Aspectos botânicos: Pequena árvore ou arbusto muito ramificado, pertencente a família teacea, com altura entre um e dois metros, folhas alternas, persistentes, oblongas, pecioladas e dentadas nos 2/3 basais. Flores esbranquiçadas e fruto capsular com 2 a 3 sementes.

Original do sudeste asiático, China e Índia, sendo muito cultivado em países de clima fresco e úmido, incluindo o sul do Brasil e Argentina. A colheita deve ser iniciada após 5 a 10 anos do plantio, para que se obtenha uma boa colheita.

O que conhecemos como chá preto e chá verde são na realidade a mesma planta, porém, obtidos de formas diferentes de preparo, onde o chá verde não passa pelo processo de fermentação e é submetido a menores temperaturas, adquirindo um sabor e uma cor diferente da que normalmente utilizamos como chá preto, sendo a forma preferencial de uso no Japão.

Nomes comuns: Chá, chá verde, green tea, tea (Ingl), théier (França).

Histórico: A história do chá, remonta a antiguidade, e parece ter sido obra do acaso. Um sábio chinês, chamado Chi-nung (aprox. 2.700 a.C.), enquanto queimava pequenos galhos, notou que algumas folhas caíram na água fervente, liberando um agradável aroma, e a bebeu, encontrando nela, uma bebida rica e tonificante.

No ano de 1.600, um viajante inglês chamado Pepys, ao retornar de uma viagem ao oriente, mencionou em seu livro, o hábito de algumas pessoas daquela região de tomarem chá, e parece ter aberto as portas para o conhecimento e a importação de chá do oriente. Inicialmente utilizado apenas pela aristocracia britânica, por iniciativa da rainha Catarina de Berganza (esposa do rei Carlos II), com o passar dos anos, se tornou um hábito comum em todas as classes sociais, inicialmente nas ilhas britânicas e posteriormente por todo o mundo.

Usos terapêuticos: Diurético e tônico-estimulante, com efeito mais suave que o café, porém, mais prolongado; reduz o acúmulo de gordura no fígado e nas artérias, diminuindo ainda a taxa de gorduras no sangue (principalmente o colesterol); antioxidante, funcionando como preventivo nas doenças cardiovasculares e oncológicas (tumores em geral); antiviral; inibidor da agregação plaquetária; reduz as dores musculares pós esforços físicos; funciona ainda como digestivo e antiácido.

Princípios ativos: Bases xantínicas (cafeína e teofilina), proantocianidinas, flavonóides, óleos essenciais, taninos, ácidos fenólicos, vitaminas do complexo B e sais minerais.

Partes utilizadas: Folhas não fermentadas no chá verde. No chá preto se aproveitam as porções terminais dos talos e algumas gemas.

Formas de uso e dosagem:

Uso interno: Seu uso principal nas culturas tanto oriental como ocidental, é muito mais ritual que medicinal. O chá verde se presta a preparação de infusões a 5% - 3 a 4 xícaras/dia enquanto o chá preto é utilizado principalmente sob a forma de decocção.

A tintura se prepara a base de 5 a 15 g/dia, dividido em 3 tomadas, preferencialmente após as refeições.

Uso externo: O extrato seco se utiliza entre 5% e 10% e o glicólico a 10%, para ser aplicado em forma de cremes ou géis, principalmente em casos de celulite.

Tempo de uso: Pelo tempo que se fizer necessário.

Efeitos colaterais: Insônia no uso noturno e em altas doses, tumores de esôfago foram observados em algumas populações no oriente que fazem uso frequente (devido provavelmente às altas temperaturas de consumo), epigastralgia em pessoas sensíveis e em altas doses.

Contra-indicações: Sem contra-indicações na literatura consultada.

Lembramos, que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.

Fontes principais de consulta: ''Tratado de fitomedicina - bases clínicas e farmacológicas'', Dr. Jorge R. Alonso - Editora Isis. 1998 - Buenos Aires - Argentina.

RUI CÉPIL DINIZ é médico especialista em Fitomedicina e Saúde da Família, responsável pelo Programa Municipal de Fitoterapia (e-mail: [email protected] e telefone 43-3321-0652).

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