PLANTAS MEDICINAIS
Aspectos agronômicos: Planta da família Borraginaceae, nativa da Europa e Ásia de clima temperado. Disseminada pela América em regiões úmidas, sombreadas e próximas a rios e riachos. Erva perene, de clima temperado a subtropical. Tolera geadas moderadas e breves períodos de estiagem. Desenvolve-se bem sob sol pleno, com oferta hídrica adequada.
Os solos de fertilidade média-alta, com bom teor de matéria orgânica, pH entre 5 e 6,5 e boa drenagem são os mais adequados. Média exigência hídrica. As folhas desenvolvem-se mais e tornam-se maiores quando a oferta hídrica é adequada.
Propaga-se por divisão de touceiras (com no mínimo um rebento); Plantio nos meses mais chuvosos do ano, direto no campo. O espaçamento deve ser de 30 a 50 centímetros entre plantas e 50 cm entre linhas. Dependendo da fertilidade do solo, pode-se adequar este arranjo espacial. Pode atingir de 50 a 60 cm de altura e pode ser cultivada intercalada com boldo baiano (Vernonia condensata), sabugueiro (Sambucus australis)ou cidró (Aloysia triphylla).
Início da colheita 3 a 5 meses após o plantio, coletando-se as folhas mais velhas. Rendimento de 6 mil a 10 mil kg/ha de folhas secas e de 3 mil a 8 mil kg/ha de raízes secas/ano (Correa et al., 1991).
A temperatura máxima de secagem das folhas não deve exceder os 45ºC. A temperatura máxima de secagem das raízes não deve exceder os 60ºC. OBS: Pode ser hospedeira de Meloidogyne (Prosdócimo & Lozano, 1998).
Nomes comuns: confrei (Brasil), consuelda, consuelda mayor, sínfito, oreja de asno (Argentina), comfrey (Inglaterra), consoude (França), consolida (Itália), consolda-maior (Portugal).
História: Suas raízes, são utilizadas desde a antiguidade para a consolidação de fraturas. Pode ter sido uma das plantas citadas por Dioscórides em seu tratado Matéria médica (200 d. C.). A palavra grega Symphytum, significa unir.
Citado ainda por Plínio, o velho, como ''aglutinador da carne'' (cicatrizante). Em 1668, seus poderes curativos foram publicados no Turner Herbal pharmacopeia Londinensis collegarum, principal referência terapêutica Inglesa daquele século.
Usos terapêuticos: Planta recomendada apenas para uso externo, pois seu uso interno pode provocar lesões hepáticas irreversíveis.
Usado externamente como adstringente (''seca'' a pele), cicatrizante (especialmente em casos de úlceras de pele), emoliente (''suaviza e amacia'' a pele), antiinflamatório tópico, antieczematoso, antipsoriásico.
Princípios ativos: Alantoína, fitoesteróides (Beta-sitosterol), alcalóides pirrolizidínicos e não pirrolizidínicos, taninos, ácidos orgânicos, saponinas, mucilagens, asparagina, resinas, óleos essenciais, etc.
Partes utilizadas: Folhas adultas e principalmente as raízes, coletadas preferencialmente quando a planta está seca, no outono ou na primavera, antes da nova brotação.
Formas de uso e dosagem:
- Uso interno: contra-indicado em qualquer situação;
- Uso externo: o melhor método para extrair a alantoína é a maceração em água fria: cataplasmas das raízes frescas e raladas, sobre a lesão; chás: 50 - 100g/litro de água para banhos e compressas; suco fresco diluído em água para banhos e compressas; cremes, géis e pomadas para uso externo.
Tempo de uso: Externamente, pelo tempo que se fizer necessário, em lesões pouco extensas. Em lesões maiores, seu uso deve ser descontinuado, intercalado com outros produtos (como a tansagem, por exemplo), pela possibilidade de absorção tópica.
Efeitos colaterais: Abortos e lesões hepáticas irreversíveis no uso interno.
Não há referências a efeitos colaterais significativos no uso externo adequado.
Contra indicações: Contra indicado para uso interno em qualquer situação.
Mesmo o uso externo deve ser evitado na gravidez, lactação e em portadores de doenças hepáticas e renais, pela possibilidade de absorção através da pele, principalmente se estiver lesada. Contra indicado também, na presença de tumores, devido a um possível efeito mutagênico.
Lembramos, que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.
Fontes principais de consulta: ''Tratado de fitomedicina - bases clínicas e farmacológicas''. Dr. Jorge R. Alonso - editora Isis. 1.998 - Buenos Aires - Argentina. ''Plantas aromáticas e medicinais - cultivo e utilização'' - Paulo Guilherme Ferreira Ribeiro e Rui Cépil Diniz . Londrina: IAPAR, 2008.
RUI CÉPIL DINIZ é médico especialista em Fitomedicina e Saúde da Família, responsável pelo Programa Municipal de Fitoterapia (e-mail: [email protected] e telefone 43-3321-0652).





