Atendendo a uma lembrança, falaremos hoje sobre a cavalinha, planta utilizada em muitos jardins como ornamental, e diurético de uso comum em fitoterapia, inclusive fazendo parte do grupo de plantas do programa municipal de fitoterapia.

Aspectos botânicos: Planta da família das Equisetaceas, perene, rizomatosa, caracterizada por apresentar dois tipos de talos: férteis, acinzentados, que nascem no final do inverno e terminam em espigas de 10 a 20 centímetros (cm) de altura; e estéreis, verdes, de 20 a 80 cm de altura, que aparecem no verão e ''morrem'' no inverno. Ambos são finos, ocos, em formato de cana e articulados.

Não produz flores e se propaga por meio de esporos. É nativo da Europa, e abundante em terrenos baldios, argilosos, arenosos e úmidos. Utilizado em jardinagem em todo o mundo.

Nomes populares: Cavalinha, equiseto, equiseto menor, cola de caballo, yunquillo, yerba de los plateros, yerba del tigre, cola de lagarto (Uruguai), tembladera pequena (Colômbia), equisetum ou horsetail (Inglaterra), équiset (França).

Histórico: Do latin, Equs = cavalo e setum = rabo. Sua utilização vem da época de Cristo. Plínio (77 d.C.) já se referia a sua capacidade hemostática. Na idade média foi utilizada como cicatrizante e anti-inflamatória, tanto para uso interno como externo. No século XVIII, Hoffmann a preconizava para uso em pacientes com litíase urinária (''pedra nos rins'').

Usos terapêuticos: Remineralizante (utilizado em consolidações de fraturas e doenças reumáticas), diurético poupador de potássio, hipotensor, hemostático (reduz hemorragias), anti-inflamatório e cicatrizante.

Princípios ativos: Saponinas, flavonóides, taninos, traços de alcalóides, ácidos diversos, resinas, vitamina C, lignanos e sais minerais diversos (potássio, cálcio, fósforo, ácido silícico e compostos hidrossolúveis derivados do silício).

Partes utilizadas: Talos estéreis, colhidos no final do verão.

Formas de uso e dosagem:

- Uso tópico: Decocção dos talos a 10% (100 gr/litro), utilizada para gargarejos, banhos e compressas.

- Uso interno: Infusão ou decocção dos talos a 5% (50 gr/litro) - 3 a 4 xícaras ao dia. Supositórios - 200 mg- em casos de hemorróidas; tinturas - 30 gr/500 ml de álcool de cereais - até uma colher de sopa/dia ou para uso tópico; extrato fluído 25% - 1 a 4 ml por dia; pó da planta - 1 a 2 gr antes de cada refeição.

Quando se pretende uma atividade diurética, a temperatura de preparo deve ser menor (inclusive na preparação de extratos), pela presença de substâncias termolábeis.

Outros usos: Os talos secos podem ser utilizados para dar polimento em estanho, prata e madeira. Seu pó também foi utilizado por livreiros, para conservação de páginas de livros antigos. Também utilizado em agricultura orgânica como auxiliar no controle de pragas em hortas e pomares.

Tempo de uso:

- Uso tópico: Pelo tempo que se fizer necessário.

- Uso interno: Aconselha-se que se evite o uso contínuo e prolongado.

Efeitos colaterais: Dificuldades na coordenação motora, emagrecimento, hipotermia e diarréia foram observado em animais que consumiram grandes quantidades da planta. Usos humanos prolongados podem levar a cefaléia, anorexia e disfagia, provavelmente pelos alcalóides.

- Atentar-se a possibilidade de adulteração pelo equisetum palustre, que possui grandes quantidades de alcalóides,e pode resultar em efeitos neuro e nefrotóxicos importantes.

Interações medicamentosas: Anti-coagulantes, diuréticos, anti-hipertensivos, cálcio e taninos.

Contra-indicações: Gravidez e lactação.

Lembramos, que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.

Fontes principais de consulta: ''Tratado de fitomedicina - bases clínicas e farmacológicas'' Dr. Jorge R. Alonso - editora Isis . 1998 - Buenos Aires - Argentina.

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