PLANTAS MEDICINAIS
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Rui Cépil Diniz 
Quando pensamos em plantas medicinais, geralmente nos esquecemos de que muitas delas estão presentes em nosso dia a dia, sendo utilizadas de diversas formas, inclusive como alimentos.Hoje abordaremos o Alho, planta cujo uso culinário-medicinal coincide com o início da civilização, e hoje desponta como uma das plantas medicinais de maior utilidade na clínica diária, inclusive como auxiliar no combate a gripe, assunto extremamente atual
Aspectos agronômicos: Planta da família das Alliaceas, nativa da Ásia central, e atualmente distribuído praticamente por todo o mundo. Erva anual, caracterizada por crescer formando bulbos (cabeça de alho) com até 20 dentes. O talo, nasce a partir do bulbo e pode atingir até 50 centímetros (cm), com folhas lineares, dispostas em forma de roseta. Quando murcham aproximadamente 20% das plantas, os bulbos são arrancados e deixados no campo até que sequem totalmente, sendo armazenados posteriormente em locais frescos e secos.
Histórico: O uso do alho remonta à própria existência da humanidade. Três mil anos a.C. já era utilizado pelos Sumérios para prevenir epidemias e tratar parasitoses. Citado 22 vezes no papiro de Ébers (1.700 a.C.) e diversas vezes por todos os sábios da antiguidade.
Na idade média passou a ser associado a forças malignas (bruxarias) e à pobreza, sendo inclusive proibido em algumas cortes. Voltou a ser utilizado no final do século XIX, como alimento e para tratar ferimentos de guerra, gripes e disfunções diversas, mercendo inclusive ser assunto do primeiro congresso mundial do alho, realizado em 1.991.
Nomes comuns: Alho, ajo, aglio (Itália), alho hortense (Portugal), garlic (Inglaterra e EUA).
Usos terapêuticos: Condimento, alimento energizante, redutor do colesterol e do diabetes, hipotensor, anti-arrítmico, anti-agregante plaquetário, anti-séptico, anti-infeccioso (anti-viral, anti-bacteriano e anti-fúngico), anti-tumoral, desintoxicante, anti-oxidante.
Princípios ativos:
■ Compostos sulfurados: Solúveis em água (inodoros): derivados da cisteína (s-alil-cisteína, S-alil-mercaptocisteína, S-metilcisteína, gamma-glutamil-cisteína);
■ Solúveis em óleo: Alicina, compostos dialílicos, aliina, ditiinas, alhoeno;
■ Compostos não sulfurados: Alicina, saponina, polisacarídeos, mucilagens, sais de potássio, óxido de ferro, ácido salicílico, cálcio, níquel, selênio, vit. E, niacina, vit. C, tiamina;
■ Conteúdo alimentício: Em 100 gr de alho cru, encontramos: 6,1 gr de proteínas, 27,5 gr de hidratos de carbono, 0,1 gr de gorduras, 64 gr de água, 0,7 gr de fibras, 1,5 gr de cinzas e 130 calorias.
Partes utilizadas: Bulbos e folhas.
Formas de uso e dosagem:
■ Uso doméstico: Maceração: 02 ou 03 dentes de alho em uma xícara de água por dia. Alho fresco: 04 grs/dia = 3 a 4 dentes. Chá de alho - bulbos ou folhas.
Obs.: Altas temperaturas no preparo, diminuem significativamente suas atividades terapêuticas.
■ Uso interno: Cápsulas contendo até 250 mg de óleo de alho. Uma a três cápsulas ao dia; solução hidro-alcoólica à 40% (tintura de alho).
Tempo de uso: Pode ser usado pelo tempo que se fizer necessário.
Efeitos colaterais: Dores no estômago, mau hálito, anemia, reações alérgicas, dermatites de contato em pessoas sensíveis.
Interações medicamentosas: Pode potencializar o uso de anti-coagulantes, hipotensores e hipoglicemiantes.
Contra-indicações: Gravidez e lactação. Gastrites agudas e úlceras em atividade.
Lembramos, que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.
Fonte principal de consulta: Tratado de fitomedicina - bases clínicas e farmacológicas. Dr. Jorge R. Alonso - Editora Isis. 1998 - Buenos Aires - Argentina.
RUI CÉPIL DINIZ é médico especialista em Fitomedicina e Saúde da Família, responsável pelo Programa Municipal de Fitoterapia (e-mail: fitoterapia@asms.londrina.pr.gov.br e telefone 43-3321-0652).


