PLANTAS MEDICINAIS
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Rui Cépil Diniz 
Aspectos agronômicos: Planta da família Asteraceae, nativa da região mediterrânea da Europa. Cultivada mundialmente como planta ornamental, principalmente na América Latina. Erva anual, de clima temperado a subtropical. Não tolera temperaturas elevadas, acima de 25º C ou chuvas prolongadas na florada. No Sul e Sudeste do Brasil, seu cultivo deve ser feito no outono/inverno.
Os solos de média a alta fertilidade são adequados ao seu cultivo, com bom teor de matéria orgânica, bem drenados e pH entre 5,0 e 6,5. Exigente quanto a irrigação, principalmente na formação da muda e na fase de botões florais.
Propaga-se por sementes acomodadas em saquinhos e posterior transplante a campo, ou direto no campo. Neste caso deve-se semear mais do que o necessário e fazer desbaste posterior. A opção depende da disponibilidade e do custo da semente.
O espaçamento deve ser de 20 centímetros (cm) entre plantas e 20 a 30 com entre linhas. Sob sol pleno, seu porte chega aos 50 cm.
Início da colheita à partir de três meses do plantio no campo, durante o florescimento (Correa et al., 1991). Rendimento de 2 a 2,5 t/ha de flores secas.
Obs.: Pode ser hospedeira de Meloidogyne hapla (Prosdócimo & Lozano, 1998).
Nomes populares: Calêndula, maravilha, virreina, clavel de muerto, marquesita, china, marigold ou ringflower (Ingl.), cappuccina dei campi ou calenzola (Itália), souci des jardins (França), maravilha (Portugal), copetuda (Cuba).
Histórico: Os Árabes e Indus, já conheciam as atividades corantes e medicinais da calêndula desde a Antigüidade, sendo posteriormente cultivada pelos Gregos, que a utilizavam em seus festejos e até faziam grinaldas para seus heróis, assim como fazem na Índia até os dias de hoje, para coroar suas divindades. Em latim kalendulae representa o primeiro dia do calendário romano. Os romanos a denominavam de solsequium, que significa seguidora do sol, pois ela costuma abrir suas flores com a presença do sol e fechar no entardecer.
Suas pétalas secas foram utilizadas para substituir o açafrão como condimento.
Foi muito utilizada durante as guerras (civil norte-americana e primeira mundial) como anti-inflamatória e anti-séptica em feridas.
Usos terapêuticos: Anti-alérgica, suavizante, refrescante, anti-inflamatório, cicatrizante, anti-séptico, colagogo (promove a eliminação da bile), emenagoga (promove e estimula o fluxo menstrual, o que a contra-indica durante a gestação) e diaforética (estimula a sudorese).
Outros usos: Substituto ou adulterante do açafrão, alimento em saladas, sopas, tortas, etc., adicionado a peixes, carnes e bebidas na França, apesar de seu sabor amargo. Também utilizada como corante em queijos, manteigas e cosméticos.
Princípios ativos: Óleos essenciais (mono e sesquiterpenos), carotenóides (xantinas, calendulina, caroteno, licopeno, etc), flavonóides, ácido oleanóico, saponinas, mucilagens, resinas, princípios amargos, polisacarídeos, ácido salicílico, vitaminas, minerais.
Partes utilizadas: Folhas e principalmente flores.
Formas de uso e dosagem:
Uso tópico: infusão ou decocção 50 gr/litro, para banhos e compressas, tinturas, alcoolaturas, ungüentos, pomadas, cremes, loções, sabonetes, xampus, pomadas em orabase.
Uso interno: Infusão: 15 gr/litro, de 3 a 5 xícaras por dia; tintura (1:10)- 2 gr diários, divididos em 3 tomadas; extratos fluidos (1 gr= 40 gotas) 20 a 30 gotas 2 a 3X/dia.
Obs.: Na Europa, apenas seu uso externo é aprovado pelos órgão reguladores. Nos EUA, é aprovada como suplemento alimentar.
Tempo de uso: Sem contra-indicações ao uso tópico prolongado.
Efeitos colaterais: Raros casos de alergia em pessoas sensíveis.
Contra indicações: Gravidez e lactação para o uso interno.
Lembramos, que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.
Fontes principais de consulta: Plantas aromáticas e medicinais - cultivo e utilização - Paulo Guilherme Ferreira Ribeiro e Rui Cépil Diniz . Londrina: IAPAR, 2008. Tratado de fitomedicina - bases clínicas e farmacológicas Dr. Jorge R. Alonso - editora Isis . 1998 - Buenos Aires - Argentina.
RUI CÉPIL DINIZ é médico especialista em Fitomedicina e Saúde da Família, responsável pelo Programa Municipal de Fitoterapia (e-mail: [email protected] e telefone 43-3321-0652).


