PLANTAS MEDICINAIS
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Rui Cépil Diniz 
Aspectos agronômicos: Planta da família Lamiaceae (Labiatae), nativa da região Mediterrânea, Sul da Europa, Norte da África e parte da Ásia Menor. Atualmente dispersa por toda a Europa, América do Norte e nas regiões de altitude da América Central e do Sul e também Oceania.
Erva perene de clima temperado a subtropical semi-árido. Geadas severas podem, eventualmente, matar as plantas. Regiões de alto índice pluviométrico e/ou alta umidade relativa do ar são impróprias para a lavanda. É uma espécie de dias longos. Nebulosidade excessiva ou temperaturas muito baixas reduzem o teor de óleo essencial e consequentemente o aroma.
Requer solos férteis, com boa drenagem, sem lençol freático muito superficial, com pH entre 5 e 6,5 (reação neutra). Bom teor de matéria orgânica também é desejável. Entretanto, altas aplicações de matéria orgânica associada à alta disponibilidade hídrica no solo, afetam negativamente o teor de óleo nas folhas.
Medianamente exigente quanto à irrigação, podendo tolerar alguns dias de seca (7 a 10 dias), desde que o solo esteja corrigido quanto à acidez. Não obstante desenvolve-se melhor com o solo próximo a capacidade de campo.
Propagação: Por sementes ou preferencialmente por estacas.
Espaçamento: fileira simples - 30 cm entre plantas X 50 cm entre linhas. Fileira dupla - 20 cm entre plantas X 20 cm entre linhas X 70 cm entre fileiras duplas. Plantio adensado - 20 cm X 50 cm. Esta opção exige maior gasto de mudas, as plantas ficam menores, o que dificulta o manejo.
Porte da planta: Pode atingir eventualmente 60 cm de altura.
Colheita: O início pode ocorrer aos 5-6 meses após o plantio no campo, com altura mínima de 30 a 40 cm. O rendimento é de 3 mil a 5 mil kg/ha/ano de folhas verdes (INTA sd); 600 a 800 kg/ha/ano de folhas secas.
Secagem: Temperatura ideal de secagem entre 40 e 50ºC;
Nomes comuns: Alfazema, lavândula, lavander (inglês), lavande (França), lavanda, espliego, alhucema, lavanda vera (Itália);
História: A lavanda é uma das plantas de maior tradição da antiguidade. Os gregos, romanos e árabes, a utilizavam como anti-séptica, daí seu nome latino lavare (lavar). Muito utilizada como erva aromática, foi plantada em diversos locais públicos na Europa antiga, a partir do século XII. William Turner, herborista inglês do século XVI, recomendava seu uso para lavar a cabeça de pessoas com distúrbios psiquiátricos. Em 1640, o médico inglês John Parkinson, considerava a lavanda como ''muito boa para dores de cabeça e para o cérebro''. Em 1746, foi incluída pela primeira vez na farmacopéia londrina.
Usos terapêuticos: Aromático, anti-séptico, anti-espasmódico, carminativo, cicatrizante, sedativo, digestivo, hipotensor, diurético, colagogo, analgésico, desodorante, refrescante, purificante, repelente de insetos.
Princípios ativos: Óleos essenciais (entre eles o linalol, geraniol, cineol, limoneno, alfa e beta-pineno, beta-cariofileno), princípios amargos, cumarina, taninos, aldeídos, cetonas, ácido ursólico, fitosteróis e flavonóides (luteolina).
Partes utilizadas: Sumidades floridas.
Formas de uso e dosagem: Não se deve ferver a planta, e se possível, deve-se utilizá-la fresca, devido à volatilidade dos óleos essenciais.
- Uso tópico: infusão (30 a 50 g/litro) para o tratamento de dermatites, psoríase, acne, queimaduras e picadas de inseto. Podendo ser utilizada para banhos, compressas, colutórios, gargarejos, instilação, nebulização e banhos vaginais. Óleos, xampus, sabonetes, géis e loções até 10%.
- Uso interno: apesar da referência encontrada na literatura quanto a seu uso interno, prefiro recomendar que este seja evitado, pela possibilidade de irritação mucosa importante, além de seu potencial efeito neurotóxico. Chá (infusão): 20 g/litro - três xícaras ao dia. Extrato fluído (1 g= 40 gotas): até 40 gotas por dia, dividido em três tomadas. Óleo essencial em forma de cápsulas de dissolução entérica: 100 mg 2x/dia ou 2 a 5 gotas por dia.
OBS: O uso interno (quando ocorrer) deve ser criterioso e sob supervisão médica, devido a seus efeitos sobre o sistema nervoso central.
Outros usos: Muito utilizada como corretora organoléptica, e principalmente como aromatizante e em perfumaria.
Tempo de uso: Evitar o uso interno prolongado.
Efeitos colaterais: Irritativo de mucosas, podendo levar a sedação e neurotoxicidade importante.
Contra-indicações: Úlceras gastro-duodenais, hematúria, gravidez e lactação.
Lembramos que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.
Fontes principais de consulta: ''Plantas aromáticas e medicinais - cultivo e utilização'' - Paulo Guilherme Ferreira Ribeiro e Rui Cépil Diniz. Londrina. IAPAR, 2008. ''Tratado de fitomedicina - bases clínicas e farmacológicas''. Dr. Jorge R. Alonso - Editora Isis. 1998. Buenos Aires - Argentina.


