Plantas que fazem a diferença
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sexta-feira, 27 de agosto de 2004
Cláudia Barberato<br>Reportagem Local 
O sistema de rotação de culturas, com uso de plantas de cobertura durante o inverno, tem possibilitado a melhoria na qualidade do solo e, consequentemente, aumento da produção, produtividade e rentabilidade a muitos agricultores do Vale do Ivaí. A afirmação é do pesquisador Ademir Calegari, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), um dos palestrantes do Dia de Campo de Inverno, realizado nos dias 12 e 13 no Centro Tecnológico Cocari (Cooperativa Agropecuária e Industrial), em Mandaguari (33 km a leste de Maringá).
O uso de plantas como nabo forrageiro, ervilhaca, tremoço, aveia, entre outras, antes das lavouras tradicionais de verão, como milho e soja, garante o pesquisador, tem possibilitado agregar um diferencial nos resultados finais dessas culturas comerciais. O benefício se estende, lembra o pesquisador, também para as culturas comerciais de inverno já que aumenta o potencial nutricional do solo. Além de maior produtividade o pesquisador costuma dizer que o agricultor está investindo no solo a longo prazo; trazendo de volta ou repondo nutrientes que foram tirados durante anos.
O bom resultado do sistema pode ser verificado no próprio Centro Tecnológico da Cocari. O local é usado para experimentos e demonstração de resultados da aplicação de tecnologias como a do sistema de rotação. Segundo o agrônomo Eduardo Antonio Rodrigues Vicente, responsável pelo Centro, nas áreas onde todo o sistema foi implantado a produtividade chega a 8 toneladas de milho por hectare, 1,5 tonelada superior à áreas sem o sistema. O resultado com a soja alcançou até de 4,1 t por hectare, 1 t mais.
Os resultados conseguidos no Centro Tecnológico, garante o agrônomo, têm despertado o interesse não só dos associados da Cocari (cerca de 4 mil atualmente), mas de outros agricultores da região. Este ano, segundo ele, mais de mil pessoas participaram do dia de campo da cooperativa que realiza, no final de janeiro, evento semelhante mas com abordagem para culturas de verão.
O agrônomo explica que os 16 hectares do Centro Tecnológico, implantado em meados de 2002, servem como uma espécie de vitrine demonstrativa para que os agricultores tecnifiquem suas lavouras. Mas faz questão de ressaltar que o trabalho ali é feito de maneira a ser transferido, sem muitas dificuldades, para a realidade das propriedades.
O segredo, segundo ele, está no agricultor reconhecer que o cultivo de plantas de cobertura ou adubação, embora não rendam dinheiro imediato, são um investimento na qualidade do solo, ''que vai responder em produtividade ou maior resistência à doenças, seca e outras intempéries as quais a agricultura está sujeita.''
Cada vez mais o agricultor se mostra atento - reconhece Calegari -, que trabalhar com rotação de culturas e plantio direto melhoram as condições da terra, o que tem feito diminuir a resistência a novos sistemas de produção como o de rotação de culturas. Ele reconhece que a adesão ao sistema de rotação ainda é pequena, ''mas os resultados no Centro Tecnológico têm colaborado para mudar este cenário.'' Prova disso, conta o pesquisador, são os depoimentos de agricultores nos próprios dias de campo.
Calegari cita o depoimento do agricultor Stefan Stremlow que esteve no dia de campo da Cocari. Segundo ele, Stremlow adota o sistema de rotação há mais de 20 anos na sua propriedade em Bela Vista do Paraíso. ''Na última safra, por exemplo, enquanto propriedade vizinhas colheram média de 1.740 kg/ha de soja Stremlow chegou a 3.470 kg/ha.''
A idéia, segundo o pesquisador, é que o agricultor, todo o ano, divida sua propriedade e vá ocupando de 1/3 a 1/5 com plantas de cobertura, alternando as áreas de lavouras comerciais. A vantagem não é só com aumento de rentabilidade imediata, mas ao longo de períodos o sistema traz resistência às plantas que suportam mais os veranicos, por exemplo, como aconteceu no verão passado. O uso de cobertura e todo o sistema de rotação, completa o agrônomo Eduardo, também traz maior resistência a doenças e reduz custos de produção.


