PLANTAS MEDICINAIS
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de março de 2010
Rui Cépil Diniz 
Aspectos agronômicos: Planta da família Fabaceae, nativa da região sul da Ásia. Disseminada por diversos países, de climas temperados quentes. Erva anual, cultivada comercialmente em larga escala em nossa região.
Nomes populares: Soja, ervilha-oleaginosa-do-Japão, fava-da-manchúria, feijão-chinês, feijão-soja.
Histórico: A soja é uma leguminosa domesticada pelos chineses há cerca de cinco mil anos. No Brasil, o grão chegou com os primeiros imigrantes japoneses, em 1908, porém, sua expansão se deu apenas nos anos 70, com o interesse crescente das indústrias de óleo, e a demanda do mercado internacional.
O grão vem sendo utilizado em larga escala no Brasil, apenas pela indústria de alimentos, e como o principal componente proteico de rações animais.
Usos terapêuticos: Alívio dos sintomas relacionados à menopausa e climatério. Forma alternativa e natural à terapia de reposição hormonal. Reduz a propensão à osteoporose. Reduz os níveis de colesterol total e LDL (colesterol ruim), e eleva os níveis de HDL (colesterol bom). Reduz a incidência e o risco de determinados tipos de câncer, principalmente os hormônio-dependentes.
Princípios ativos: Esteróides insaponificáveis de soja (isoflavonas de soja). Marcadores: 13 a 17% de genisteína, contendo no mínimo 10 mg de isoflavonas por 100 mg de extrato.
Propriedades Farmacológicas: Os receptores estrogênicos (alfa e beta) encontram-se, sobretudo, nas células dos seus principais tecidos-alvo: sistema reprodutor, hipófise anterior e hipotálamo. Com a menopausa, ocorre uma significativa redução do estradiol. Isso provoca alterações de elasticidade dos vasos sanguíneos e degeneração progressiva dos tecidos, acarretando ondas de calor, suor excessivo, insônia e irritabilidade.
A terapia de reposição usada por mulheres na fase da menopausa, ainda é alvo de controvérsias e discussões. Enquanto alguns acreditam que os hormônios aumentam o risco de câncer, outros garantem que o tratamento é fundamental no combate aos efeitos de queda na produção de estrogênio.
As isoflavonas (principalmente a genisteína e a daidzeína) são fitoestrógenos que desempenham uma ação tanto estrogênica quanto antiestrogênica. É esta dupla ação, complexa e paradoxal, que permite ao organismo, uma regulação hormonal adequada, fazendo da soja, um alimento e um medicamento com diferentes ações terapêuticas:
■ Peri e pós-menopausa: a soja aumenta a qualidade e a quantidade de fluídos mamários, estradiol, progesterona e prolactina;
■ Prevenção de osteoporose: ajuda a reduzir a descalcificação, associado à exposição à luz solar;
■ Aterosclerose: os hormônios sexuais, como os estrógenos, modulam as respostas vasomotoras das artérias, incluindo as coronarianas;
■ Dislipemias: estudos realizados em mulheres menopausadas com dislipemias demonstraram uma redução em seus níveis de colesterol total, com redução das taxas de LDL e elevação de HDL;
■ Atividade antioxidante: a genisteína em particular, pode aumentar a produção de superóxido desmutase (SOD), um potente antioxidante, que atua contra as espécies reativas de oxigênio;
■ Doenças cardiovasculares: as isoflavonas atuam reduzindo o risco de doenças cardiovasculares por uma regulação dos níveis de colesterol total, LDL e HDL, inibição da proliferação celular, melhora da elasticidade arterial e inibição da agregação plaquetária;
■ Atividade prostática: o estrogênio e substâncias afins (incluindo as isoflavonas) diminuem a produção de testosterona e, assim, retardam o crescimento de tumores.
Partes utilizadas: Sementes (grãos).
Formas de uso e dosagem: 01 cápsula (40 mg) 02 vezes ao dia.
Obs: Somente os extratos padronizados devem ser utilizados como medicação estrogênica.
Tempo de uso: Pelo tempo que se fizer necessário.
Efeitos colaterais: Não relatados na dosagem recomendada, na literatura consultada.
Interações medicamentosas: Lembrar sempre da necessidade de precaução ao associar o produto com contraceptivos e hormônios femininos.
Contra-indicações: Contra-indicado para pessoas alérgicas a soja e derivados. Não deve ser usado por gestantes e nutrizes devido a seus efeitos estrogênicos.
Superdosagem: Não há referências na literatura consultada.
Lembramos que as informações aqui contidas terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.
Fontes principais de consulta: Fitoterapia: protocolo. Prefeitura do Município de Londrina Pr. Autarquia Municipal de Saúde - 1ªed., 2006. Rui Cépil Diniz e Sônia Hutul. Fitoterapia Magistral. um guia prático para a manipulação de fitoterápicos. Publicações Anfarmag - 2005.
RUI CÉPIL DINIZ é médico especialista em Fitomedicina e Saúde da Família, responsável pelo Programa Municipal de Fitoterapia (e-mail: fitoterapia@asms.londrina.pr.gov.br e telefone 43-3321-0652).


