M. arvensis L. (M. hirsuta, M. crispa Lour.), M. aquática L. (M. sativa L.), M. villosa, M. piperita L. (M. balsâmica Willd), M. citrata Ehrn., M. gentilis L., M. rotundifolia (L.) Huds, M. spicata L. (M. viridis L.), M. suaveolans E., M. sylvestris (M. longifólia Huds)



Aspectos agronômicos: Planta da família Lamiaceae, nativa do Oriente Médio, entrou na Europa pelo Norte da África, levada pelos Árabes. Aclimatada na Europa cresce espontaneamente nos jardins domésticos. Introduzida nas Américas, é cultivada em regiões temperadas e subtropicais de clima ameno. Todas as espécies de menta sofrem hibridização entre si, formando novos quimiotipos.

Erva perene de clima temperado a subtropical. Tolera geadas moderadas. Desenvolve-se a pleno sol, em regiões de índices pluviométricos de 1300-2000 mm/ano. Prefere temperaturas entre 20º C a 25º C, ou valores acima destes, desde que não falte umidade no solo.

Os solos ideais são os com textura silte-argilosos (Shulka et al. 1998), bem drenados e fertilidade de média a alta, com bom teor de matéria orgânica. Em solos deficientes em potássio, deve-se aplicar o nutriente na forma de cloreto de potássio (Sinha & Singh, 1984). A adubação nitrogenada aumenta a produção de matéria seca e o rendimento de óleo essencial, mas há decréscimo no teor de mentol (Mitchell & Farris, 1996).

Propagação: Por rizomas ou mudas com raiz nua. Plantio de setembro a janeiro direto no campo (deve-se manter elevada a umidade relativa do solo durante o plantio).

Espaçamento: 20 a 30 cm entre plantas X 30 cm entre linhas. A densidade do plantio pode ser de 30 mil hectares (Chalchat et al., 1997).

Porte da planta: Prostrado. A altura pode atingir até 30 - 40 cm.
Colheita: 6 meses após o plantio ou quando as plantas estiverem bem desenvolvidas. O teor de mentona cai com a idade, enquanto o de mentol aumenta (Chalchat et al., 1997). Em regiões de inverno ameno, pode-se efetuar até 3 cortes por ano, mas o corte de inverno apresenta menor rendimento de óleo essencial, bem como as folhas tendem a apresentar maior concentração de nitratos (Sinha & Singh, 1984).

Observação: Pode ser hospedeira de Meloidogyne hapla (Prosdócimo & Lozano, 1998).

Nomes populares: Hortelã, mote yuyo, erva boa, hortelã pimenta (Portugal), hortelã rasteira, hortelã de tempero, menta, menta piperita, mint, peppermint (Inglaterra), toronjil de menta (Cuba).

Histórico: Planta cultivada desde a antiguidade (1.000 anos a. C.). Foi apenas no ano de 1.696, que foi classificada na Inglaterra, por um botânico, chamado Ray, que a chamou de piperita, devido ao sabor picante de sua essência.

Incorporada a farmacopéia britânica em 1.730, e figurando hoje em quase todas as farmacopéias.

São conhecidas aproximadamente 30 espécies de mentas.

Usos terapêuticos: Aromático, antiespasmódico, colerético e colagogo, carminativo, digestivo, antiemético, obstipante, vermífugo (giardíase), expectorante, antiinflamatório, antiséptico, antifúngico, analgésico tópico (principalmente de mucosas), antipruriginoso, antienxaquecoso (aplicação tópica do óleo essencial).

Princípios ativos: Concentrações variáveis, conforme a espécie em uso.

Óleos essenciais (1 a 4%): mentol, mentona, acetato de mentilo, pulejona, limoneno, cineol, etc, taninos, flavonóides, terpenos (cariofileno, bisabolol) e outros (princípios amargos, ácidos fenólicos, rosmarínico, clorogênico, cumarínico, cafeico e ferúlico, colina, cetonas, , vitaminas C e D, minerais, carotenóides, etc.).

Partes utilizadas: Folhas (antes da floração) e sumidades floridas.

Formas de uso e dosagem: Chá por infusão: 30 a 50 grs/litro de água - 03 xícaras/dia, ou para nebulzações, banhos, etc..

Formas farmacêuticas: Essência (1 a 3 gotas diversas vezes ao dia), óleo essencial (principalmente para aplicação tópica), tintura (30 g em 100 ml de álcool 70%- 3 a 4 colheres de café ao dia, diluído), extrato fluído (2 a 4 g/dia), extrato seco {(4:1) 01g/dia, repartido em 2 a 3 tomadas}, xaropes, pomadas, etc.

Outros usos: Utilizada na preparação de bebidas, chás, licores, na indústria do tabaco, cosmética e alimentícia, como aromatizante e saborizante (perfumes, loções e pastas de dente) e como corretor organoléptico.

Tempo de uso: Pelo tempo que se fizer necessário.

Efeitos colaterais: Broncoespasmo e laringoespasmo, em crianças pequenas. Irritação de pele e mucosas , insônia e irritabilidade em pessoas sensíveis. Pode induzir o aborto e reduzir o leite materno.

É importante lembrar que não se recomenda o uso de folhas jovens, pelo seu maior teor de pulejona.

Contra-indicações: Gestação e lactação; litíase biliar e crianças menores de dois anos.

Lembramos, que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.


Fontes principais de consulta: ''Plantas aromáticas e medicinais - cultivo e utilização'' - Paulo Guilherme Ferreira Ribeiro e Rui Cépil Diniz . Londrina: IAPAR, 2008. ''Tratado de fitomedicina - bases clínicas e farmacológicas'' Dr. Jorge R. Alonso - Editora Isis. 1998 - Buenos Aires - Argentina.

RUI CÉPIL DINIZ é médico especialista em Fitomedicina e Saúde da Família, responsável pelo Programa Municipal de Fitoterapia (e-mail: [email protected] e telefone 43-3321-0652).

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