PLANTAS MEDICINAIS
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de maio de 2011
Rui Cépil Diniz 
l Aspectos botânicos: Planta pertencente à família das Aquifoliáceas, com altura de 03 a 08 m. Folhas verdes, brilhantes e alternas, atingindo até 10 cm. Flores esbranquiçadas e frutos redondos e avermelhados. Original do sul da América do Sul: Paraguai, Sul do Brasil, Uruguai, Litoral da Argentina e Sul da Bolívia. Cresce em terras úmidas, principalmente em regiões altas, estando atualmente ameaçada de extinção pela coleta indiscriminada. Sua floração ocorre na primavera. As coletas são feitas entre dezembro e agosto, quando amadurecem as sementes, sendo a primeira com 03 a 04 anos do plantio, alcançando o máximo em 10 a 15 anos (permitindo várias coletas ao ano). Tem vida média de até 70 anos, sendo 30 de vida produtiva.
A Argentina é o maior produtor mundial, com uma produção de 280 mil toneladas anuais, que são exportadas para diversos países e com uma área cultivada de 180 mil hectares. No Brasil é cultivada desde o sul do Paraná até o Rio Grande do sul;
l Nomes populares: Erva-mate, yerba mate, erva do Paraguai, mate, kaa (Guarani), chá dos jesuítas, congonha, chimarrão, tererê;
l Histórico: Acredita-se que não era conhecida em tempos pré-colombianos. No século XVI, foi mencionada pelos espanhóis, como tendo um efeito pernicioso, devido ao uso estimulante pelos indígenas. Foi, entretanto cultivado primeiramente pelos jesuítas, a partir de 1670, até sua expulsão em 1767, tendo então seus cultivos abandonados.
Foi muito utilizada pelos soldados paraguaios durante a guerra do Paraguai, como estimulante, permitindo-lhes passar muito tempo em batalhas, acordados e sem alimentação adequada.
Foi descrita botanicamente pela primeira vez pelo botânico Francês, Auguste C. De Saint Hilaire, em 1822, sendo a partir daí, objeto de diversos estudos, principalmente sobre seus alcalóides.
Somente na segunda metade do século XIX, iniciam-se novas plantações na Argentina, sendo seu uso difundido pelo mundo a partir de então;
l Usos terapêuticos: Tônico-estimulante, diurético, digestivo, laxante suave, antioxidante, auxiliar na redução do colesterol e em regimes de emagrecimento;
l Princípios ativos: Cafeína, teobromina, teofilina, ácido clorogênico e derivados, saponinas, taninos, ácido ursólico, óleos essenciais, rutina, trigonelina, açúcares, minerais diversos (ferro, magnésio, manganês, potássio, sódio, cálcio, etc) e algumas vitaminas (C, B1, B5, ácido nicotínico e beta-caroteno);
l Partes utilizadas: Folhas e pequenos talos das folhas;
l Formas de uso e dosagem: Pode ser consumido isolado ou em associação com outras ervas, com finalidades distintas:
l Uso interno: Infusão das folhas (chá ou chimarrão); Maceração das folhas em água fria (tererê); Tintura (1:10): 30 gotas 3X/dia;
l Tempo de uso: Sem referências na literatura consultada;
l Efeitos colaterais: Raros nas doses
habituais. Em altas doses pode levar a
insônia, nervosismo, aumento da pressão arterial, dores abdominais, náuseas e vômitos;
Casos de câncer de esôfago e de boca têm sido associados ao uso da erva-mate, principalmente quando associado ao consumo de álcool e cigarros (acredita-se que este efeito se deva a presença de benzopirenos, taninos em altas doses e à temperatura elevada de consumo);
l Interações medicamentosas: Pode diminuir os efeitos de sedativos, calmantes e anticonvulsivantes, devido a seu efeito estimulante do sistema nervoso;
l Contra-indicações: Epilepsia, insônia, nervosismo, portadores de gastrites e úlceras pépticas.
Lembramos que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.


