Aspectos botânicos: Trepadeira arbustiva, da família das passifloráceas, dotado de gavinhas de fixação. Folhas alternas, verde escuras na face superior e pálidas na parte inferior, palmadas e de aspecto elíptico. Apresenta grandes flores solitárias, pedunculadas, de até 10 cm de diâmetro. O fruto é ovóide, amarelado e carnoso, de tamanho variável conforme a espécie.
  Apesar de ser uma planta perene, exige renovação freqüente do plantio, para melhorar a produtividade e evitar certas doenças. Floresce na primavera e inicia a frutificação no verão, podendo produzir por vários meses, com produção praticamente constante no norte do Brasil. A temperatura ideal de cultivo situa-se entre 21 e 25ºC, com umidade relativa de aproximadamente 60%. Locais de maior umidade, favorecem o aparecimento de doenças como a verrucose, antracnose e bacteriose.
  Requer solos profundos, bem drenados, ricos em matéria orgânica e de textura média (areno-argilosa). Responde bem a adubação orgânica.
  Principais espécies: P. coerulea, P. capsularis, P. cincinnata, P. coccínea, P. macrocarpa, P. edulis, P. incarnata, P. suberosa, etc.
  Propagação: Por sementes, adquiridas em casas especializadas ou conseguidas de frutos saudáveis e maduros, colhidos de várias plantas diferentes, para minimizar os problemas de incompatibilidade na lavoura. Plantadas em sacos plásticos ou tubetes, em substrato apropriado e transplantados para o campo quando estiverem com 15 a 30 cm de altura (45 a 70 dias após a semeadura), durante o período chuvoso em plantios não irrigados.
  Espaçamento: 2,5 X 5,0 m., e conduzidos em caramanchões. Exige podas de formação e de renovação.
  Colheita: Pode-se colher as folhas (uso medicinal) ou os frutos, 06 a 09 meses após o plantio definitivo. A polinização artificial (manual) é indicada quando se deseja a produção de frutos.
  Rendimento: Frutos: variável entre 10 e 45 ton/ha/ano.
  A família das passifloráceas, constitui-se de 12 gêneros, com 600 espécies, originárias de regiões tropicais e sub-tropicais da América e África. Na Europa, foi introduzida através do Brasil, no século XVII.
Cultivada principalmente nos Estados Unidos, Brasil, Norte da África, Polônia, Israel, Espanha e Sul da França.
  Nomes comuns: maracujá, mburucuiá (Guarani), maracujá melão, maracujá açu, maracujá suspiro, grenadilha, maracujá mirim, passiflora vermelha de beira de rio, flor da paixão, maracujá guaçu, maracujá silvestre, sucurujá, passiflora, passionária, , fleur de la passion (França), granadilla (Peru), passion flower ou maypop (Ingl.).
  Histórico: Suas flores lembram os instrumentos utilizados na crucificação de Cristo, daí seu nome de flor da paixão (passion flower) em outros idiomas, e é de grande efeito ornamental. Seu uso remonta o século IX, quando era utilizada como moeda de troca pelos povos africanos. Também os povos primitivos da América do Sul (Incas e Incas. Em 1.867, os estudos de um investigador americano chamaram a atenção para a passiflora, e demonstraram seu grande potencial para a medicina como sedativo e antiespasmódico. Seu uso foi popularizado na Europa, durante a primeira grande guerra, quando foi amplamente utilizado para tratar as angústias de guerra. Em 1937, foi inscrita na farmacopéia francesa e post. na maioria dos outros países europeus.
  Usos terapêuticos: Sedativo, tranquilizante, ansiolítico, antiespasmódico, diurético. Utilizado em casos de cefaléia de origem nervosa, ansiedade, perturbações da menopausa, insônia, taquicardia, cólicas, nevralgias e asma.
  Princípios ativos: Alcalóides indólicos (harmana, harmina, harmol e harmalina); flavonóides (vitexina, isvitexina, orientina, apigenina, quercitina, rutina, kaempferol); esteróis (estigmasterol, sitosterol, nonacosano); glicosídeos; álcoois; ácidos; gomas; resinas; vitaminas e taninos.
  Partes utilizadas: Folhas e frutos.
  Formas de uso e dosagem:
n Infusão das folhas a 1%- 10 g de folhas em 01 litro de água.
n Extrato seco (5 a 10:1): 100 a 200 mg até 3X/dia para ansiedade, cefaléias e outros distúrbios de fundo nervoso. 200 a 400 mg à noite para insônia.
n Tintura (1:8 em álcool 45%): 30 gotas até 3X/dia.
n Extrato fluido -1 g = 40 gotas- (1:1 em álcool 25%): 10 a 20 gotas 2X/dia (máximo de 1 g/dia).
  Tempo de uso: Pode ser usado por até 03 meses ininterruptos. Não há referências quanto a possível dependência física na literatura.
  Efeitos colaterais: Raros nas doses terapêuticas. O uso de doses excessivas de folhas pode levar a intoxicação cianídrica (náuseas, vômitos, cefaléia, taquicardia, diminuição de reflexos e até convulsões e parada respiratória) e potencializar os efeitos dos inibidores da MAO (alguns anti-depressivos).
  Interações: Pode potencializar os efeitos do álcool, anti-histamínicos e do sono induzido por barbitúricos, além dos efeitos analgésicos da morfina. Pode provocar um bloqueio parcial dos efeitos das anfetaminas. Pode ser associado com valeriana e com lúpulo para insônia.
  Contra-indicações: Hipotensão arterial, gravidez, lactação e crianças.
Lembramos, que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.
  Fontes principais de consulta: ‘‘FITOTERAPIA MAGIS-TRAL’’ - Anfarmag -Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais - 2005; ‘‘Herbarium compêndio de fitoterapia’’ / Magrid Teske; Anny Margaly Maciel Trentini. 4. ed. Curitiba. ‘‘Tratado de fitomedicina - bases clínicas e farmaco-lógicas’’. Dr. Jorge R. Alonso - editora Isis. 1.998 - Buenos Aires - Argentina. Protocolo de fitoterapia - ASMS Londrina Pr.

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