PLANTAS MEDICINAIS
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Rui Cépil Diniz 
✸ Aspectos botânicos: Planta da família das Araliáceas. Arbusto perene, de crescimento lento, altura de 30 a 70 centímetros (cm), com pequenas e numerosas flores e sementes de aproximadamente 1 cm. Raiz de coloração esbranquiçada, chegando a 30 cm de profundidade e 20 milímetros (mm) de diâmetro, com peso de até 200 gramas.
É original da China, Indochina, Coréia e Japão, crescendo em lugares úmidos e sombrios. A qualidade do solo é muito importante, pois o desenvolvimento da planta e sua composição estão condicionados aos fatores de cultivo. O regime de chuvas não deve ultrapassar os 1200 mm e a temperatura do solo deve manter-se constante na maior parte do ano. O ginseng coreano é considerado de melhor qualidade, devido principalmente a sua localização geográfica, entre os paralelos 36 e 38, sendo as variedades selvagens consideradas de melhor valor terapêutico. O solo deve descansar após sua utilização para o cultivo de ginseng por até dez ou quinze anos, devido a voracidade do ginseng pelas reservas minerais onde é cultivado.
Sua reprodução se faz apenas por sementes, selecionadas de plantas de aproximadamente cinco anos de vida. As suas exigências de cultivo e a escassez de variedades silvestres, fazem do ginseng um produto potencialmente caro e de fácil colocação no mercado, desde que tenha boa qualidade.
✸ Nomes comuns: Ginseng, ren shen (China).
✸ Histórico: O nome Panax ginseng, deriva do grego Pan (todo) e axos (cura), que em conjunto significa panacéia. A palavra ginseng deriva do termo chinês rensheng, que significa raiz com forma de homem. A idade do ginseng é de aproximadamente 3 milhões de anos. Durante 4000 anos, os médicos orientais vem prescrevendo o ginseng como tônico e restaurados do organismo humano, isolado ou em associação com a acupuntura. Também figura entre as antigas escrituras sagradas da Índia. Dentro da filosofia chinesa da arte da cura, o ginseng teria o poder restaurador das cinco vísceras, que regulariam o equilíbrio entre o Yin e o Yang, sendo considerada uma das plantas profiláticas, juntamente com o alho e o ginseng siberiano (eleutherococo); Chegou a Europa entre os séculos XIII e XIV, através de Marco Polo e de Luis XIV.
✸ Usos terapêuticos: Revitalizante das funções cerebrais, físicas e sexuais (estresse, fadiga, convalescenças, impotência sexual, afrodisíaco), imunoestimulante, auxilia na regulação da pressão arterial e do diabetes, cicatrizante e regenerador celular (anti-oxidante).
✸ Princípios ativos: Saponinas (proto-panaxadiol e proto-panaxatriol), glicosídeos (ginosídeos), vitamina B, B2, B12 e C), sesquiterpenos, amido, goma, mucilagens, aminoácidos, ácido fólico, ácidos graxos, ácido nicotínico, enzimas (amilase e colina), esteróides, sais minerais (ferro, cobalto, cobre, cálcio, magnésio e manganês).
✸ Partes utilizadas: Raiz, preferencialmente de plantas mais velhas (de vinte anos de idade se possível).
Formas de uso e dosagem:
✸ Uso interno: Pó: 05 a 10 g por dia; extrato: 600 mg até 3 g/dia; Decocto: 2,5 g em 100 ml de água; Tintura: 2 a 5% - 30 gotas 2X/dia; Fitocosmético: Extrato glicólico: 2 a 5%.
✸ Tempo de uso: Até seis semanas consecutivas, com períodos de descanso variáveis.
✸ Efeitos colaterais: O uso prolongado em altas doses, pode causar hipertensão arterial, insônia, euforia, nervosismo, diarréia e erupção cutânea.
✸ Contra-indicações: hipertensão arterial, gestação e doenças agudas.
Lembramos, que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.
✸ Fontes principais de consulta: Herbarium compêndio de fitoterapia/ magrid teske; Anny Margaly M. Trentini. 4ªed. - Curitiba: Herbarium Lab. Bot. Ltda, 2001. Tratado de fitomedicina - bases clínicas e farmacológicas. Dr. Jorge R. Alonso - Editora Isis. 1998. Buenos Aires - Argentina
RUI CÉPIL DINIZ é médico especialista em Fitomedicina e Saúde da Família, responsável pelo Programa Municipal de Fitoterapia (e-mail: fitoterapia@asms.londrina.pr.gov.br e telefone 43-3321-0652).


