PLANTAS MEDICINAIS
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de novembro de 2009
Rui Cépil Diniz 
Aspectos botânicos: Planta perene, pertencente a família das Zingiberáceas, rizomatosa ereta, com altura entre 50 até 120 centímetros (cm), rizoma tuberoso e grosso. Possui folhas lanceoladas, flores verdes com manchas avermelhadas e pedúnculos de 30 cm. Alguns talos não apresentam flores e frutificam raramente. Rizoma ramificado, de cheiro e sabor picante e agradável. Cresce em terrenos argilosos e bem drenados, até 1,5 metro de altitude.
Original da região entre a Índia e a China, foi introduzido posteriormente em quase todo o mundo. Cultivado atualmente na Índia, extremo oriente, regiões tropicais da Austrália, África, Jamaica e Indonésia, além de alguns países da América do Sul, principalmente no Brasil.
Nomes comuns: Gengibre, jenjibre, gengivre, gingibre, mangarataia, mangaratiá, ajijila (Colômbia), ajila (Equador), ginger (Ingl), gingembre (França), zenzero ou gingero (Itália).
Histórico: O uso culinário e medicinal do gengibre tem citações em Confúcio (551 a 479 a.C.). A China e a Índia (medicina ayurvédica) foram as maiores usuárias de gengibre. Um xarope de gengibre verde foi amplamente utilizado no século XV.
Antes de sua denominação atual, o gengibre foi conhecido como Amomum zerumbeth, sendo Amomum, uma alusão a sua qualidade aromática.
Foi introduzido nas Américas em 1525 pela Jamaica e a partir daí para o resto das Antilhas e posteriormente a toda a América.
Na china é muito comum se agregar o gengibre a certas preparações de ervas, para diminuir sua toxicidade ou ainda para acrescentar tonicidade ao preparado.
É atualmente uma das plantas mais utilizadas na Jamaica, tanto do ponto de vista culinário como terapêutico.
Usos terapêuticos: carminativo (contra gases), expectorante, antisséptico, orexígeno (abre o apetite), sialagogo (aumenta a salivação), digestivo, antiemético (combate os vômitos), antivertiginoso (combate tonturas), anti-inflamatório, colagogo (estimula a secreção de bile), antitussígeno, expectorante, tônico estimulante, hipoglicemiante suave, hipocolesterolemiante, antiagregante plaquetário, hipertensor (aumenta a pressão arterial), rubefasciente de uso tópico (aumenta a circulação sanguínea local).
Outros usos: Utilizado como especiaria (condimento), no tempero de carnes e outros pratos de diversas regiões (principalmente orientais), além de bebidas diversas (inclusive no nosso famoso quentão, das festas juninas). Também utilizado em perfumaria.
Princípios ativos: Óleos essenciais (monoterpenos, sesquiterpenos, álcoois sesquiterpênicos, e outros), princípios picantes, amidos, proteínas, vitaminas e sais minerais diversos.
Partes utilizadas: Rizomas (raízes) desidratadas.
Formas de uso e dosagem:
■ Uso interno: decocção a 3% (5 min de fervura e mais 15 min de infusão); extrato fluido: 10 a 15 gotas 3x/dia; extrato seco: 200 a 1000 g/dia em 3 tomadas ou uma cápsula de 1 g meia hora antes de viagens; pó encapsulado ou cristais de gengibre: até 2,5 g/dia em 3 tomadas;
■ Uso tópico: óleo essencial: 1 a 3 gotas puro ou juntamente com óleo de amêndoas sobre as áreas afetadas.
Tempo de uso: Pelo tempo que se fizer necessário.
Efeitos colaterais: Insônia no uso noturno, epigastralgia em pessoas sensíveis e em altas doses, irritação de mucosas, hipertensão arterial.
Contra-indicações: Sem contra-indicações na literatura consultada. Devido a algumas referências ao efeito emenagogo e a mutagenicidade in vitro em cepas da bactéria salmonella, recomenda-se uso criterioso e sob supervisão médica em gestantes, além de atenção em usuários portadores de hipertensão arterial.
Lembramos, que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.
Fontes principais de consulta: Tratado de fitomedicina - bases clínicas e farmacológicas. Dr. Jorge R. Alonso - Editora Isis. 1998 - Buenos Aires - Argentina. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas cultivadas. Harri Lorenzi, Francisco José de Abreu Matos - Instituto Plantarum, 2002 - Nova Odessa, SP - Brasil.
RUI CÉPIL DINIZ é médico especialista em Fitomedicina e Saúde da Família, responsável pelo Programa Municipal de Fitoterapia (e-mail: fitoterapia@asms.londrina.pr.gov.br e telefone 43-3321-0652).


