Plantas medicinais no computador
Cristina Côrtes
De Londrina
Parte do universo das plantas medicinais, uma tradição tão antiga quanto a própria civilização, foi transportado para o computador. Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa estudaram as propriedades terapêuticas de 168 espécies da flora brasileira, que são utilizadas com fins medicinais, e reuniram este material em um cd-rom.
O resultado é um guia multimídia com mais de 25 minutos de vídeos ilustrativos e 300 fotos coloridas, que ensinam desde como cultivar à utilização e preparo das espécies medicinais. O cd-rom Plantas Medicinais fornece a descrição das plantas, todas com fotografias, os aspectos toxicológicos, nomes pelos quais a planta é conhecida em outras regiões, entre outras informações.
UsoO cd Plantas Medicinais foi desenvolvido pela Agromídia com a colaboração de pesquisadores ligados à Universidade Federal de Viçosa, e organizado pela pesquisadora Débora Castellani. A Agromídia Software é uma empresa da Incubadora de Base Tecnológica da Universidade Federal de Viçosa.
Segundo Pedro Moreira, da Agromídia, o cd-rom traz também um guia de indicações de uso, que ajuda o usuário a saber quais as plantas que são utilizadas para o tratamento de mais de 200 sintomas de enfermidades. Acessando no sintoma, o programa indica as plantas que são recomendadas para aquele tratamento, além de fornecer informações sobre como preparar, utilizar e até como cultivar a espécie medicinal.
São 14 formas de utilização, todas com vídeos demonstrativos que explicam como preparar unguentos, pomadas, óleos, tinturas, etc. Na parte do cultivo, o usuário tem acesso a informações que vão desde o plantio até o manejo e armazenamento das espécies.
Os pesquisadores lembram que a utilização de plantas medicinais requer alguns critérios, como a identificação do quadro clínico apresentado, a escolha correta da planta a ser utilizada, como também a sua adequada preparação.
RecomendaçãoDe acordo com a Organização Mundial de Saúde, OMS, aproximadamente 80% da população mundial fazem uso de plantas medicinais quando buscam alívio para algum sintoma doloroso ou desagradável.
Esta utilização tem recebido incentivos da própria OMS, por fatores econômicos e sociais. As plantas medicinais avaliadas cientificamente em sua eficiência terapêutica e toxicologia, ou segurança de uso, estão aprovadas para serem utilizadas pela população nas suas necessidades básicas de saúde.
No Brasil, das cerca de 120 mil espécies vegetais existentes, acredita-se que a metade contenha alguma propriedade terapêutica, embora nem 1% destas tenha sido adequadamente estudada.
Segundo Pedro Moreira, um cuidado extremamente importante, que geralmente passa despercebido do grande público, é sobre quais as partes da planta utilizar em determinada situação. Não são raros os casos em que somente uma parte da planta é empregada para fins medicinais, sendo outras classificadas como tóxicas, explica. Ele cita como exemplo o cambará (Lantana camara L.), cujas folhas, na forma de infusão ou xarope, são utilizadas medicinalmente contra asma, tosse e coqueluche, mas nos frutos apresenta uma substância tóxica, o lantandeno, que promove a fotossensibilização.





