PLANTAS MEDICINAIS
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de novembro de 2009
Rui Cépil Diniz<br>Reportagem Local 
Aspectos botânicos: Planta da família das solanáceas, de ciclo anual ou bianual, nativa da América tropical, cultivada como hortaliça e condimento em todos os países tropicais e temperados. Altura média entre 30 e 90 centímetros, folhas acuminadas e alternadas, flores brancas e pequenas, que originam um fruto de cor variável, inicialmente verde e passando ao amarelo ou vermelho.
Nomes comuns: Pimenta, caiena, ají, cápsico, chile, guindilla, spanish piper, pimenta espanhola, pimenta vermelha, red pipper ou hot pepper (Ingl), páprica (Hungria), peperone (Itália), pimentão (Port).
Histórico: O conhecimento da pimenta na Europa iniciou-se por volta de 1.494, após a segunda viagem da frota de Colón as Américas, por recomendação dos nativos que a utilizavam na culinária e como planta medicinal. Foi introduzida na Hungria no século XVI, país de maior consumo de páprica.
Usos terapêuticos: Seu principal uso é nos casos de dores músculo-esqueléticas crônicas, onde os efeitos colaterais dos antiinflamatórios, hormonais ou não, fazem com que seu uso seja questionado. O uso tópico da pimenta pode ser associado aos antiinflamatórios vegetais sistêmicos, como a ''unha de gato'' (Uncaria tomentosa (Willd) D.C.) e a ''garra do diabo'' (Harpagophytum procumbens D.C.). Dores articulares, nevralgias, gota, lombalgia, dispepsia, gastrites agudas, estimulante da circulação sanguínea e da digestão, fitocosmético para a queda de cabelos.
Princípios ativos: Óleos essenciais (até 2,6%), capsaicina (0,01 a 0,22%), carotenóides, vitaminas, flavonóides, proteínas, açúcares, ácidos orgânicos. As sementes contêm óleo (10 a 15%) e uma mistura de saponinas e esteróides denominada capsicidina.
Partes utilizadas: Fruto fresco ou seco. O que se conhece por ''chile'' é a forma seca e em pó da pimenta.
Formas de uso e dosagem:
- Uso interno: Como condimento, fresco ou desidratado; infuso ou decocto a 1%: 50 a 200 ml por dia; extrato fluido: 1 a 5 ml por dia; tintura: 5 a 25 ml por dia (200 gr de frutos e 01 litro de álcool); xarope: 20 a 100 ml por dia; cápsulas: 0,3 a 1 gr de pó ao dia;
- Uso externo: Óleos e emulsões para massagens: Até 5% de extrato fluido, 1,5% de óleo-resina ou 0,25% de capsaicina; xampus e loções capilares: até 5% de extrato fluido ou 0,25% de capsaicina.
Tempo de uso: Até seis meses de uso continuado.
Efeitos colaterais: Pode causar irritação na pele, mucosas e nos olhos, com toxicidade sub-crônica e até mutagenicidade. Seu uso externo prolongado pode provocar dermatites, bolhas e até úlceras de pele. Em dosagens excessivas, pode causar taquicardia, aumento da pressão arterial e inflamações crônicas das mucosas gastro-intestinais.
Contra-indicações: As folhas da pimenta apresentam um efeito útero-estimulante. Apesar deste efeito não ter sido demonstrado com os frutos, seu uso deve ser preventivamente desaconselhado durante a gravidez. O uso deve ser cauteloso durante a amamentação, pois se desconhece se a capsaicina passa pelo leite materno.
Lembramos que as informações aqui contidas terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.
Fontes principais de consulta: ''Herbarium compêndio de fitoterapia''/ Magrid Teske; Anny Margaly M. Trentini. 4. ed. - Curitiba: Herbarium Lab. Bot. Ltda, 2001; ''Tratado de fitomedicina - bases clínicas e farmacológicas''. Dr. Jorge R. Alonso - Editora Isis. 1998 - Buenos Aires - Argentina.
RUI CÉPIL DINIZ é médico especialista em Fitomedicina e Saúde da Família, responsável pelo Programa Municipal de Fitoterapia (e-mail: [email protected] e telefone 43-3321-0652).


