PLANTAS MEDICINAIS
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Rui Cépil Diniz 
Aspectos botânicos: Planta perene, da família das Compostas, apresenta altura máxima de meio metro, talo fino e viloso, folhas ásperas, entre 7 e 20 centímetros (cm), com inflorescência solitária de aproximadamente 3 cm, esbranquiçadas ou púrpuras (dependendo da variedade), e que aparecem entre o verão e o outono.
Original da região central e sudoeste dos Estados Unidos, cresce em lugares secos e bosques. Cultivada na América do Norte, Austrália, Nova Zelândia, China e Argentina (pequena escala).
Nomes comuns: Equinácea, echinácea, coneflower (Ingl), rudbeckie (França).
Histórico: A denominação Echinacea vem do grego, em alusão a forma pontiaguda de seu receptáculo floral. É muito utilizada pelos nativos americanos, para tratar e prevenir doenças infecciosas e tumorais, assim como para picadas de cobra, além de ser considerada como um antídoto para a raiva. Foi inclusive utilizada como fumo pelos colonos para tratar cefaléias e também para a agitação em seus cavalos. Foi introduzida na Inglaterra em 1.699, utilizada em quadros gripais, sendo muito popular até o século XIX.
Recomendada pela farmacopéia americana desde o final do século XIX como imunomodulador.
Depois de considerar os elementos de 14 estudos prévios sobre o uso da equinácea, pesquisadores da Escola Farmacêutica da Universidade de Connecticut, Estados Unidos, concluíram que o consumo da planta pode atenuar as chances de desenvolver resfriado comum, em mais de 58% dos casos. O estudo, divulgado na revista científica The Lance Infectious Diseases, alega, além disso, que a equinácia auxiliaria a reduzir em até quatro dias a duração do resfriado. Prudentes, os pesquisadores afirmam que outros estudos em larga escala ainda são indispensáveis para admitir o uso da planta para prevenção e tratamento do resfriado comum.
O interesse do estudo da equinácia não é qualquer novidade, pois trata-se do fitoterápico, mais frequente na Europa e nos Estados Unidos, como preventivo para gripes e resfriados.
Um dos efeitos mais extraordinários da equinácia é a estimulação da fagocitose. Essa atividade é a responsável pela identificação e eliminação de estruturas invasoras.
Usos terapêuticos: Imunomodulador, anti-infeccioso, antisséptico e anti-inflamatório (gripes, resfriados, doenças alérgicas e autoimunes, asma, doenças de pele, corrimentos vaginais e micoses em geral).
Princípios ativos: Glicosídeos do ácido fenil-carbônico (echinaceína, echinacosídeo), resinas (ácidos oléico, linoleico, cerotínico, cafeico, chicórico e palmítico), fitosteróis, óleos essenciais, mucopolissacarídeos, traços de alcalóides pirrolizidínicos, inulina, sais minerais, açúcares, ácidos orgânicos.
Partes utilizadas: Raízes, coletadas no outono, com plantas de 3 a 4 anos de idade.
Formas de uso e dosagem: Decocção das raízes: 10 ml a cada 1 ou 2 horas em casos de gripe e febre; tintura 1:10: 30 a 40 gotas 3X/dia; extrato seco: 500 mg a 01 gr/dia em 3 tomadas diárias; pomadas cicatrizantes a 10% em lanolina.
Tempo de uso: Até 8 a 12 semanas de uso continuado.
Efeitos colaterais: Em altas doses, pode provocar salivação excessiva, náuseas, tonturas.
Contra-indicações: Gravidez, lactação, doenças debilitantes do sistema imunológico (diabetes, aids, lupus, tuberculose, leucemias, etc), portadores de doenças hepáticas.
Lembramos, que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.
Fontes principais de consulta: Tratado de fitomedicina bases clínicas e farmacológicas, Dr. Jorge R. Alonso Editora Isis. 1998 Buenos Aires Argentina.
Glossário
Decocção: cozimento de determinada planta por até 20 minutos, tampada e em fogo brando. Utilizada para ervas não aromáticas (que contém princípios ativos estáveis ao calor) e partes do vegetal mais resistentes ao calor, como cascas, raízes e algumas sementes.
Imunomodulador: que ou o que inibe ou estimula as reações imunológicas do organismo.
RUI CÉPIL DINIZ é médico especialista em Fitomedicina e Saúde da Família, responsável pelo Programa Municipal de Fitoterapia (e-mail: fitoterapia@asms.londrina.pr.gov.br e telefone 43-3321-0652).


