PLANTAS MEDICINAIS
Principais espécies: P. coerulea, P. capsularis, P. cincinnata, P. coccínea, P. macrocarpa, P. edulis, P. incarnata, P. suberosa, etc.
Aspectos botânicos: Trepadeira arbustiva, da família passifloracea, dotado de gavinhas de fixação. Folhas alternas, verde escuras na face superior e pálidas na parte inferior, palmadas e de aspecto elíptico. Apresenta grandes flores solitárias, pedunculadas, de até 10 cm de diâmetro. O fruto é ovóide, amarelado e carnoso, de tamanho variável conforme a espécie.
Apesar de ser uma planta perene, exige renovação frequente do plantio, para melhorar a produtividade e evitar certas doenças. Floresce na primavera e inicia a frutificação no verão, podendo produzir por vários meses, com produção constante no norte do Brasil. Locais de maior umidade, favorecem o aparecimento de doenças como a verrucose, antracnose e bacteriose. Requer solos profundos, bem drenados, ricos em matéria orgânica e de textura média (areno-argilosos). Responde bem a adubação orgânica.
Propagação: Por sementes, adquiridas em casas especializadas ou conseguidas de frutos saudáveis e maduros, colhidos de várias plantas diferentes, para minimizar os problemas de incompatibilidade na lavoura. Plantadas em sacos plásticos ou tubetes, em substrato apropriado e transplantados para o campo quando estiverem com 15 a 30 cm de altura (45 a 70 dias após a semeadura), durante o período chuvoso em plantios não irrigados.
Espaçamento: 2,5 X 5m, e conduzidos em caramanchões. Exige podas de formação e de renovação.
Colheita: Pode-se colher as folhas (uso medicinal) ou os frutos, 6 a 9 meses após o plantio definitivo. A polinização artificial (manual) é indicada quando se deseja a produção de frutos. Rendimento dos frutos é variável, entre 10 e 45 ton/ha/ano.
Nomes comuns: maracujá, mburucuiá (Guarani), maracujá melão, maracujá açu, maracujá suspiro, grenadilha, maracujá mirim, passiflora vermelha de beira de rio, flor da paixão, maracujá guaçu, maracujá silvestre, sucurujá, passiflora, passionária, fleur de la passion (França), granadilla (Peru), passion flower ou maypop (Ingl.).
Histórico: Suas flores lembram os instrumentos utilizados na crucificação de Cristo, daí seu nome de flor da paixão (passion flower) em outros idiomas, e é de grande efeito ornamental. Seu uso remonta o século IX, quando era utilizada inclusive como moeda de troca. Também conhecido dos povos primitivos da América do Sul (Incas). Em 1867, os estudos de um investigador americano chamaram a atenção para a passiflora, e demonstraram seu grande potencial para a medicina como sedativo e antiespasmódico. Seu uso foi popularizado na Europa, durante a primeira grande guerra, quando foi amplamente utilizado para tratar as angústias de guerra. Em 1937, foi inscrita na farmacopéia francesa e posteriormente na maioria dos outros países europeus.
Usos terapêuticos: Sedativo, tranquilizante, ansiolítico, antiespasmódico, diurético. Utilizado em casos de cefaléia de origem nervosa, perturbações da menopausa, insônia, taquicardia, cólicas, nevralgias e asma.
Princípios ativos: Alcalóides indólicos (harmana, harmina, harmol e harmalina); flavonóides (vitexina, isovitexina, orientina, apigenina, quercitina, rutina, kaempferol); esteróis (estigmasterol, sitosterol, nonacosano); glicosídeos; álcoois; ácidos; gomas; resinas; vitaminas e taninos.
Partes utilizadas: Folhas e frutos.
Formas de uso e dosagem: infusão das folhas a 1% - 10 g de folhas em 01 litro de água; extrato seco (5 a 10:1): 100 a 200 mg até 3X/dia para ansiedade, cefaléias e outros distúrbios de fundo nervoso. 200 a 400 mg à noite para insônia; tintura (1:8 em álcool de cereais 45%): 30 gotas até 3X/dia; extrato fluido -1 g = 40 gotas- (1:1 em álcool de cereais 25%): 10 a 20 gotas 2X/dia (máximo de 1 g/dia); fruta madura ou seu suco in natura - dosagem variável, normalmente até 3 unidades/dia.
Tempo de uso: Pode ser usado por até três meses ininterruptos.
Efeitos colaterais: Raros nas doses terapêuticas. O uso de doses excessivas de folhas pode levar a intoxicação cianídrica (náuseas, vômitos, cefaléia, taquicardia, diminuição de reflexos e até convulsões e parada respiratória) e potencializar os efeitos dos inibidores da MAO (alguns anti-depressivos).
Interações: Pode potencializar os efeitos do álcool, anti-histamínicos e do sono induzido por barbitúricos, além dos efeitos analgésicos da morfina. Pode provocar um bloqueio parcial dos efeitos das anfetaminas.
Pode ser associado com valeriana e com lúpulo para insônia.
Contra-indicações: Hipotensão arterial, gravidez, lactação e crianças em geral.
Lembramos, que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.
Fontes principais de consulta: ''Fitoterapia Magistral'' - Anfarmag - Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais - 2005. ''Herbarium compêndio de fitoterapia'' - Magrid Teske; Anny Margaly Maciel Trentini. 4. ed. Curitiba. ''Tratado de fitomedicina - bases clínicas e farmacológicas''. Dr. Jorge R. Alonso - Editora Isis. 1998 - Buenos Aires - Argentina. Protocolo de fitoterapia - ASMS Londrina Pr. Site: www.cnpmf.embrapa.br.





