PLANTAS MEDICINAIS
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de novembro de 2008
Rui Cépil Diniz 
Aspectos agronômicos: Planta da família Lamiaceae, nativa da região mediterrânea da Europa, norte da África e oriente próximo. Largamente cultivada em regiões subtemperadas, subtropicais e tropicais de altitude, como Bermudas, Cuba, Jamaica, Guatemala e Costa Rica. Erva perene de clima temperado a subtropical. Tolera baixas temperaturas, mas desenvolve-se melhor entre 20º e 25º C, a pleno sol. não tolera altas temperaturas associadas a elevada umidade relativa do ar, como nas regiões litorâneas.
Medianamente exigente quanto à irrigação, o ideal é manter o solo próximo a capacidade de campo. Requer solos bem drenados, com fertilidade mediana a alta e bom teor de matéria orgânica, com ph entre 5 e 6,5.
Propaga-se por estaquias ou sementes. Por estaquia, utilizam-se estacas com 10 - 15 cm (obtidas das plantas mais velhas). As estacas devem ser cortadas dos ramos principais. O plantio é realizado em sacos plásticos, de setembro a janeiro, levando-se as mudas para o campo assim que estiverem bem enraizadas. para a propagação por sementes, estas devem ser adquiridas, pois a sálvia não sementeia em nossas condições. Realiza-se o plantio em sementeira, com terra misturada com areia fina (50%). As mudas devem ser repicadas para saquinho quando tiverem dois pares de folhas definitivas. Deve-se renovar a área de plantio a cada dois anos.
O espaçamento deve ser de 20 x 30 a 20 x 40 cm. pode atingir até 60 cm de altura.
Início da colheita seis meses após o plantio no campo, coletando-se apenas 50% das folhas ou ramos, para permitir boa recuperação da planta.
Rendimento de 1 a 2 toneladas/ha de folhas secas/ano. A temperatura de secagem não deve ultrapassar os 50º c.
Nomes populares: sálvia, sage (Inglaterra), sauge (França), salva (Portugal).
Usos Terapêuticos: digestivo, hipoglicemiante, carminativo, adstringente, anti-séptico, anti-espasmódico, tônico, anti-sudorífico, diurético, emoliente, anti-diarreico, anti-radicais livres, normalizador do ciclo menstrual, estimulante da memória, aromático.
Outros usos: Muito empregada também como tempero e como agente conservante e antioxidante na indústria de alimentos, sobretudo em embutidos e na fabricação de queijos. Utilizada ainda em desodorantes, pela sua capacidade antitranspirante.
Princípios ativos: Óleos essenciais (tuiona, cânfora, cineol, borneol, limoneno, pineno, canfeno, phelandreno), princípios amargos (triterpenos- picrosalvina, ácido ursólico, oleanóico, etc), glicosídeos (amirinas, betulina), ácido rosmarínico, flavonóides, taninos, substâncias estrogênicas, ácido clorogênico e labiático, saponinas, resinas e mucilagens.
Partes utilizadas: folhas (colhidas pouco antes da floração) e sumidades florais.
Formas de uso e dosagem:
- Uso interno: infusão das folhas (2,5 a 5%) - 3 xÍcaras/dia; pó - 1 a 4 grs até 3x/dia; extrato seco (5:1)- 0,5 a 1 g/dia; extrato fluído (1 g= 40 gotas)- 2,5 g/dia;
Formas farmacêuticas: extratos, tinturas, óleo essenciais.
- Uso externo: infusão das folhas (2,5 a 5%) - utilizada para banhos de assento, duchas vaginais, compressas e gargarejos; utilizada ainda no preparo de pastas de dente e loções capilares (juntamente com o alecrin, como estimulante do couro cabeludo, em casos de calvice).
Tempo de uso: Evitar o uso contínuo e prolongado.
Efeitos colaterais: geralmente bem tolerada nas doses recomendadas, podendo porém, levar a reações epileptiformes e bradicardia, no uso prolongado e em doses excessivas. Pode também causar irritação de pele em pessoas sensíveis.
Seu uso em aromaterapia (óleos essenciais) não É recomendado.
Contra-indicações: gravidez, lactação, cardiopatas, nefropatias, doenças do sistema nervoso central, portadores de tumores hormônio-dependentes ou em terapia estrogênica (inclusive anticoncepcionais), crianças menores.
Interações medicamentosas: pode interferir com a atividade de anticoncepcionais, hipoglicemiantes, anticonvulsivantes e sedativos.
Lembramos, que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.
Fontes principais de consulta: ''Tratado de Fitomedicina - bases clÍnicas e farmacológicas''. Dr. Jorge R. Alonso - Editora Isis. 1998 - Buenos Aires - Argentina. ''Plantas Aromáticas e Medicinais - cultivo e utilização'' - Paulo Guilherme Ferreira Ribeiro e Rui Cépil Diniz. Londrina: Iapar, 2008
RUI CÉPIL DINIZ é médico especialista em Fitomedicina e Saúde da Família, responsável pelo Programa Municipal de Fitoterapia (e-mail: [email protected] e telefone 43-3321-0652).


