Quando pensamos em plantas medicinais, geralmente nos esquecemos de que muitas delas estão presentes em nosso dia a dia, sendo utilizadas de diversas formas, inclusive como alimentos.Hoje abordaremos o Alho, planta cujo uso culinário-medicinal coincide com o início da civilização, e hoje desponta como uma das plantas medicinais de maior utilidade na clínica diária, inclusive como auxiliar no combate a gripe, assunto extremamente atual


  As­pec­tos agro­nô­mi­cos: Plan­ta da fa­mí­lia das Al­lia­ceas, na­ti­va da ­Ásia cen­tral, e atual­men­te dis­tri­buí­do pra­ti­ca­men­te por to­do o mun­do. Er­va ­anual, ca­rac­te­ri­za­da por cres­cer for­man­do bul­bos (‘‘ca­be­ça de ­alho’’) com até 20 ‘‘­dentes’’. O ta­lo, nas­ce a par­tir do bul­bo e po­de atin­gir até 50 cen­tí­me­tros (cm), com fo­lhas li­nea­res, dis­pos­tas em for­ma de ro­se­ta. Quan­do mur­cham apro­xi­ma­da­men­te 20% das plan­tas, os bul­bos são ar­ran­ca­dos e dei­xa­dos no cam­po até que se­quem to­tal­men­te, sen­do ar­ma­ze­na­dos pos­te­rior­men­te em lo­cais fres­cos e se­cos.
  His­tó­ri­co: O uso do ­alho re­mon­ta à pró­pria exis­tên­cia da hu­ma­ni­da­de. ­Três mil ­anos a.C. já era uti­li­za­do pe­los Su­mé­rios pa­ra pre­ve­nir epi­de­mias e tra­tar pa­ra­si­to­ses. Ci­ta­do 22 ve­zes no pa­pi­ro de ­Ébers (1.700 a.C.) e di­ver­sas ve­zes por to­dos os sá­bios da an­ti­gui­da­de.
  Na ida­de mé­dia pas­sou a ser as­so­cia­do a for­ças ma­lig­nas (bru­xa­rias) e à po­bre­za, sen­do in­clu­si­ve proi­bi­do em al­gu­mas cor­tes. Vol­tou a ser uti­li­za­do no fi­nal do sé­cu­lo XIX, co­mo ali­men­to e pa­ra tra­tar fe­ri­men­tos de guer­ra, gri­pes e dis­fun­ções di­ver­sas, mer­cen­do in­clu­si­ve ser as­sun­to do pri­mei­ro con­gres­so mun­dial do ­alho, rea­li­za­do em 1.991.
  No­mes co­muns: ­Alho, ajo, ­aglio (Itá­lia), ­alho hor­ten­se (Por­tu­gal), gar­lic (In­gla­ter­ra e EUA).
  ­Usos te­ra­pêu­ti­cos: Con­di­men­to, ali­men­to ener­gi­zan­te, re­du­tor do co­les­te­rol e do dia­be­tes, hi­po­ten­sor, an­ti-ar­rít­mi­co, an­ti-agre­gan­te pla­que­tá­rio, an­ti-sép­ti­co, an­ti-in­fec­cio­so (an­ti-vi­ral, an­ti-bac­te­ria­no e an­ti-fún­gi­co), an­ti-tu­mo­ral, de­sin­to­xi­can­te, an­ti-oxi­dan­te.
  Prin­cí­pios ati­vos:
■ Com­pos­tos sul­fu­ra­dos: So­lú­veis em ­água (ino­do­ros): de­ri­va­dos da cis­teí­na (s-­alil-cis­teí­na, S-­alil-mer­cap­to­cis­teí­na, S-me­til­cis­teí­na, gam­ma-glu­ta­mil-cis­teí­na);
■ So­lú­veis em ­óleo: Ali­ci­na, com­pos­tos dia­lí­li­cos, alii­na, di­tii­nas, alhoe­no;
■ Com­pos­tos não sul­fu­ra­dos: Ali­ci­na, sa­po­ni­na, po­li­sa­ca­rí­deos, mu­ci­la­gens, ­sais de po­tás­sio, óxi­do de fer­ro, áci­do sa­li­cí­li­co, cál­cio, ní­quel, se­lê­nio, vit. E, nia­ci­na, vit. C, tia­mi­na;
■ Con­teú­do ali­men­tí­cio: Em 100 gr de ­alho cru, en­con­tra­mos: 6,1 gr de pro­teí­nas, 27,5 gr de hi­dra­tos de car­bo­no, 0,1 gr de gor­du­ras, 64 gr de ­água, 0,7 gr de fi­bras, 1,5 gr de cin­zas e 130 ca­lo­rias.
  Par­tes uti­li­za­das: Bul­bos e fo­lhas.
  For­mas de uso e do­sa­gem:
■ Uso do­més­ti­co: Ma­ce­ra­ção: 02 ou 03 den­tes de ­alho em uma xí­ca­ra de ­água por dia. ­Alho fres­co: 04 grs/dia = 3 a 4 den­tes. Chá de ­alho - bul­bos ou fo­lhas.
  Obs.: Al­tas tem­pe­ra­tu­ras no pre­pa­ro, di­mi­nuem sig­ni­fi­ca­ti­va­men­te ­suas ati­vi­da­des te­ra­pêu­ti­cas.
■ Uso in­ter­no: Cáp­su­las con­ten­do até 250 mg de ­óleo de ­alho. Uma a ­três cáp­su­las ao dia; so­lu­ção hi­dro-al­coó­li­ca à 40% (tin­tu­ra de ­alho).
  Tem­po de uso: Po­de ser usa­do pe­lo tem­po que se fi­zer ne­ces­sá­rio.
  Efei­tos co­la­te­rais: Do­res no es­tô­ma­go, ‘‘mau ­hálito’’, ane­mia, rea­ções alér­gi­cas, der­ma­ti­tes de con­ta­to em pes­soas sen­sí­veis.
  In­te­ra­ções me­di­ca­men­to­sas: Po­de po­ten­cia­li­zar o uso de an­ti-coa­gu­lan­tes, hi­po­ten­so­res e hi­po­gli­ce­mian­tes.
  Con­tra-in­di­ca­ções: Gra­vi­dez e lac­ta­ção. Gas­tri­tes agu­das e úl­ce­ras em ati­vi­da­de.
  Lem­bra­mos, que as in­for­ma­ções ­aqui con­ti­das, te­rão ape­nas fi­na­li­da­de in­for­ma­ti­va, não de­ven­do ser usa­das pa­ra diag­nos­ti­car, tra­tar ou pre­ve­nir qual­quer doen­ça, e mui­to me­nos subs­ti­tuir os cui­da­dos mé­di­cos ade­qua­dos.
  Fon­te prin­ci­pal de con­sul­ta: ‘‘Tra­ta­do de fi­to­me­di­ci­na - ba­ses clí­ni­cas e ­farmacológicas’’. Dr. Jor­ge R. Alon­so - Edi­to­ra ­Isis. 1998 - Bue­nos Ai­res - Ar­gen­ti­na.
  RUI CÉ­PIL DI­NIZ é mé­di­co es­pe­cia­lis­ta em Fi­to­me­di­ci­na e Saú­de da Fa­mí­lia, res­pon­sá­vel pe­lo Pro­gra­ma Mu­ni­ci­pal de Fi­to­te­ra­pia (e-­mail: fi­to­te­ra­pia@­asms.lon­dri­na.pr.gov.br e te­le­fo­ne 43-3321-0652).

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