PLANTAS MEDICINAIS
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de março de 2008
Fabíola Salvador<br> Agência Estado 
Aspectos botânicos: Planta da família Liliaceae, nativa do mediterrâneo, norte e noroeste da África, e cultivada em zonas tropicais (aproximadamente 360 espécies). Arbusto perene, que pode atingir 60 centímetros a 1,5 metro de altura, não tolera geadas ou elevada umidade relativa do ar. Prefere solos bem drenados e com fertilidade mediana, com adubação orgânica preferencial e baixa exigência quanto a irrigação.
Cultivada principalmente nos Estados Unidos, México, Caribe, sul da Europa e norte da África, além de alguns países da América do Sul.
Propagação vegetativa por divisão de touceiras ou pela retirada de rebentos da base do caule. O espaçamento deve ser de 50 cm entre plantas e 1 metro entre linhas, sob sol pleno.
Período de colheita A folhas podem ser colhidas de um a dois anos após o plantio no campo. O rendimento fica em torno de 10 a 20 ton de folhas/ha/ano, com teor médio de aloína de 20 a 30%.
Nomes populares: Babosa, sábila, zabira (Arábia), aloe do mediterrâneo, aloe de barbados, erva babosa (Portugal), aloe de curaçao, sempreviva (oeste da Índia), laloi (Índia), bamboo (Bermudas), etc.
Histórico: O nome deriva do grego aloe, do árabe alloh ou ainda do hebreu halal, que significa em todos os casos: substância amarga e brilhante. Usada desde o antigo Egito, para a fabricação de elixires, segundo o papiro de Ebers (século XVI a.C.). Foi utilizada por séculos no antigo Egito, desde a rainha de Sabá (século X a.C.) até Cleópatra (século I a.C.) para tratar suas peles e seus cabelos. Era usada pelos soldados de Alexandre para o tratamentos de feridas de guerra, sendo um dos principais motivos da invasão da ilha de Socotra (principal fonte de aloes na época). Aparece ainda em citações de Dioscórides, Marco Pólo, etc. Foi declarada como espécie protegida pelos Estados Unidos em 1.973.
Usos terapêuticos: Umectante, emoliente, anti-inflamatório, refrescante, anti-caspa, anti-queda de cabelos, cicatrizante. Tratamento de queimaduras superficiais, inclusive por sol excessivo.
Princípios Ativos Derivados antracênicos (aloína, barbaloína, aloe-emodina, aloinosídeos A e B), resinas, ácido crisofânico, mucilagens, enzimas, óleos essenciais, aminoácidos, vitaminas e sais minerais, e outras.
Partes utilizadas: Folhas frescas ou desidratadas, da qual se extraem o látex das folhas ou o gel em estado natural.
Formas de uso e dosagem:
- Uso tópico: Diretamente sobre a área lesada, sob a forma de cataplasma (in natura ou como produtos industrializados);
- Fitocosmética: Usada em concentrações que variam de 1 a 10% em xampus, cremes, géis, sabonetes, loções, talcos, máscaras faciais, infusões puras ou associadas a outras plantas, argila, etc. Deve ser associada a produtos hidratantes, principalmente em usos prolongados, devido a sua capacidade adstringente.
- Uso interno: Muito se tem falado sobre a babosa, com diversas finalidades, em diversos países por todo o mundo e há muito tempo. Preferimos, entretanto, orientar que se evite o uso interno, exceto sob orientação médica, tendo em vista a possibilidade de hemorragias, alterações cardíacas, renais, digestivas e outros efeitos colaterais, relatados na literatura, até que maiores estudos sejam realizados. Preparações farmacêuticas livres de antraquinonas são liberadas para o uso interno pelo FDA nos Estados Unidos.
Tempo de uso:
- Uso tópico: Pelo tempo que se fizer necessário.
- Uso interno: Existe um aumento considerável nos efeitos colaterais no uso prolongado (mais de 03 meses).
Efeitos colaterais: Dor abdominal, diarréia, câncer de intestino, hipocalemia (câimbras, arritmias cardíacas), hemorróidas, hemorragias, desmaios, nefrites, hipotensão, hipotermia.
Interações medicamentosas: Anti-coagulantes, digoxina, diuréticos, ferro, iodo, cafeína, cocaína, etanol, mentol, taninos.
Contra-indicações: Desaconselhado o uso interno em qualquer situação e formalmente contra-indicado em: gestantes, nutrizes, mulheres menstruadas, hemorróidas e outras doenças gástricas e intestinais, portadores de doenças renais, usuários de anti-coagulantes, crianças menores de 12 anos, discrasias sanguíneas.
Lembramos, que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.
Fontes principais de consulta: ''Tratado de fitomedicina - bases clínicas e farmacológicas'' Dr. Jorge R. Alonso - editora Isis . 1998 - Buenos Aires - Argentina. ''Cultivo de plantas aromáticas e medicinais'' - IAPAR - Autor: Paulo Guilherme F. Ribeiro; Co-autor: Rui Cépil Diniz - Livro em fase de conclusão para publicação.
RUI CÉPIL DINIZ é médico especialista em Fitomedicina e Saúde da Família, responsável pelo Programa Municipal de Fitoterapia (e-mail: [email protected] e telefone 43-3321-0652).


