Aspectos botânicos: Planta pertencente à família das Papilionáceas, com altura de até 1,5 metro (m), com raiz que pode ultrapassar 1 m, com raízes secundárias. Folhas compostas alternas, elípticas, com 4 a 8 pares de folíolos. Flores azul-violáceas, que aparecem no verão. O fruto é uma vagem alargada de apenas 2 centímetros (cm).
  O Alcaçuz é nativo da Europa, Ásia central e norte da África. Cresce em solos ricos e arenosos. Cultivado atualmente na Espanha, Índia, Irã, Turquia, China e Rússia.
  Nomes populares: Alcaçuz, Regaliz, orozuz, palo Dulce, liquorice (Inglaterra), liquerizia (Itália), réglisse (França).
  Histórico: Seu uso medicinal data de aproximadamente 3 mil anos, sendo citado em papiros egípcios, escritos asírios e chineses. Hipócrates a indicava para tratar tosse, asma e outras doenças respiratórias, a chamando de raiz doce (Glukos riza), advindo daí sua denominação Glicyrrhiza. Muito empregado também pelos europeus nos séculos XIV e XV. Em 1946, na Alemanha, teve sua indicação como anti-ulceroso.
  Usos terapêuticos: Corretivo de sabor na indústria farmacêutica, anti-placa bacteriana em odontologia, anti-inflamatório, anti-tussígeno, expectorante, anti-asmático, anti-alérgico, imunomodulador, anti-espasmódico, carminativo (contra gases), hepatoprotetor, anti-ulcerogênico, anti-agregante plaquetário, uso tópico como anti-inflamatório, cicatrizante e descongestionante.
  Outros usos: Utilizado ainda como aromatizante, edulcorante, em cervejas, cigarros, doces, gomas de mascar, bebidas diversas, entre outros.
  Princípios ativos: Saponinas (glicirrizina), flavonóides, cumarinas, triterpenóides, esteróis, óleos essenciais, açúcares, proteínas, gorduras, resinas, asparagina, gomas, lignanos, etc.
  Partes utilizadas: Raiz, em plantas de 3 a 4 anos, antes de frutificarem (outono).
  Formas de uso e dosagem:
n Uso interno: decocção da raiz por 3 a 5 minutos - 40 a 50 g/litro: 2 a 3 xícaras/dia; extrato seco (10:1): 0,5 a 1 g/dia; extratos brandos: até 3g/dia em casos de úlceras; xaropes, gotas, pastilhas, etc.
n Uso externo: decocção da raiz por 30 minutos - 200 g/litro: 2 a 3 vezes/dia.
  Tempo de uso: Evitar o uso contínuo e prolongado (máximo de 4 semanas, com atenção especial a pressão arterial).
  Efeitos colaterais: Raros devido à baixa disponibilidade, podendo levar a hipertensão arterial, hemorragias e câimbras por depleção de potássio (em casos de uso prolongado) além de amenorréia (falha da menstruação).
  Interações medicamentosas: Pode interferir em tratamentos hormonais (estrógenos e anticoncepcionais), de diabetes, hipertensão arterial e anti-coagulantes.
  Contra-indicações: Hipertensão arterial, diabetes, insuficiência renal, hiperestrogenismo, neoplasias hormônio-dependentes, glaucoma, insuficiência cardíaca, gravidez e lactação.
  Fontes principais de consulta: ‘‘Tratado de fitomedicina - bases clínicas e farmacológicas’’ Dr. Jorge R. Alonso - editora Isis . 1998 - Buenos Aires - Argentina.
  RUI CÉPIL DINIZ é médico especialista em Fitomedicina e Saúde da Família, responsável pelo Programa Municipal de Fitoterapia (e-mail: [email protected] e telefone 43-3321-0652).

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