água e pode ser borrifado sobre os frutos em ambientes fechados para maior efeito.
Para uso direto no campo, a planta deve ser triturada e misturada com água. A combinação de plantas não incrementa o potencial protetor do extrato natural. ''O uso individual é mais eficaz'', disse a pesquisadora.
Para a professora, a procura por extratos naturais é grande e não se limita apenas aos produtores orgânicos e convencionais. ''Uma cooperativa paulista estava perdendo as cestas feitas a partir de folhas de bananeira pelo ataque de fungos. Com o uso do extrato, eles puderam controlar a doença, sem perder o produto'', comentou.
O próximo passo dos pesquisadores será utilizar plantas medicinais no combate a ervas daninhas. O projeto ainda está na fase dos testes laboratoriais. ''Nosso objetivo é melhorar as condições de trabalho dos produtores. Nós geramos a tecnologia que, por sua vez, é difundida pelos extensionistas da Emater'', concluiu Maria Eugênia.

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