PLANTAS MEDICINAIS
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de dezembro de 2008
Rui Cépil Diniz 
Aspectos botânicos: Planta da família Valeranaceas, das quais se conhecem aproximadamente 200 espécies. Pode chegar a medir até 1,5 metro de altura. Sua raiz apresenta entre oito e 15 pequenas raízes divergentes, que, após desidratadas, despreendem um odor desagradável característico. As folhas dispostas entre seis e dez pares, com bordas serrilhadas e sabor extremamente amargo. Possuem pequenas flores pequenas e rosa pálidas, além de um fruto seco, com semente única ao redor de 3 mm, que pode ser carregada pelo vento. Originária da Europa e oeste Asiático, cresce em prados baixos e arenosos, em locais úmidos e sombreados, bosques, próximo de rios e riachos, em altitudes de até 2 mil metros. É cultivada em diversos países europeus, como Alemanha, Bélgica e Holanda, além do Japão e EUA.
Nomes comuns: Valeriana, valeriana-menor, valeriana-selvagem, valeriana-silvestre, erva de São Jorge, valeriana oficinal, erva dos gatos, valerian (Ingl.).
Histórico: Seu nome é derivado do latin valere, que significa estar saudável. Suas propriedades sedativas são conhecidas desde a antigüidade, figurando no livro de Dioscórides. Usada pelos espanhóis para a excitação nervosa de mulheres, principalmente. Foi uma planta venerada por Galeno, e utilizada na idade média para epilepsia. Foi utilizada inclusive como febrífugo em épocas de escassez de quinino. Durante a segunda guerra mundial, foi bastante utilizada para tratar a tensão nervosa originada pelos bombardeios e explosões. Os chineses, a tem utilizada além de sedativo, como coadjuvante nos estados gripais e reumáticos. A valeriana está incluída em praticamente todas as farmacopéias européias desde 1983.
Usos terapêuticos: Aprovado pela comissão E, da Alemanha, para nervosismo e insônia. Utilizada ainda como anti-espasmódico, hipnótico, carminativo, anti-tabagismo (seu odor confere um sabor amargo ao tabaco) e ainda como coadjuvante em doenças relacionadas ao estresse, como cefaléias tensionais, psoríase, etc. Tem sido muito utilizada portanto, como uma alternativa ao uso de sedativos sintéticos, devido a seus menores efeitos colaterais e da menor dependência no uso prolongado.
Princípios ativos: Óleos essenciais (mono e sesquiterpenos-pinenos, canfeno, borneol e ácidos valerênicos), iridóides (valepotriatos), ácidos fenólicos, flavonóides, taninos. Tem como marcador o ácido valeriânico (0,8% a 1%)
Partes utilizadas: Raízes e rizomas, de plantas com mais de dois anos de idade, especialmente no verão-outono.
Formas de uso e dosagem: Dosagem variável conforme o efeito desejado e a sensibilidade individual, sendo utilizado o extrato seco padronizado para conter 0,8% a 1% de ácido valeriânico, na dosagem de 50 a 200 mg/dose, chegando até a 400 mg uma hora antes de dormir, nos casos de insônia. Pode ainda ser utilizada sob a forma de tinturas ou chás, devendo ser, preferencialmente, macerada, utilizado água fria e deixado em repouso durante várias horas (toda a noite, por exemplo).
Tempo de uso: Evitar o uso prolongado e em altas doses, devido a sua ação sobre o Sistema Nervoso Central. Deve-se respeitar períodos de descanso em tratamentos prolongados, quando estes forem indispensáveis.
Efeitos colaterais: Seu uso em altas doses e por períodos prolongados pode levar a excitabilidade, náuseas, diarréia, cefaléia, tonturas, obstipação intestinal, bradicardia, sonolência, desaparecendo com a suspensão do tratamento.
Contra-indicações: Gravidez, lactação, doença hepática prévia e crianças (principalmente as menores de três anos). Evitar o uso concomitante de bebidas alcoólicas.
Lembramos, que as informações aqui contidas terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.
Fonte principal de consulta: Herbarium Compêndio de Fitoterapia, de Magrid Teske e Anny Margaly Maciel Trentini; Editora Curitiba. Fitoterapia Magistral, da Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag). Tratado de Fitomedicina Bases Clínicas e Farmacológicas, de Jorge R. Alonso; Editora Isis.
RUI CÉPIL DINIZ é médico especialista em Fitomedicina e Saúde da Família, responsável pelo Programa Municipal de Fitoterapia (e-mail: [email protected] e telefone 43-3321-0652).


