Aspectos botânicos: Árvore de grande porte (até 90 metros), da família das mirtáceas, tronco liso, folhas perenes, lanceoladas e opostas, cobertas por glândulas oleríferas. Flores de até 4 centímetros (cm) de diâmetro, solitárias ou em pequenos grupos. Fruto em forma de cápsula de aproximadamente 3 cm.

Nativo do sul da Austrália e da Tasmânia. Introduzido posteriormente em países mediterrâneos e subtropicais. Pouco exigente em solos, tendendo a distribuir-se amplamente formando grandes populações florestais. Os principais cultivos se encontram na Espanha, sul da França, Portugal, Brasil, EUA (Califórnia) e Congo.

Nomes populares: Eucalipto, eucalyptus (Ingl. e França), eucalitto (Itália).

Histórico: Seu nome deriva do grego calyptra, cujo significado poderia ser algo como ''poço com tampa'', em alusão a seu fruto totalmente fechado, e globulus, em alusão a forma arredondada do fruto.

Os aborígenes utilizavam sua casca para o preparo de banhos e em casos de diarréias e o carvão das cascas era utilizado como anti-séptico.

A partir do século XIX sua madeira foi muito utilizada, além de seu óleo, sua sombra, e sua capacidade de drenar áreas alagadas. A produção de óleo essencial iniciou-se em 1860, na Austrália.

No século XIX foi conhecido na Espanha, Itália e Portugal como árvore da febre, por ter sido utilizado para secar áreas pantanosas onde se desenvolviam os mosquitos responsáveis pela malária.

Usos terapêuticos: Expectorante, fluidificante, antiséptico (tanto à nível respiratório, intestinal e urogenital), antigripal.

Outros usos: Algumas espécies tem adquirido importância na indústria alimentícia, papeleira, melífera, madeireira, como repelente de insetos, catalizador, perfumaria, obtenção de metanol e outros.

Princípios ativos: Óleos essenciais (cineol ou eucaliptol, mono e sesquiterpenos), flavonóides, taninos, ácidos diversos, resinas, ceras, etc.

Partes utilizadas: Folhas adultas (sem os pecíolos).

Formas de uso e dosagem:

- Uso interno: infusão das folhas (2-5%): 2 a 3 xícaras ao dia. Óleo essencial: 1 a 3 gotas 2 a 3 vezes ao dia. Extrato seco 5:1: até 01 g/dia dividido em 3 tomadas. Extrato fluído: 2 a 4 ml/dia. Supositório: 0,1 a 0,4 gr de óleo 1 a 3 vezes ao dia. Inalações: Infusão a 1% (10 g/litro) ou essência 5 a 15 gotas em 500 ml de água fervente;

- Uso externo: 30 ml de óleo essencial em 500 ml de água para aplicações locais.

Tempo de uso: Utilizar apenas por curtos períodos de tempo.

Efeitos colaterais: Em geral, nas doses recomendadas é muito bem tolerado. Em doses mais elevadas, pode levar a náuseas, vômitos, dor abdominal, diarréia, dispnéia, hematúria, e em casos mais graves até convulsões, perda de consciência, depressão respiratória e coma.

Em crianças menores de 2 anos, assim como outras plantas ricas em óleos essenciais, pode levar a um efeito paradoxal a nível respiratório (broncoespasmo), mesmo em doses adequadas. Fototoxicidade e irritação cutânea em pessoas sensíveis.

Interações medicamentosas: Evitar seu uso, associado a sedativos, analgésicos e anestésicos, pela possível potencialização de efeitos. Pode interferir também com os hipoglicemiantes.

Contra-indicações: Gravidez, lactação e crianças menores de 02 anos.

Lembramos, que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.

Fonte principal de consulta: ''Tratado de fitomedicina - bases clínicas e farmacológicas''. Dr. Jorge R. Alonso - Editora Isis. 1998 - Buenos Aires - Argentina.

RUI CÉPIL DINIZ é médico especialista em Fitomedicina e Saúde da Família, responsável pelo Programa Municipal de Fitoterapia (e-mail: [email protected] e telefone 43-3321-0652).

mockup