Plantas Medicinais
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de novembro de 2008
Rui Cépil Diniz 
Aspectos agronômicos: Planta da família Asteraceae, nativa do Sul do Brasil, incluindo regiões serranas de São Paulo, Minas Gerais (Gavinales & Brandão, 1998) até o Uruguai, Paraguai e Argentina. Ocorre também na Bolívia e mais ao Norte incluindo Venezuela, principalmente entre altitudes de 2 mil a a 2,6 mil metros (Morton, 1981).
Erva anual a bienal, de clima subtropical de altitude a temperado. Desenvolve-se na primavera-verão, florescendo no outono. Necessita de dias curtos e amplitude térmica para florescer.
É pouco exigente em relação ao solo, mas prefere solos profundos e bem drenados. Tolera ampla faixa de pH, desde 4,0 até 6,5. Não responde a aplicação de adubação orgânica para produção de flores.
Propaga-se por sementes ou por estacas. As sementes são muito pequenas e necessitam de quebra de dormência com 24 horas de temperatura a 4º C (Ikuta & Barros, 1996). Para semeadura a campo ou canteiro, deve-se misturar pó de serra na proporção de 1:10.
Estacas colhidas em outubro, na pré-floração e tratadas com solução de 0,01% de ANA (Ácido Naftaleno Acético) ou com solução de IBA (Ácido Indol Butírico) a 0,1 ou 0,5% e colocadas em areia (Mathe, 1993).
No plantio a lanço, distribuir na superfície do solo, fileira contínua da mistura semente/pó de serra, espaçando 40 a 50 cm entre as fileiras. Após a distribuição deve-se compactar a semente. Atinge até 1,5 m de altura, mas fica geralmente entre 60 e 120 cm.
Início da colheita variável dependendo do período de plantio e da emergência, geralmente após 6 meses inicia-se a colheita, estendendo-se por 3 meses. Plantios em outubro, coleta-se em março/abril.
Rendimento de 400 a 500 Kg de flores secas/ha. Pode-se chegar entretanto a até 1,2 t/ha, em condições de boa cobertura (distribuição espacial) na área. A temperatura de secagem não deve exceder 55º C.
Nomes comuns: Alecrim da parede, botonera, camomila nacional, carrapichinho de agulha, chá de lagoa, losna do mato (MG), macela, marcelinha, macela amarela, macela da terra, macela do campo, macela hembra, macela do sertão, mirabira, marcela blanca (Uruguai), pirayu ou yatei caa (Paraguai), huira-huira (Guatemala).
História: Planta muito utilizada pelos índios da América do Sul, como digestivo, antiinflamatório, antiséptico e emenagogo (promove contrações uterinas). Foi empregada inclusive pelos índios Tobas, como emagrecedor. ô uma tradição, que sua coleta seja feita na sexta-feira santa, para que se obtenha o máximo de benefícios com seu uso.
Usos terapêuticos: Antiinflamatório, analgésico, calmante, antidiarreico, bactericida, antimicótico, antiespasmódico, digestivo, carminativo, relaxante muscular, anti-herpético, antioxidante, imunoestimulante.
Princípios ativos: Óleos essenciais (cineol, isognafalina, galangina, alfa-pineno, cimeno, cariofileno, etc), flavonóides (quercetina, luteolina,, galangina), saponinas terpênicas, pigmentos amarelos, resinas, taninos, princípios amargos, etc.
Partes utilizadas: Parte aérea, especialmente as flores e capítulos florais.
Formas de uso e dosagem: Chá por infusão: 5 a 10 grs de flores secas/litro de água - 3 a 4 xícaras ao dia, preferencialmente às refeições para distúrbios digestivos; 30 grs de flores secas/litro de água - para aplicações em banhos e compressas.
Formas farmacêuticas: Tinturas (20 g de flores em 100 ml de álcool 60%), xaropes, xampus e sabonetes.
Usada popularmente para a confecção de travesseiros, pelo seu efeito aromático.
Tempo de uso: Evitar o uso interno contínuo e prolongado (como na maioria dos fitoterápicos).
Efeitos colaterais: Não relatados na literatura, quando utilizada de forma adequada. Existem poucos estudos na literatura quanto a sua toxicidade e mutagenicidade.
Contra-indicações: Gravidez, pelo efeito miorelaxante e emenagogo.
Lembramos, que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.
Fontes principais de consulta: ''Tratado de fitomedicina - bases clínicas e farmacológicas''. Dr. Jorge R. Alonso - editora Isis. 1.998 - Buenos Aires - Argentina. ''Plantas aromáticas e medicinais - cultivo e utilização'' - Paulo Guilherme Ferreira Ribeiro e Rui Cépil Diniz . Londrina: IAPAR, 2008.
RUI CÉPIL DINIZ é médico especialista em Fitomedicina e Saúde da Família, responsável pelo Programa Municipal de Fitoterapia (e-mail: [email protected] e telefone 43-3321-0652).


