Com a queda da temperatura e demais mudanças climáticas, características desta época do ano, algumas plantas medicinais são de grande utilidade prática.

Nos próximos artigos, daremos preferência a estas plantas.
Começaremos pelo ''poejo'', planta muito comum em nossa região e em nossos quintais. Apesar de seu uso ancestral, devemos ter muito cuidado ao utilizá-lo, pois seu alto poder terapêutico, é acompanhado também de um alto potencial tóxico, devendo seu uso ser criterioso, como veremos à seguir.

Nomes populares: Poejo, puejinho, puliol, poesco, menta poejo, poelo menta, menthe pouliot (França), penny-royal mint (Ingl.), puleggio (Itália),

Aspectos agronômicos: Planta da família das labiadas, nativa do Oriente Médio e Norte da África. Dispersa na Europa pelos Árabes e Romanos. Introduzida na América, aclimatou-se em regiões subtropicais.

O poejo é uma espécie de clima temperado a subtropical, produz em todo o Brasil. Desenvolve-se a pleno sol, não tolera geadas severas ou temperaturas elevadas associadas a alta umidade do ar. Requer solos úmidos, porém, bem drenados, com boa fertilidade e bom teor de matéria orgânica, pH ideal entre 5,0 e 6,5.

Propaga-se por mudas (estolão) tiradas por divisão de touceiras. O plantio pode ser efetuado o ano todo, desde que haja umidade adequada no solo. Espaçamento de 20 X 20 cm para se obter rápida cobertura do solo. A cada dois anos, deve-se mudar o local de cultivo.

Planta prostrada, aromática, perene, alcançando até 50 centímetros, folhas verde-escuras, suavemente pilosas, pecioladas e ovais. Pequenas flores azuis-violáceas que aparecem no início do verão.

Início da colheita dois a três meses após o plantio. Coleta-se 50% das folhas. A temperatura de secagem não deve exceder 40 a 45º C. Obs.: Pode ser hospedeira de Meloidogyne hapla (Prosdócimo & Lozano, 1998).

Histórico: Utilizada desde a antiguidade, o poejo é uma das mentas mais populares na Europa. O nome pulegium, deriva de pulex (pulga) e foi dado por Plínio pela sua capacidade de repelir insetos. Devido a seu aroma e aspecto semelhante ao tomilho, recebeu o nome de puliol (tomilho em francês).

Usos terapêuticos: Expectorante, broncodilatador, béquico (antitussígeno), carminativo (contra gases), estimulante do apetite, colagogo (contração da vesícula biliar), emenagogo (contração do útero), antiespasmódico (contra cólicas), antisséptico. Sua venda para usos medicinais está proibida nos Estados Unidos.

Princípios ativos: Óleos essenciais (neoisomenthol, pulejona, mentona, linalol, limoneno, lippiona, etc.) e flavonóides (diosmina e hesperidina).

Partes utilizadas: Toda a planta, fresca ou seca.

Formas de uso e dosagem:

- Uso interno: Infusão - 10 a 40 gr/litro de água - utilizada para gargarejos, como enxaguante bucal e também para uso interno. Tinturas ou extratos hidroalcoólicos (maior toxicidade). Extratos fluídos (1:1 em álcool 45%) 1 a 4 ml divididos em 2 ou 3 tomadas diárias.

- Uso externo: Utilizado como banhos ou cataplasmas para o tratamento de feridas.

- Outros usos: Sua essência aromática pode ser utilizada como repelente de insetos, para o tratamento de parasitas de pelos de animais, como aromatizante de ambientes, além de perfumes, sabonetes e desodorantes.

Tempo de uso: Evitar o uso interno prolongado e em altas doses.

Efeitos colaterais: Possui a maior quantidade de pulejona entre as labiadas, o que lhe confere um maior potencial terapêutico, porém uma maior toxicidade.

Pode levar a bronco-constrição (efeito paradoxal em crianças menores). Em doses altas e prolongadas, pode provocar dor abdominal, náuseas, vômitos, diarréia, rush cutâneo, letargia, convulsões e hepatite tóxica.

Contra-indicações: Gravidez, lactação, crianças menores e pessoas alérgicas.

Lembramos, que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.


Fontes principais de consulta: ''Cultivo de plantas aromáticas e medicinais'' - IAPAR - Autor: Eng. Agr. Paulo Guilherme F. Ribeiro; Co-autor: Rui Cépil Diniz (Médico)- Livro em fase de conclusão para publicação. ''Tratado de fitomedicina - bases clínicas e farmacológicas'' Dr. Jorge R. Alonso - editora Isis . 1998 - Buenos Aires - Argentina.

RUI CÉPIL DINIZ é médico especialista em Fitomedicina e Saúde da Família, responsável pelo Programa Municipal de Fitoterapia (e-mail: [email protected] e telefone 43-3321-0652).

mockup