As palavras do técnico agrícola da Cooperativa Nova Produtiva, de Ângulo (32 km ao norte de Maringá), Ricardo Morata, são simples e objetivas: ''A situação por aqui é desesperadora''. Não é para menos. Na melhor das hipóteses, se a chuva vier, a média de perda dos 4,5 mil hectares de soja plantados no município em terras de associados da cooperativa deve ser de 40%.
As plantas, que deviam estar com 50 cm de altura, não passam de 20 cm. Nas lavouras, em áreas que normalmente apresentariam 500 mil plantas por alqueire, há apenas 200 mil plantas por alqueire, de acordo com Morata. Há até um produtor que precisou de atendimento médico por conta do desespero com a falta de evolução de sua soja.
A evidência da falta de chuvas está em cada planta. As raízes longas evidenciam a busca pela água. As folhas fechadinhas no calor da tarde ajudam a evitar a perda de umidade.
Na cabeça do agricultor, ''um verdadeiro nó'', como diz Valentin Brunhera. Ele se questiona a todo instante se vale a pena levar adiante seus 10 alqueires de soja. A plantação carece de uma aplicação de veneno para combater a lagarta e o mato, porém Valentin acha que deve esperar que venha uma chuva antes de gastar com os defensivos. Já dona Dalva Brunhera, esposa de Valentin, tem certeza de que o gasto não vale a pena. ''Acho que devemos aplicar o veneno só depois da chuva'', opina.
Na pequena propriedade, a família Brunhera diversifica os negócios com gado e frango. Apesar do pasto ralo também por causa da falta de água, as criações é que têm garantido o sustento. ''Não fossem os bois e os frangos, eu estaria trabalhando como bóia-fria na cana-de-açúcar'', arrisca Valentin.
No comércio do município de 2,8 mil habitantes, mais desânimo. A proprietária de um mercado, Maria Eunice Gonçalves, que diz não se lembrar de estiagem tão severa na cidade, estima que a queda de seu faturamento é de 40% por conta dos prejuízos dos agricultores. ''Com isso temos que fazer ofertas para atrair o pessoal de volta. É muito triste. Em alguns lugares, como em Santa Catarina, estão sofrendo com as enchentes. Aqui, sofremos com a seca'', lamenta. (W.S.)

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